Porto Alegre, segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

  • 18/04/2014
  • 08:27
  • Atualização: 08:35

Corpo de Garcia Márquez será cremado, diz jornal

Escritor e jornalista será homenageado na próxima semana

Corpo de Garcia Márquez será cremado, diz jornal  | Foto: Yuri Cortez / AFP / CP

Corpo de Garcia Márquez será cremado, diz jornal | Foto: Yuri Cortez / AFP / CP

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O corpo do escritor Gabriel García Marquez será cremado, segundo o jornal Diário do México. O jornalista, morto nessa quinta-feira aos 87 anos faleceu na Cidade do México, onde vivia. Na semana passada, o autor foi internado em função de problemas respiratórios, mas havia recebido alta e voltado para casa, junto dos familiares. El Gabo era casado com Mercedes Barcha Pardo desde 1958. Eles tiveram dois filhos: Rodrigo, que nasceu em 1959, e Gonzalo, nascido em 1962.

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A cremação do corpo de García Marquez ocorrerá em uma cerimônia privada e não terá ato fúnebre, segundo a diretora-geral do Instituto Nacional de Belas Artes, María Cristian García Cepeda. María confirmou que uma homenagem ao escritor será feita na próxima segunda-feira no Palácio de Belas Artes, a partir das 16h, horário local.

Gabriel García Márquez, nasceu em 6 de março de 1927, na cidade de Aracataca, Colômbia. Seus avós maternos exerceram forte influência nas histórias do autor. Um exemplo são os personagens de "Cem Anos de Solidão".

Em 1948, vai para Cartagena das Índias, Colômbia, e começa seu trabalho como jornalista no jornal El Universal. Um ano depois, vai para Barranquilha e trabalha como repórter para o jornal El Heraldo. Neste mesmo período participa de um grupo de escritores para estimular a literatura. Em 1954, passa a atuar no El Espectador como repórter e crítico.

Em 1958, trabalha como correspondente internacional na Europa, retorna a Barranquilha e casa-se com Mercedes Barcha. O primeiro romance de Gabo foi "La Hojarasca", de 1955. Em 1961, publicou "Ninguém escreve ao coronel". Já a obra "Relato de um náufrago" conta a história verídica do naufrágio de Luis Alejandro Velasco e foi publicado primeiramente no "El Espectador", somente sendo publicada em formato de livro anos depois.

Cem Anos de Solidão

Em 1967, publica "Cem Anos de Solidão", livro que narra a história da família Buendía na cidade fictícia de Macondo, desde sua fundação até a sétima geração. A obra livro foi considerada um marco da literatura latino-americana. Suas novelas e histórias curtas - fusões entre a realidade e a fantasia - o levaram ao Nobel de Literatura em 1982, pelo conjunto da obra.

Seu último livro foi "Memórias de Minhas Putas Tristes", escrito em 2004. Depois disso, lançou uma reunião de crônicas em "Obra Jornalística 5". Em 2009 declarou que havia se aposentado e não tinha mais intenção de escrever livros.

O escritor colombiano Gabriel García Márquez, falecido nesta quinta-feira, foi o mais conhecido e lido autor do realismo mágico latino-americano, a corrente que no século XX sacudiu a literatura em espanhol.

Nascido em 6 de março de 1927 no povoado de Aracataca, na zona do Caribe da Colômbia, García Márquez deixou uma extensa lista de contos e romances, tendo como obra-prima "Cem anos de solidão" (1967). Ambientado na mítica aldeia de Macondo, "Cem anos de solidão" foi escrito em dias extenuantes na Cidade do México, onde sua família acumulava dívidas. Para enviar o original datilografado à Argentina, o escritor precisou penhorar até mesmo seu aquecedor elétrico, revelou seu biógrafo Gerald Martin.

Prêmio Nobel chega em 82

Mas a recompensa chegou em 1972, quando recebeu pela obra o Prêmio Latino-Americano de Romance Rómulo Gallegos. Em 1982, foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura e é lembrado por ter ido à cerimônia em Estocolmo vestido de liqui-liqui, o tradicional traje caribenho.

Na época, em um discurso de intenso conteúdo político, definiu suas narrativas como "uma realidade que não é a do papel, mas que vive conosco e determina cada instante de nossas incontáveis mortes todos os dias, e que nutre uma fonte de criatividade insaciável, cheia de tristeza e beleza, da qual este errante e nostálgico colombiano não passa de mais um, escolhido pelo acaso".

Informal, amistoso e brincalhão, Gabo, como é carinhosamente chamado por seus amigos e leitores, foi criado com seus avós maternos Nicolás Márquez, um veterano da Guerra dos Mil Dias, e Tranquilina Iguarán, que o encheu de histórias fantásticas.

Amizade com Fidel

Embora sua vida tenha sido marcada pela literatura e pelo jornalismo - entre suas frases mais famosas figuram "escrevo para que meus amigos me amem ainda mais" e "o jornalismo é a melhor profissão do mundo" -, García Márquez esteve sempre próximo da política.

Amigo de Fidel Castro, de Omar Torrijos e de Bill Clinton, defendeu a revolução cubana e a sandinista, defendeu os exilados das ditaduras do Cone Sul e foi membro do Tribunal Bertrand Russell contra crimes de guerra.

García Márquez esteve em Cuba como jornalista pela primeira vez em janeiro de 1959, às vésperas da revolução, e foi correspondente da agência cubana Prensa Latina em Bogotá, nesse mesmo ano, e em Nova York, em 1960.

Sua amizade com Fidel começou em meados dos anos 1970 e lhe valeu as críticas de muitos intelectuais. Mas o colombiano nunca escondeu sua admiração pelo líder cubano, a quem visitou até 2008 na ilha.

"Nossa amizade foi fruto de uma relação cultivada durante muitos anos, na qual o número de conversas, sempre amenas, para mim, somaram centenas", comentou Castro naquela ocasião.

García Márquez saiu da Colômbia em 1954, quando sua crônica no jornal "El Espectador" sobre um naufrágio, publicada anos mais tarde como "Relato de um náufrago", irritou o regime do general Gustavo Rojas Pinilla e os diretores do jornal decidiram enviá-lo para a Europa.

Viajou então para Genebra, Roma e Paris, onde concebeu e concluiu "Ninguém escreve ao coronel", em um apartamento do Quartier Latin. Em 1961, junto com sua mulher Mercedes Barcha, chegou à Cidade do México, onde viveu a maior parte de sua vida. Na capital mexicana, tornou-se amigo do escritor mexicano Carlos Fuentes, seu parceiro na escrita de vários roteiros para cinema que não tiveram sucesso.

Depois da publicação de "Cem anos de solidão", mudou-se para Barcelona (Espanha), onde conheceu o peruano, também Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa. Os dois tiveram uma importante amizade desfeita abruptamente em 1976, com uma briga que os distanciou não apenas no campo pessoal, mas também nas posições políticas.

Os motivos desse incidente foram alvo de especulação por quase 40 anos, mas nenhum dos dois chegou a esclarecer o que ocorreu. "Vamos deixar esta pergunta sem resposta. É um acordo que García Márquez e eu temos. Vamos deixar para que nossos biógrafos, se os merecermos, investiguem a questão", declarou em 2012 o Nobel peruano.

Nos últimos anos, García Márquez esteve afastado da vida pública, devido ao seu estado de saúde. Seu último romance publicado foi "Memórias de minhas putas tristes", em 2004.

Além de sua riquíssima obra literária, deixou como legado a Fundação do Novo Jornalismo em Cartagena (Colômbia) e a Escola de Cinema de San Antonio de los Baños (Cuba).


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