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13/04/2014 17:33 - Atualizado em 13/04/2014 17:39

Escritores avaliam que romance está vivo mesmo na internet

Rapidez de acesso não tirou grandes livros do topo nas vendas, relatam

A dinâmica dos links, vídeos, imagens, textos e comentários da internet leva a cogitações na sociedade atual de que, cada vez mais, ocorrerá uma perda de interesse no conteúdo aprofundado. Para diversos autores presentes na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, essa realidade ainda está longe. Participaram da discussão Alexandre Marino, Daniel Galera, Joca Terron e André Giusti.

"A literatura evoluiu segundo critérios que já existiam. A lista de livros mais vendidos é semelhante à que era antes da internet. Os romances ainda estão lá. Os livros com mais de 500 páginas ainda são best sellers", pondera o escritor e tradutor Daniel Galera. Para Galera, a internet é uma ferramenta necessária à literatura, faz parte da escrita como faz parte de qualquer outro trabalho. Prova disso é que os títulos lançados atualmente tem a versão digital também à venda nas livrarias. "O que mudou foi o suporte, mas não a literatura".

O escritor conta que, quando começou a escrever, a internet ainda estava em evolução. Como não havia publicadores, blogs ou redes sociais, usava o e-mail para veicular uma revista distribuída a 1,5 mil assinantes. Muito do que foi produzido naquela época, ele diz que ajudou a compor o primeiro livro, "Dentes Guardados", lançado em 2001.

Já Alexandre Marino, que pertence à geração anterior à internet, quando publicar era luxo e passar pela censura da ditadura, uma batalha, acredita que a internet não vai acabar nem mesmo com os livros de papel. "Com a internet, ganhou-se alcance, mas com ela veio também uma tecnologia que facilitou a impressão de livros", diz.

Nenhum dos autores sabe prever por quais mudanças a literatura ainda vai passar, mas dentre as que já passou, André Giusti destaca a troca com os leitores, os comentários, a facilidade de divulgação. Poeta e usuário da internet, ele utiliza o blog e as redes sociais para publicar. "Recentemente, em um dia, tive mais de 60 curtidas no Facebook em um poema. Quando, com um livro, teria mais de 60 leitores em um dia?", questiona.

Joca Terron, poeta, prosador, artista gráfico e editor brasileiro, valoriza as facilidades da internet, mas diz que é preciso cautela. "Para mim, a internet é a perfeição atingida do que é literatura: processo coletivo", diz. E explica que a internet traz também a ilusão de que se é lido em um ambiente onde "todo mundo fala e pouquíssima gente escuta". O escritor passa a ser mais um perfil na internet em busca de um clique "curtir" dos leitores.

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Fonte: Agência Brasil






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