Porto Alegre, quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

  • 08/02/2014
  • 12:34
  • Atualização: 21:38

Woody Allen culpa Mia Farrow por acusações de abuso sexual contra filha

Diretor negou ter cometido qualquer crime contra Dylan Farrow

Woody Allen culpa Mia Farrow por acusações de abuso sexual contra filha  | Foto: Thomas Samson / AFP / CP

Woody Allen culpa Mia Farrow por acusações de abuso sexual contra filha | Foto: Thomas Samson / AFP / CP

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  • AFP

O diretor de cinema Woody Allen negou na sexta-feira as acusações de abuso sexual contra sua filha e acusou sua ex-mulher Mia Farrow de estar por trás do caso. Em uma carta de quase 2 mil palavras publicada no New York Times, jornal no qual sua filha Dylan Farrow havia detalhado na semana passada as acusações de abuso sexual, o diretor garantiu: "é claro que não abusei de Dylan".

Dylan foi adotada pelo diretor e por Mia Farrow durante seu relacionamento de 12 anos. "Eu a amava e espero que um dia ela entenda que teve um pai amoroso e que foi explorada por uma mãe mais interessada em sua própria raiva purulenta do que no bem-estar de sua filha", escreveu Allen em tom de desabafo. O diretor também comentou que Ronan Farrow poderia ser filho de Frank Sinatra, e não seu.

"Admito que se parece com Frank, com seus olhos azuis e expressões faciais, e, se isso for verdade, o que quer dizer? Que durante o julgamento pela custódia das crianças Mia mentiu sob juramento e falsamente apresentou Ronan como nosso filho", questionou. "E, mesmo que não seja filho de Frank, a possibilidade de que poderia ser, como ela mesma admitiu, só mostra que ela tinha uma relação íntima com ele enquanto estávamos juntos. Sem mencionar todo o dinheiro que paguei durante todos esses anos de pensão. Estive sustentando o filho de Frank?", continuou. Allen explicou que se referia a este assunto "para colocar em questão a integridade e a honestidade de uma pessoa que conduz a sua vida desta maneira", em referência à Mia Farrow.

Em uma carta publicada no blog do New York Times, Dylan Farrow, de 28 anos, afirmou no sábado passado que sofreu abuso do pai adotivo na casa da família com apenas sete anos de idade. Ela detalhou como "Allen me pegou pela mão e me levou a um pequeno espaço mal iluminado do segundo andar de nossa casa. Ele disse para que eu deitasse com o estômago para baixo e brincasse com um trem elétrico do meu irmão. Então ele me agrediu sexualmente".

As acusações começaram em 1992, quando Mia Farrow acusou Woody Allen de ter agredido Dylan. As denúncias foram apresentadas no momento em que a atriz estava em uma disputa intensa com o cineasta depois de ter descoberto que ele mantinha um relacionamento com outra filha, Soon-Yi Previn, que Mia havia adotado com um ex-companheiro. Na época, a jovem tinha 20 anos e em 1997 ela se casou com Allen, com quem está até hoje e tem dois filhos adotivos.

Uma investigação sobre as acusações foi aberta em Connecticut (estado onde a família vivia). Um promotor considerou que havia "razões suficientes" para processar Allen, mas se recusou por considerar que a jovem era "frágil demais", uma decisão que rendeu muitas páginas nos jornais. "Poderia ser mais claro? Allen não abusou de Dylan, que aos sete anos era uma criança vulnerável e nervosa e que foi influenciada por Mia Farrow. Esta conclusão decepcionou algumas pessoas", escreveu Allen, referindo-se a si mesmo em terceira pessoa.

Dylan Farrow acusou Hollywood de fazer vista grossa aos alegados crimes de Allen e de celebrar a carreira de cinco décadas do diretor, que inclui mais de 40 filmes, 24 indicações ao Oscar (três deles para o seu mais recente trabalho, "Blue Jasmine"), quatro Oscars e vários outros prêmios. Allen foi homenageado recentemente, na última cerimônia do Globo de Ouro. A agente de Allen já havia descrito o texto de Dylan Farrow como "falso e vergonhoso". Allen disse que a carta é "sua última palavra" sobre o assunto.


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