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23/02/2014 19:50 - Atualizado em 23/02/2014 19:58

Espetáculo "Corteo" chega a Porto Alegre em março

Catarinense atingiu auge da carreira no Cirque du Soleil

Marcelo Perna tem 30 anos de carreira
Crédito: Luiz Gonzaga Lopes / Especial / CP

Um palco em 360 graus, no qual um palhaço sonha com a sua morte e funeral, acrobatas brincam em camas, se penduram em candelabros e o espectador é convidado a olhar para cima, a um mundo de sonhos, a um cortejo. Este é “Corteo”, espetáculo do Cirque du Soleil, concebido pelo suíço-italiano Daniele Finzi Pasca em 2005, que chega a Porto Alegre dia 7 de março, em área junto ao Bourbon Shopping Wallig, após passar por cinco capitais brasileiras - São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Rio de Janeiro. Ingressos na bilheteria do Bourbon Wallig, com informações e vendas pelos sites www.corteobrasil.com.br e www.ticketsforfun.com.br. O espetáculo já foi assistido por mais de 7 milhões de pessoas desde a sua estreia em Montreal, no Canadá, em 2005.

Este desfile alegre e festivo com duas horas de duração e intervalo de meia hora é na definição do diretor artístico Bruce Mather a história da vida de um palhaço, na Itália mediterrânea dos anos 1800. “É o nosso maior trabalho e mais próximo do circo tradicional. O espetáculo é realmente grande, pois transforma em mágica este sonho do palhaço Mauro, com candelabros, infláveis, teatro de bonecos e marionetes”, explica. Bruce ressalta que o espetáculo não é estanque que está sempre aberto ao improviso. “No número da escada acrobática, o anjo deixa cair uma flor e o acrobata pega e a devolve. Isto não estava no número, mas o público gostou e acabamos incluindo”, revela Mather. Entre os números aéreos de tirar o fôlego, com voos de até 12 metros de altura estão Teeterboard, Thighwire, Paradise e Tournik, que levam a níveis até então não pensados técnicas de trampolim, corda bamba, trapézio e barras fixas.

Além do protagonista, o palhaço Mauro (Mauro Mozzani), outros três atores do núcleo principal remanescem da montagem de 2005, os anões armênios Valentina e Grigor Pahlevanyan, além do Mestre de Cerimônias e Assobiador, Sean Lomax, e o gigante argentino Vitorino Lujan. Do grupo de artistas de Corteo, cinco são brasileiros, um deles é o artista catarinense de Florianópolis, Marcelo Perna, de 45 anos, que é o palhaço Branco (veja entrevista exclusiva no site); além do catarinense de Itajaí, Fábio Luis Santos; de Romina Aurich e Ana Luiza Rehder, de números aéreos como o Chandeliers (Candelabros) e Camila Comin, esta última afastada para tratar de lesão.

O baixista do Cirque, Nathan Lerohl, confessa gostar de estar nesta trupe pela possibilidade de criar sonho com a música e de improviso. "O trabalho dos músicos segura a tensão e a expectativa do que acontece no palco. Em Corteo, nós temos a oportunidade de participar muito ativamente, pois ele tem números e passagens que são muito musicais como o próprio cortejo para Mauro", revela Nathan, que fã de samba, bossa nova e forró, e na temporada do grupo no Rio de Janeiro, entre dezembro e fevereiro, aprendeu muitas coisas junto com outros músicos do circo quando foi para locais de música latente como a Lapa ou no ensaio da escola de samba Salgueiro. "Convido o público de Porto Alegre para assistir a este cortejo, a este espetáculo Corteo, pois será uma rara oportunidade de soltar a imaginação e sonhar”, finaliza.

Com 30 anos de carreira, Marcelo Perna alcança auge no Cirque

Catarinense de Florianópolis, com 45 anos de idade e 30 anos de carreira em atuação e torcedor do Avaí. Com todas essas prerrogativas, Marcelo Perna, jamais imaginava que integraria a turnê brasileira de "Corteo", sendo o palhaço Branco e ainda o substituto do protagonista, o palhaço Mauro (Mauro Mozzani) pelo menos uma vez por semana. Em entrevista exclusiva ao Correio do Povo, Marcelo fala sobre como chegou ao Cirque, o profissionalismo da trupe e um pouco de sua trajetória.

Correio do Povo - Como você define o espetáculo Corteo?
Marcelo Perna - Eu vejo Corteo com um tributo aos palhaços em geral, a partir de um palhaço que tem uma nostalgia, que sonha com o seu funeral, revê o passado, seus amores, com a trama se passando na Itália do final dos anos 1800. É o mais teatral, que trabalha com texto articulado, e maior espetáculo do Cirque. É um show que envolve a plateia de maneira lírica, poética, lúdica. Todos se identificam com o palhaço Mauro. Todos têm um pouco dele, na equipe e também na plateia.

CP - Como foi que entraste para o Cirque du Soleil?
Marcelo - Eu ralei muito no teatro, me formei em artes cênicas na Udesc, em Floripa, fui um dos fundadores da escola de samba União da Ilha da Magia, tive bandas e trabalhei em muitos grupos. Nos últimos quatro anos, trabalhei em navios como ator e assistente de diretor de cruzeiro. Lá conheci um integrante da equipe do Cirque du Soleil que me disse que estava aberta a audição para um palhaço. Eu preparei o material improvisando duas cenas do show, já como se eu fosse o Mauro. A cena da cama quando ele recebe as asas e a cena da boneca como marionete. Demorei para mandar o vídeo e recebi a resposta positiva em janeiro de 2013. Fui para Hamburgo fazer alguns treinos com a trupe do Corteo e depois para Montreal treinar sete semanas na média de oito horas por dia. Depois, estreei como o palhaço Branco no meio da turnê brasileira. Corteo foi o meu primeiro trabalho de palhaço.

CP - Descreva um pouco o teu personagem, o palhaço Branco.
Marcelo - O Branco é o palhaço artista, o esnobe, é fino, tem maneirismo, o figurino dele é cravejado de cristais Swarovski. Eu sempre fiz o Mané, que é o clown da cultura açoriana, mas fui estudar alguns teóricos e as técnicas de clown. O palhaço Branco não tem texto, mas teu um grau de dificuldade e expressividade altos. Quando passo pela corda-bamba de cabeça para baixo segurando o castiçal preciso de uma técnica apurada. Quando sou o backup, o substituto do Mauro, eu posso exercitar as técnicas do palhaço que fui aprendendo nos teóricos e com o pessoal da direção artística do Cirque. O personagem do Mauro está sempre muito vivo em mim.

CP - O que mudou na tua vida após a entrada para o Cirque?
Marcelo Perna - Praticamente tudo. Completo 30 anos de carreira em abril, mas jamais participei de um grupo tão profissional e com um senso de coletividade tão desenvolvido. É uma grande família. Nos tempos de miséria, de dificuldades com grupos teatrais em Santa Catarina, a gente fazia tudo numa produção, aqui no Cirque eu só me preocupo em atuar, todo o resto alimentação, transporte, hospedagem para familiares, tudo é profissional nesta engrenagem perfeita. Aqui não há estrelas. Existem tipos diferentes, muita gente do Leste Europeu, da Ucrânia, Rússia e todos convivem e se respeitam. Aqui eu sou 100% feliz.

CP - Tu disseste que tem um homônimo no Rio Grande do Sul. Conta como é isto?
Marcelo - Eu tinha uma banda de rock lá em Florianópolis e fui ao show do Taranatiriça numa casa chamada Baturité. O meu nome artístico era Marcelo Perna e quando o Alemão Ronaldo foi anunciar os integrantes da banda durante o show ele chamou o guitarrista o Marcelo Truda, como Marcelo Perna, que é o sobrenome dele. Fui falar com ele no camarim para falar desta coincidência e desde então passei a ser fã da banda (que se reuniu novamente no Bar Opinião em 2012). Mas eu não mudei o nome artístico.


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Fonte: Luiz Gonzaga Lopes / Correio do Povo






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