Porto Alegre, domingo, 26 de Outubro de 2014

  • 18/01/2014
  • 09:03

Arte de Ana Norogrando é destaque no Museu de Arte do RS

Exposição segue até o dia 23 de março

Exposição segue até 23 de março. A curadoria é de Gaudêncio Fidelis | Foto: Reprodução / CP

Exposição segue até 23 de março. A curadoria é de Gaudêncio Fidelis | Foto: Reprodução / CP

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  • Correio do Povo

Segue aberta à visitação, no Museu de Arte do RS (Praça da Alfândega, s/n) a exposição "Ana Norogrando: Obras 1968-2013". Esta é a primeira exposição retrospectiva da artista e é inovadora por que propõe uma leitura original da obra de Ana Norogrando, considerando outras abordagens de interpretação e enfatizando seu perfil ativista. Não por outra razão, ela atribui grande ênfase ao caráter feminista da obra da artista, resgatando seus mais diversos aspectos.

Sua obra revela-se por meio desta exposição a partir de uma leitura original e aponta sua relevância para o contexto da escultura no Estado. Esta determina ainda um espaço no âmbito da arte brasileira que pode-se considerar como sendo indispensável para entendermos o significado da produção de artistas mulheres. A exposição traz à visibilidade a sua produção de 1968 a 2013, acentuando sua inclinação para a arte têxtil e culminando em suas obras mais recentes, do ano em que se realiza esta retrospectiva. A extensa publicação que a acompanha assinala as diversas facetas de sua produção ao longo deste período, mostrando em detalhes a complexidade estética e conceitual que seu trabalho engendra.

Ao longo do tempo, a obra de Ana Norogrando foi abordada criticamente dentro dos parâmetros restritivos da 'tapeçaria' ou 'arte têxtil'. Restritos porque circunscritos às prerrogativas da linguagem que determinam a experiência de transformar as obras em limitadoras de requisitos que foram demarcados por aquela modalidade artística: tecer, invocar tramas, fiar, desfiar, construir planos, utilizar fibras, introduzir maleabilidade ao 'tecido' construtivo do trabalho.

Contudo, enquadrar a obra da artista de meados dos anos de 1980 para cá nos parâmetros limitados da tapeçaria seria adotar uma visão reducionista de sua obra e desconsiderar sua contribuição maior para a produção contemporânea. Com o desenvolvimento de sua obra em direção à figuração e ao abandono das tramas e tessituras, o contemporâneo passou a ser, para muitos críticos, a única categoria de definição passível de ser adotada. Esta exposição abre, assim, outras interpretações para sua obra e amplia consideravelmente o panorama de sua contribuição.


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