Porto Alegre, sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

  • 01/05/2014
  • 23:25
  • Atualização: 14:05

Festival foca diversidade da produção cênica brasileira

Nova edição do Palco Giratório Sesc inicia nesta sexta em Porto Alegre e vai durar 24 dias

Gero Camilo estará em A Casa Amarela | Foto: Cisco Vasques / Divulgação / CP

Gero Camilo estará em A Casa Amarela | Foto: Cisco Vasques / Divulgação / CP

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  • Vera Pinto / Correio do Povo

Mais uma edição do Palco Giratório Sesc tem início nesta sexta-feira, proporcionando a Porto Alegre 24 dias de muita cultura, arte, troca de informações e ludicidade, através de companhias e artistas de renome nacional e a presença expressiva de grupos locais. Em 2014 o diferencial é a apresentação do repertório de grupos brasileiros com longa trajetória. Na abertura, um dos destaques é “O Duelo”, da Cia Mundana (SP), adaptação da novela homônima de Tchekov , com Camila Pitanga no elenco e direção de Georgette Fadel, fica de hoje a segunda, no sesc Navegantes.

A Cia La Mínima (SP) traz várias peças de seu repertório: “Athletis” (sexta, 16h, no Teatro Museu do Trabalho); "Mistero buffo" (sábado, 19h, no Teatro do Sesc) e "Reprise" (domingo, 16h, na Usina do Gasômetro, com entrada franca). Caracterizada pelo humor físico e as clássicas paródias acrobáticas, o grupo conta com a atuação de Domingos Montagner e Fernando Sampaio. Também neste final de semana. Estão "Controlador de Tráfego Aéreo", do grupo Alfândega 88 (RJ), vencedor do Prêmio Shell 2012 na Categoria Especial e a Cia, Rústica, de Porto Alegre, que neste ano celebra seus dez anos. Em entrevista, a coordenadora de Cultura do Sesc, Jane Schoninger, da Direção Regional RS.

CP: Qual foi o objetivo dos organizadores ao criarem o festival e qual o público atingido inicialmente?

JS
: O Festival Palco Giratório Sesc/ POA é um dos desdobramentos do projeto Palco Giratório, que vem sendo realizado no Brasil há 17 anos e que tem por objetivo maior o intercâmbio, descentralização e interiorização das artes cênicas. Os festivais foram criados para apresentar o resultado da seleção pensada para o Brasil, é o momento onde os grupos que estão circulando pelo país pelo projeto Palco Giratório "pousam" em uma cidade. Espera-se apresentar um panorama do que está sendo produzido no país, considerando critérios bem específicos como a questão geográfica, por exemplo. Obviamente, a produção de maior volume continua sendo do Centro-Oeste, mas este é o desafio do projeto: enxergar (e ser sensível) para a produção de todas as regiões do Brasil. No RS, além dos espetáculos que são selecionados para o Circuito Nacional, há os convidados: grupos locais, de outros Estados e de fora do Brasil que participam da programação, a partir dos mesmos critérios do Circuito Nacional. Esses convidados são somente daqui do festival em Porto Alegre, não há relação com o projeto nacional ou os outros festivais do Palco Giratório que acontecem em outras Capitais, embora os outros festivais do Palco também tenham seus convidados e algumas vezes são os mesmos, mas não é uma regra.

Para o Sesc no Rio Grande do Sul, o Festival chegou para comemorar o desenvolvimento de um trabalho embasado nas seguintes palavras: interiorização, sistematização e diversidade de programação. As atividades realizadas no Estado sempre estiveram alicerçadas na preocupação com a formação de uma plateia crítica e sensível para as artes. Quando se pensou na realização de um Festival, já desenvolvíamos a interiorização do projeto Palco Giratório em 12 cidades do Estado. A necessidade de apresentar a programação elaborada para o Brasil a cada ano era latente. Era importante trazer o resultado de um trabalho curatorial que sempre buscou apresentar e valorizar produções de artes cênicas constituídas fora dos grandes centros. O público sempre foi o combustível para o movimento de criação do projeto. É realizado para o público, que já tem o hábito de estar nas plateias dos teatros, realizado para as novas plateias. Não há um público especifico: comunidade em geral, classe artística, formadores de opinião, interessados na arte em geral. O objetivo fim é apresentar alternativas, repertório, possibilidades de escolhas para que tenhamos uma plateia/ público cada vez mais sensível e atento para a arte, Esse caso, para as artes cênicas.

CP: Pode-se dizer que a formação de plateia sempre foi a prioridade?

JS
- Sim, toda a ação pensada tem como fio condutor a formação de plateia. Entende-se que é importante darmos alternativas de escolhas, possibilidades de fruição. Sabemos que muitas vezes o grande publico fica no simples "não gosto" de tal obra, de determinado gênero, e queremos que ocorra uma transformação nesse sentido. Busca-se mostrar (com a programação diversa) que é necessário que cada pessoa tenha um "repertório" de informações, de sensações, para que possa realmente afirmar o que gosta ou não. E é isso que buscamos fazer: mediar esse interesse entre público e artes cênicas, apresentando uma programação diversa, heterogênea, tentando aguçar os sentidos de cada Espectador.

CP: O público infantil e estudantil sempre foi incluído na programação?

JS
- Sempre. Torna-se uma das prioridades também. Justamente pelo compromisso que temos com essa formação de plateias. É importante que o teatro esteja presente na vida desses estudantes, a fim de fazer relações com conteúdos escolares ou não. Possibilitar momentos de arte é fundamental na vida escolar. Nesse caso também, o festival busca fazer a mediação entre o público escolar e o teatro. O teatro infantil também é prioritário na programação. Não seria completa (e comprometida) uma programação sem o teatro infantil.

CP : Você poderia falar da evolução do evento, inclusive com números? Ele mudou de perfil ao longo do tempo?

JS - Penso que houve um amadurecimento e claro, um crescimento. Inicialmente o número de sessões, de grupos eram menores, justamente por estarmos conhecendo o público, buscando espaço. Há nove anos, quando iniciamos o Festival Palco Giratório Sesc/POA, as incertezas eram muitas. O cenário de festivais no Estado reforçava a preocupação. Há espaço para novas ideias? Há possibilidades para novas propostas, novos formatos? A cidade, já habituada a receber grandes nomes e companhias, não somente do Brasil, mas de diversos lugares do mundo, entenderia a necessidade de discutir o fazer teatral a partir de um propósito de valorização do processo artístico e da constituição de coletivos e grupos de teatro? Essas dúvidas foram sendo respondidas no decorrer dos anos. Em um primeiro momento, a única certeza que tínhamos era a motivação para fazer um festival que colocasse em discussão a realidade das artes cênicas no nosso pís, entendendo que a discussão pretendida não ficaria apenas focada nas questões estéticas dos espetáculos, mas viria de uma proposição de reflexão sobre os processos artísticos, sobre a continuidade de trabalhos e coletivos e sobre as possibilidades de trocas a partir dos espetáculos apresentados.
Naquele momento, estava claro que o festival deveria ser uma grande celebração. Para alguns, seria a possibilidade de memorar o vivido durante o ano, por intermédio de suas pesquisas, intercâmbios desenvolvidos, circuitos de teatro realizados. Para outros, o momento de novas conquistas e novos olhares, o estreitamento de relações e de conteúdo, a busca por novas parcerias (tanto entre grupos de teatro, como entre grupo e plateia) e por novos lugares. Crescemos em números de sessões, em números de grupos convidados, em número de locais ocupados (teatros, salas, espaços abertos) e consideravelmente em número de público. 


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