 Ney Matogrosso arrancou aplausos e suspiros Crédito: Marcos Santuario / Especial CP
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Ney Matogrosso arrancou aplausos e suspiros
Crédito: Marcos Santuario / Especial CP
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Um público de cerca de 1,8 mil pessoas lotou o Teatro Feevale, em Novo Hamburgo, para ver o sempre visceral Ney Matogrosso na noite dessa quarta-feira. O cantor realizou o primeiro dos três shows da turnê "Atento aos Sinais" que apresenta no Rio Grande do Sul. Ney, que comemora quatro décadas de carreira, volta aos palcos gaúchos nesta sexta e sábado, às 21h, no Araújo Vianna (avenida Osvaldo Aranha, 685), em Porto Alegre.
Em 90 minutos de espetáculo, Ney mostrou no Vale do Sinos cada detalhe de sua personalidade exuberante e provocadora. Musicalmente criativo e performaticamente vigoroso, o artista domina o palco e rege os talentosos músicos que o acompanham na viagem sonora. A sonoridade se dá com a composição de Sacha Amback (direção musical e teclado), Marcos Suzano e Felipe Roseno (percussão), Dunga (baixo), Mauricio Almeida e Mauricio Negão (guitarra), Aquiles Moraes (trompete), Everson Moraes (trombone).
A poesia intensa surge já nos primeiros acordes, quando Ney evoca "todo mundo tem direito à vida, todo mundo tem direito igual". Começa o show sentado em espécie de trono feito de espelhos, e já vai avisando que "há incêndio nas ruas", abrindo caminho para a poesia musical de Lobão, com a lembrança da "vida louca vida breve", com arranjo repleto de percussão e sopros intensos. Aplausos inevitáveis. O figurino, que vai do preto ao prata, abusando do brilho, é assinado pelo trio Ocimar Versolato, Milton Cunha e Marta Reis e dá direito a uma brincadeira de Ney, no intervalo já nas primeiras músicas: "Esperem que vou ali tirar um pouquinho da minha roupa". E o público atende a provocação, ovaciona e acompanha este espetáculo à parte que são os momentos de troca dos figurinos, que acontecem em pleno palco. Já o cenário que apresenta muitas luzes e imagens, que vão desde fotos do início da carreira com Secos & Molhados até tribos indígenas, foi criado por Luis Stein e Milton Cunha.
No repertório, Ney segue com clássicos e sucessos recentes não apenas os já cantados por ele, como também aqueles cantados por outros artistas que ele admira. A mescla musical conta com uma seleção que tem, ainda, “Roendo as Unhas”, de Paulinho da Viola; “Fico Louco”, de Itamar Assunção, e “Oração”, de Dani Black, música que inspirou o titulo da turnê. Sobra energia e elasticidade para o senhor de 71 anos e em plena forma, que começa e termina o show com uma capacidade comunicativa que vai além das palavras.
O bis foi pouco. Aplaudido de pé, Ney retornou e pediu desculpas: "Não ensaiamos nada mais, mas acho que, depois disso aqui, vamos ter que colocar outra música pra seguir". E mais aplausos para Ney Matogroso, que se mostra atento às mudanças do mundo, vivendo a contemporaneidade sem se prender ao passado. Preferência que pode ser percebida no espetáculo e que, em alguns momentos, deixa o público com saudades das canções de sucesso de tempos atrás. Mas, no final, sobra uma lembrança dos Secos & Molhados, cantada com energia renovada.
Fonte: Marcos Santuario / Correio do Povo
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