Porto Alegre, domingo, 26 de Outubro de 2014

  • 04/03/2014
  • 17:11
  • Atualização: 17:43

Salgueiro e Portela foram as preferidas do público na Sapucaí

Portela pode levar vantagem na disputa por ter feito um desfile sem contratempos

Escola não vence um Carnaval há 30 anos | Foto: Agência Brasil / Divulgação / CP

Escola não vence um Carnaval há 30 anos | Foto: Agência Brasil / Divulgação / CP

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Salgueiro e Portela deixaram a Passarela do Samba aclamadas pelo público aos gritos de "é campeã". São realmente fortes candidatas ao título do Grupo Especial do carnaval do Rio de 2014. Outras possíveis vencedoras são a
Unidos da Tijuca, que encerrou a festa ao amanhecer desta terça-feira, 04, sem brilho, mas com um desfile correto, e a Beija-Flor de Nilópolis, que passou pelo Sambódromo na madrugada de segunda com exuberância para contar a história do comunicador José Bonifácio Oliveira Sobrinho (Boni), ex-superintendente da TV Globo.

A Portela pode levar vantagem na disputa por ter feito um desfile sem contratempos. O Salgueiro emocionou a arquibancada, mas deve perder pontos em conjunto e evolução devido a problemas com carros alegóricos. Já a Unidos da Tijuca não apresentou as surpresas que caracterizam o trabalho de seu carnavalesco, Paulo Barros. A Beija-Flor empolgou com um desfile cheio de artistas de televisão e fantasias exuberantes, mas sofreu um contratempo que pode lhe custar pontos. No fim do desfile, um destaque no alto de um carro alegórico perdeu parte da fantasia ao se chocar com a torre de TV.

Desfiles
Escola de Madureira que busca um título após 30 anos, a Portela elaborou um enredo sobre a Avenida Rio Branco,
localizada no centro do Rio, seu entorno e as mudanças pelas quais a região passou nos últimos séculos.

Uma escultura de 18 metros, simbolizando um gigante adormecido que acordou - referência às manifestações de rua, de junho de 2013, que tiveram a Rio Branco como um de seus palcos -, foi a maior novidade da escola. Jamais uma alegoria tão grande havia passado pelo sambódromo do Rio. O público gostou da inovação e também do carro abre-alas com 21 águias - a ave é o símbolo da Portela.

A Unidos da Tijuca homenageou o piloto Ayrton Senna, 20 anos após sua morte. O último carro representava o pódio e lançava jatos d'água em direção ao público numa referência à champagne derramada pelos campeões de corrida.

A escola, que encerrou a festa pouco depois das 5 h de ontem, não levou para a Sapucaí suas tradicionais inovações tecnológicas. Como em outros anos, o carnavalesco Paulo Barros usou alegorias humanas nos carros da escola.

Entre as grandes, a Mangueira não correspondeu à expectativa criada com a troca em seu comando, em abril do ano passado. A Verde e Rosa cometeu no primeiro dia de desfiles o mesmo erro do carnaval de 2013 e levou para a Marquês de Sapucaí um carro alto demais, que teve problemas para passar por baixo da torre de TV. Com isso, uma alegoria foi bastante danificada em frente a uma cabine de julgadores. Erro repetido ontem pela Imperatriz, o que vai lhe custar pontos em quesitos como conjunto e evolução.

Acostumada a fazer desfiles tecnicamente perfeitos, a Imperatriz Leopoldinense desfilou antes da Portela e da Unidos da Tijuca e também falhou na condução de seus carros alegóricos. A escola contou a história do ex-jogador Zico e proporcionou bons momentos no Sambódromo. O destaque foi a comissão de frente, com 15 meninos lembrando o início da carreira do ex-craque de futebol.

Um campo de totó (pebolim) humano também recebeu muitos aplausos. A Imperatriz reuniu no desfile nomes importantes do esporte, como os ex-jogadores Roberto Dinamite, Rivellino, Júnior, Deco e Edu, irmão do Galinho de Quintino. Predominante nas arquibancadas, torcedores do Flamengo, clube pelo qual Zico se consagrou, ajudaram a 'empurrar' a escola.

Decepção
Atual campeã do carnaval carioca, a Vila Isabel foi a grande decepção da segunda noite de desfiles na Sapucaí, com carros alegóricos inacabados e alas com fantasias incompletas. A apresentadora Sabrina Sato, rainha de bateria da escola, recebeu sua fantasia minutos antes do início da exibição. Um motoboy precisou buscar as últimas peças e entregá-las no camarote onde Sabrina aguardava, apreensiva. Ela não foi a única.

Logo na primeira ala, parte dos componentes estava sem adereços de cabeça, o que deve resultar em perda de pontos, O enredo "Retratos de um Brasil Plural" foi contado com carros, onde se via pouco luxo e muito uso de materiais baratos. A desorganização era previsível porque, após o título no carnaval passado, houve um desmonte que incluiu a saída da carnavalesca Rosa Magalhães e de vários outros líderes.

Antes da Vila, no segundo dia, desfilaram Mocidade Independente e União da Ilha. Com apresentação leve, que falava de brinquedos e remetia à infância, a Ilha agradou ao público do Sambódromo, que aplaudiu a criatividade das alegorias simples e de fácil compreensão.

Na comissão de frente, dois integrantes da escola, fantasiados de bailarina e soldadinho de chumbo, presos por varas flexíveis, que envergavam sobre as frisas, encantaram o público: pareciam flutuar.

Primeira a entrar na Sapucaí no segundo dia, a Mocidade prestou uma homenagem dupla: ao carnavalesco Fernando Pinto, responsável por carnavais da escola entre 1980 até sua morte, em 1987, e ao Estado de Pernambuco, onde nasceu. Pinto fez história no carnaval do fim do século 20. O futurista "Ziriguidum 2001, um carnaval nas estrelas", campeão em 1985, é considerado sua obra-prima.

O carnavalesco Paulo Menezes tentou, porém não conseguiu reproduzir a emoção dos carnavais históricos da escola. A releitura de "Ziriguidum", que tinha como mote a conquista do espaço sideral, na comissão de frente e no abre-alas foi, de certo modo, o contrário da versão original, vanguardista e surpreendente. Os discos voadores aos olhos de 2014 pareciam retrô. (Colaboraram Roberta Pennafort, Thaise Constancio, Mariana Sallowicz, Fabio Grelle e Felipe Werneck)

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