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23/02/2014 16:36 - Atualizado em 23/02/2014 16:42

Ator Arduino Colasanti morre aos 78 anos

Galã do Cinema Novo foi preferido do cineasta Nelson Pereira dos Santos

Arduíno morreu neste sábado, aos 78 anos<br /><b>Crédito: </b> Youtube / Reprodução CP
Arduíno morreu neste sábado, aos 78 anos
Crédito: Youtube / Reprodução CP
Arduíno morreu neste sábado, aos 78 anos
Crédito: Youtube / Reprodução CP

Galã do Cinema Novo, ator preferido do cineasta Nelson Pereira dos Santos na segunda metade dos anos 60 e início dos 70, precursor do surfe no Brasil, pioneiro do mergulho submarino, namorado de estrelas como Leila Diniz e Sônia Braga, o ator Arduino Colasanti, italiano de nascimento, niteroiense de coração, morreu nesse sábado aos 78 anos, vítima de problemas cardíacos e pulmonares.

Arduino estava internado desde o último dia 13 no Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói, cidade litorânea na região metropolitana do Rio onde morava havia quatro décadas. Anteontem, hospitalizado ainda, seu coração parou de bater. O quadro de saúde piorara na quarta-feira, quando uma infecção hospitalar foi diagnostica. Debilitado, não pode passar pela cirurgia de cateterismo na sexta-feira, como estava previsto.

O enterro está marcado para segunda-feira, no Cemitério Parque da Colina, em Niterói. Amigos e parentes planejam homenageá-lo na praia do Arpoador (zona sul do Rio) na próxima quarta-feira. Ele deixa quatro filhos (Ricardo, Roberto, Rodrigo e Daniela), de cinco casamentos.

No Arpoador, Arduino pegou suas primeiras ondas e criou um pranchão confeccionado, de modo inovador, com fibra de vidro e resina. Mas foi a enseada de Jururuba, humilde colônia de pescadores em Niterói, o seu reduto preferido. De lá, saia de barco para os mergulhos na costa fluminense, que tanto amava.

Arduino participou de cerca de 40 filmes, sendo protagonista em títulos de Nelson Pereira dos Santos, como "El Justicero", "Fome de Viver" e, sobretudo, "Como era Gostoso Meu Francês", em que passava o tempo completamente nu. Teria sido o primeiro nu frontal masculino do cinema brasileiro.

A chegada dos Colasanti ao Brasil ocorreu após a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), onde o patriarca Manfredo, também ator, lutara. Com Arduino (nascido em Livorno), que tinha 11anos, veio a irmã, a hoje escritora Marina Colasanti.  A partir do final da década de 70, suas aparições na tela passaram a ser eventuais. Foi quando passou a dedicar-se integralmente aos mergulhos. Chegou a trabalhar para a Petrobrás e outras empresas petroleiras como observador das instalações submarinas de plataformas e equipamentos do setor.

Em sua página no Facebook, a atriz Ana Maria Magalhãe escreveu longo texto sobre o amigo. "O sol continuará a se levantar e a se deitar no Arpoador sem saber que o planeta perdeu o desbravador e explorador dos mares cariocas, das Cagarras à Lage do Arduino, e uma das pessoas mais lindas por dentro e por fora que viveu no Brasil. Suas mãos grandes desenhavam gestos sutis e delicados próprios da alma gentil que habitava o corpo perfeito, enfeitado pelos cabelos louros, os olhos azuis e compassivos, os belos lábios, a pele curtida de sol que de tão íntima do mar se assemelhava à dos peixes, como disse Vinicius de Moraes, numa viagem de barco durante as filmagens de Garota de Ipanema. Aos 12 anos eu ia até o Arpoador vê-lo pegar ondas sem suspeitar que seria meu amigo, irmão e companheiro de filmagens. Lembro de nossas caminhadas ao set de filmagem em "Azyllo muito louco" (também de Pereira dos Santos), o quanto nos divertíamos nas nossas cenas em "Como era Gostoso o meu Francês", e do casal que formamos em "Mãos Vazias", em que sua linda filhota ruiva, Daniela, fazia o papel de nossa filha", relatou a atriz.

Também no Facebook, o filho Ricardo Colasanti escreveu mensagem emocionada. "Hoje eu perco meu pai, meu ídolo e a pessoa que eu mais aprendi a admirar, confiar, me inspirar... Infelizmente o coração do meu pai não suportou... Ganhei um anjo e uma estrela lá no céu que vai estar sempre brilhando e olhando por mim! Ti amo, ti voglio bene papa." A ex-namorada Sônia Braga também lembrou Arduino nas redes sociais. "Nos conhecemos, no filme 'Mestiça, a Escrava Indomável'. Ele me levou para o Rio de Janeiro, moramos na casa da vila, nº 9. Viajamos para Paraty (cidade no litoral sul fluminense) e moramos no veleiro "Gaivota" por um tempo na Urca (zona sul do Rio). Vai em paz Arduino!" Grande amigo, o cineasta Luiz Carlos Lacerda definiu Arduino como "um príncipe submarino que habitava as mais nobres profundezas onde um ser humano pode mergulhar" que "nunca teve consciência do poder de sua presença".

Nos últimos anos, problemas de saúde obrigaram Arduino a diminuir os mergulhos. As idas ao Rio, sempre sentado ao lado dos janelões da barca velha que ligava Niterói à capital, passaram a rarear também. Ninguém demonstrava conhecer o senhor de barba branca, vestido despojadamente, sempre com uma bolsa ou mochila. Quieto, passava a viagem de quase meia-hora alternando a apreciação da paisagem, sempre do lado voltado para a boca da Baía de Guanabara (Pão de Açúcar de um lado; Fortaleza de Santa Cruz, do outro), com leitura de jornais e revistas.

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Fonte: AE





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