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15/12/2013 13:55 - Atualizado em 15/12/2013 14:02

Fito Paez lança ao mesmo tempo três discos e um romance

Músico argentino faz 50 anos e reexamina a própria trajetória

Cantor se apresentou no início do mês na Capital<br /><b>Crédito: </b> Guido Adler / Divulgação / CP
Cantor se apresentou no início do mês na Capital
Crédito: Guido Adler / Divulgação / CP
Cantor se apresentou no início do mês na Capital
Crédito: Guido Adler / Divulgação / CP

O cantor e compositor Fito Paez prefere se ver como uma espécie de portal cultural entre Argentina e Brasil. Já gravou em português com Caetano Veloso, Herbert Viana, Gil, Milton, Fagner e Djavan. Caetano transformou uma de suas canções, "Un Vestido y Un Amor". No ano passado, gravou com Chico e Ryuichi Sakamoto no disco Canciones para Aliens. Uma versão de "Construção" em espanhol e também uma música de Sakamoto (com vocais de Paez e Buarque), ele definiu como uma experiência “engraçada”: “Uma música composta por um japonês que lembrava Tom Jobim e cantada por um espanhol que parecia Chico Buarque, e era”.

Vencedor de três prêmios Grammy Latino, Fito estreou "Yo te Amo", o novo disco, num show único em Porto Alegre, no dia seis de dezembro. O título do disco não é por acaso: Fito está vivendo um novo amor, tem namorada nova, Julia, a quem dedicou Ojalá que Sea.

O cantor acaba de fazer 50 anos, e além de seguir sendo um dos maiores ídolos populares da Argentina, está em processo de olhar para o retrovisor e reexaminar a sua própria trajetória. Em nome desse esforço, acaba de estrear na literatura com o romance "La Puta Diabla" (editora Mansalva), uma história de amor “desbocado e suicida”. O livro foi lançado na Espanha e deve sair também na América do Norte pela Random House.

“O romance se passa em grande parte no Rio e Trancoso”, revela o roqueiro, que se vale de um alter ego no livro, o artista Félix Ure (nome escolhido em homenagem ao diretor de teatro Alberto Ure). Ele tem diversas propostas para lançar em outros países, mas nenhuma do Brasil ainda, o que o estimula a desafiar editoras.

Ter se tornado um cinquentão não é algo pelo qual se passa batido, diz Fito. “É uma loucura total. Mudou tudo. A minha maneira de ver o mundo mudou. Hoje, não faço tanto drama por algo que não vale a pena. Tudo é tão grave na juventude. E agora tenho filhos, responsabilidade. Há 20 anos, não tinha nada disso. Mas foi fundamental para entender o que é a existência humana. Ter filhos opera uma mudança brutal na vida. Mas eu sigo relaxado, sigo sendo apenas o que eu sou.”

A nova fase lhe permitiu ampliar o revisionismo pessoal. Ele tinha 19 anos quando estourou a Guerra das Malvinas, entre Argentina e Inglaterra, que deixou 255 mortos e centenas de feridos, a maioria muito jovens. Para esse período, ele compôs Canción del Soldado y Rosita Pazos. “É muito triste, épica. É a história de um soldado que vai à guerra e, quando volta, se enamora de Rosita, mas eles não podem levar adiante o seu amor porque ele está maluco”, contou.

“(A Guerra das Malvinas) foi horrível, um delírio alcoólico da cúpula militar. Inventaram a guerra para tentar salvar a ditadura, para salvar sua honra. Foi uma coisa monstruosa”, analisa Fito.

Por conta de sua ânsia de abarcar tanto o pleno quanto as lacunas de sua carreira, ele decidiu que o inédito Yo te Amo não seria o único disco deste ano. Lançou logo outros dois: El Sacríficio, uma recompilação de suas músicas “malditas” que não couberam nos discos, entre 1989 e 2013; e Dreaming Rosario, gravado ao longo de duas décadas.

Em tempos de internet, downloads e comércio digital de música, qual o sentido de gravar logo três discos num único ano? “Olha, para mim o álbum é um formato já habitual, como um livro. Não faço canções para ser contidas em um disco, faço canções o tempo todo. Só que algumas delas começam a organizar-se como um discurso, como se fossem mecanismos de uma mesma máquina. Aí nasce o álbum. Isso é algo que, para mim, vai além das mudanças tecnológicas, é uma necessidade como artista”, analisa.

Os temas são histórias de sua experiência, como a do menino de 17 anos que vai embora de casa, em Las Luces en la Ciudad. “Me inspirou a história do filho de um amigo, de 14 anos”, conta. Quando à política argentina, Fito parece não querer envolver-se muito. “É um país jovem, está se conhecendo. Vive coisas naturais de uma democracia jovem. O voto trata disso, de errar, acertar. Mais tarde, as sociedades vão definir se o governo funcionou ou não funcionou.”

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Fonte: AE







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