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18/04/2014 23:34 - Atualizado em 19/04/2014 09:38

Corpo de García Marquez já foi cremado, confirma embaixador

Família ainda não informou o local em que as cinzas serão depositadas

Corpo de Gabriel García Marquez já foi cremado, confirmou embaixador <br /><b>Crédito: </b> Ivan Garcia / AFP / CP
Corpo de Gabriel García Marquez já foi cremado, confirmou embaixador
Crédito: Ivan Garcia / AFP / CP
Corpo de Gabriel García Marquez já foi cremado, confirmou embaixador
Crédito: Ivan Garcia / AFP / CP

O corpo de Gabriel García Marquez, morto aos 87 anos nesta quinta-feira, já foi cremado, confirmou o embaixador colombiano no México, José Gabriel Ortiz. "Eles estão com as cinzas (...), estão tomando a decisão sobre se vão levá-las para a Colômbia", disse Ortiz após visitar a viúva e os filhos de García Márquez. Ainda não foi decidido se os restos mortais serão divididos entre México e Colômbia ou se descansarão em apenas um local.

Ortiz revelou que o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, chegará na segunda-feira, às 14h, na capital mexicana, para a última homenagem a García Márquez. Assim que desembarcar no México, Santos visitará a casa do escritor para cumprimentar sua viúva, Mercedes Barcha, antes de seguir para o Palácio de Bellas Artes, onde o escritor será homenageado. Durante a cerimônia, Santos formará a guarda de honra junto ao presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, assinalou Ortiz.

O presidente colombiano, que ofereceu à família de García Márquez todo o apoio necessário caso desejem uma homenagem no país, decretou três dias de luto nacional pela morte "do maior colombiano de todos os tempos".
Em total privacidade, a família recebeu na noite de quinta-feira alguns escritores mexicanos como Héctor Aguilar Camín, Ángeles Mastretta e Xavier Velasco, assim como amigos e parentes. Mercedes Barcha e os filhos Rodrigo e Gonzalo decidiram que não acontecerá uma cerimônia fúnebre de García Márquez na funerária para a qual o corpo foi levado na quinta-feira.

A família não revelou a causa do falecimento. "Os médicos anunciarão posteriormente, suponho", se limitou a declarar Jaime Abello, diretor da Fundação Novo Jornalismo Ibero-americano (FNPI) - fundada e presidida por García Márquez -, que acompanhou María Cristina García, diretora do Instituto Nacional de Belas Artes, na leitura do comunicado da família.

O Nobel de Literatura e também célebre jornalista, recebia atendimento médico em casa desde que, em 8 de abril, saiu do hospital no qual permaneceu internado oito dias por pneumonia. O jornal mexicano El Universal informou que o autor sofreu uma recaída e expansão do câncer linfático diagnosticado há 15 anos.

Morte do escritor provocou homenagens de colegas e admiradores

O desamparo das letras com a morte de um dos autores mais universais da história da língua espanhola provocou muitas homenagens e mensagens de pêsames de colegas, políticos e admiradores. "Desde Cervantes não havia existido um autor que conectasse de maneira tão ampla com o castelhano", afirmou o escritor mexicano Juan Villoro.
Villoro, um dos professores de jovens jornalistas na FNPI, também ressaltou o valor da obra jornalística do Prêmio Nobel. "Só um jornalista como García Márquez poderia ter feito a cobertura de uma notícia como sua morte", disse.

Na Europa, as homenagens também foram intensas. Mariano Rajoy, primeiro-ministro da Espanha, enviou um telegrama no qual expressava em nome do país o "mais sincero afeto e admiração pelo escritor imprescindível e mais universal da literatura em espanhol da segunda metade do século XX".

O presidente francês, François Hollande, recordou a figura de García Márquez tanto pelo impacto universal de sua obra literária como por seu combate contra o imperialismo no trabalho jornalístico. "Com García Márquez desaparece um gigante da escrita, que deu projeção mundial às representações imaginárias de todo um continente", afirmou Hollande em um comunicado.

Para o presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Barroso, Gabriel García Márquez foi uma voz da América Latina que virou uma voz de nosso mundo. "Sua imaginação nos tornou mais ricos e sua morte nos deixa mais pobres", declarou Barroso.

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Fonte: AFP






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