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17/03/2013 23:18 - Atualizado em 18/03/2013 08:02

Marisa Monte esbanja simpatia, afinação e poesia

Cantora lotou teatro em Novo Hamburgo na noite deste domingo

Show foi primeiro da cantora em Novo Hamburgo<br /><b>Crédito: </b> Diego Soares dos Santos / Divulgação / CP
Show foi primeiro da cantora em Novo Hamburgo
Crédito: Diego Soares dos Santos / Divulgação / CP
Show foi primeiro da cantora em Novo Hamburgo
Crédito: Diego Soares dos Santos / Divulgação / CP

Aos 45 anos, Marisa Monte encanta. Subiu ao palco do Teatro Feevale, em Novo Hamburgo, na noite deste domingo, e esbanjou simpatia, afinação e poesia. Do final dos anos 80, quando começou a brilhar como nova sensação da cena musical brasileira, Marisa não parou mais. Nem menos. Naquele momento alguns imaginavam que a garota carioca seria mais uma invenção pop de Nelson Motta, quem, ao lado de Walter Salles, dirigiu um especial de TV que apresentou a afinadíssima cantora ao país.

Mais de duas décadas depois, e por primeira vez em Novo Hamburgo, Marisa mostrou que seu canto e seu encanto são muito mais do que um marketing bem feito. No show do Teatro Feevale ela festejou em cena, interagiu com o público e não poupou sucessos em parceria com a platéia conquistada a cada canção. O espetáculo de imagens e luzes foi um show em si. Não é difícil perder-se na ilusão criada entre imagens sobrepostas, frases projetadas e cores que vão tecendo camadas para uma percepção imaginativa da criatividade que une som e imagem.

Foi um show para cantar com Marisa. Vibrar a cada música conhecida. Enternecer-se nas revelações sonoras. “Uma declaração de amor sem pieguice”, como refletiu alguém da plateia atenta.

“Verdade uma Ilusão” é a presença eclética e com personalidade de uma Marisa à vontade em um teatro que a fez deliciar-se. “Estou feliz de estar neste teatro lindo. Ah, se todas as cidades tivessem um teatro assim...”, suspirou. A tecnologia na projeção de imagens, surpreendente do início ao fim, não espantou o clima íntimo e pessoal, com corações abertos e vozes soltas por toda a plateia.

Com uma banda em que as cordas predominam (dos nove músicos, sete compunham o grupo de cordas e espécie de “mini orquestra”, assim carinhosamente definida por Marisa), os telões vão subindo e as barreiras vão caindo, entre artista e público. As palavras fluem e a musicalidade surge espontânea e completa. Fruto de escolhas de repertório que Marisa faz sem concessões. Canta o que gosta e como gosta. Encanta. De “Diariamente” até “Infinito Particular”, passando pela novíssima “O que você quer Saber de Verdade”, a história musical e poética da carioca que virou patrimônio nacional vai tomando o cenário. Confessa a admiração por nomes da MPB. Elogia Cássia Eller e revela que a cantora foi quem melhor imprimiu vida sonora à “ECT”, composta por Marisa, Nando Reis e Carlinhos Brown, e canta em ritmo espanholizado com castanholas imaginárias: “Tava com o cara que carimba postais, que por descuido abriu uma carta que voltou...”. Aplausos e mais aplausos. E ela poetiza sobre Cássia: “Saudade é sentir presença, não falta...”.

Acompanhada pelos talentosos músicos, que vão desde o veterano Dadi, da A Cor do Som, até um trio “emprestado” da Nação Zumbi, Marisa dialoga com os instrumentos com a poética sonora de uma voz segura, que começou flertando com o lírico na adolescência, passou pelo rock e se consolida como uma das melhores expressões da musicalidade brasileira contemporânea. Em duas horas de show ela deixou marcada sua presença em Novo Hamburgo. Fará parte da história do Teatro Feevale e fechou o espetáculo com a dose certa de passado e presente, sem esquecer o glossário para viver na cidade, entre obras de Zerbini, Tunga e Arnaldo Antunes. Se despediu, eclética e de olho na poesia, e na vida, sugerindo “curta a vida... a vida curta”.

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Fonte: Marcos Santuario / Correio do Povo






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