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05/04/2014 10:46 - Atualizado em 05/04/2014 10:48

Benito di Paula faz única apresentação em Porto Alegre

Cantor toca canções do seu primeiro DVD a partir das 21h, no Araújo Vianna

Benito di Paula se aprenseta hoje, no Araújo Vianna<br /><b>Crédito: </b> Washington Possato / Divulgação / CP Memória
Benito di Paula se aprenseta hoje, no Araújo Vianna
Crédito: Washington Possato / Divulgação / CP Memória
Benito di Paula se aprenseta hoje, no Araújo Vianna
Crédito: Washington Possato / Divulgação / CP Memória

É impossível falar na música brasileira dos anos 70 sem citar Benito di Paula. Pois o ícone setentista e agora já passado dos 70 de idade volta a Porto Alegre para única apresentação neste sábado, a partir das 21h, no palco do Araújo Vianna (avenida Osvaldo Aranha, 685). Benito esteve na Capital em julho do ano passado e vem mais uma vez mostrar o registro histórico de seu primeiro DVD gravado ao vivo, lançado pela gravadora EMI em 2009 e que continua repercutindo.

Nascido Uday Velloso, o sujeito mirrado, invariavelmente de casaca bem cortada, cordão de ouro e brinco na orelha, agigantou-se como Benito, em seu jeito único de tocar piano e pelas incursões latinas que fez com o samba. Autodidata, Benito começou a carreira como muitos de sua geração, sendo crooner na noite carioca. Após radicar-se em São Paulo, lançou seu primeiro disco em 1971 e, em plena ditadura, exaltou o seu "sambão joia" com músicas como "Apesar de Você" (Chico Buarque), "A Tonga da Mironga do Kabuletê" (Vinicius/Toquinho) e "Azul da Cor do Mar" (Tim Maia). Aliás, sobre o assunto ditadura, Benito certa vez respondeu a um questionamento curioso, se teria ou não escrito músicas exaltando o regime militar. A resposta foi precisa: "Olha só. Eu fiz 'Tudo Está no Seu Lugar, Graças a Deus' numa época muito difícil, porque ninguém venha me dizer que a época da ditadura era fácil. Ainda mais pra mim, que trabalhava à noite, tinha cabelo comprido, tinha de andar de madrugada. Toda hora era chamado pra dizer aonde ia, o que foi, o que aconteceu. O Ziraldo chegou pra mim e disse que quando ele fazia um trabalho e ficava pronto ele falava: 'Tudo está no seu lugar, graças a Deus'. Confundir isso com uma música pra ditadura? Tá maluco? Não tem sentido alguém fazer uma música pra ditadura, certo?".

O trabalho ao vivo, como não poderia deixar de ser, reúne seus grandes sucessos, pinçados dos 35 discos que lançou. Gravado numa noite de gala em sua Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Benito também traz três novas canções: "Unidos de Tom Jobim", homenagem ao compositor, além de "Pagode da Cigana" e do samba romântico "Quero Ser Seu Amigo". Mas é em canções como "Tudo Está no Seu Lugar", "Mulher Brasileira", "Charlie Brown", "Ah! Como Eu Amei" e a icônica "Retalhos de Cetim" que Benito abre o sorriso e se certifica que, apesar do tempo, das muitas mudanças da música brasileira, do mercado e da forma como se consome música hoje, sua obra ainda tem um grande significado. E os shows têm aquele tom familiar. Ali na banda, está, desde 1976, seu irmão Ney Vellozo, e, no DVD, a participação do filho Rodrigo. Para quem for conferir o DVD, atente para os extras, com momentos emocionados dos bastidores e uma frase que bem resume Benito: "Não sou sambista, sou sambeiro; não sou pianista, sou pianeiro; não sou brasilista, sou brasileiro".

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Fonte: Daniel Soares / Correio do Povo






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