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01/06/2014 16:58 - Atualizado em 01/06/2014 17:03

Jorge Luís Borges é revivido através de María Kodama

Viúva de Borges esteve no RS para falar sobre o autor, direitos autorais, viagens e revisitar a obra do escritor

Borges é um dos maiores escritores do século XX<br /><b>Crédito: </b> Reprodução / CP
Borges é um dos maiores escritores do século XX
Crédito: Reprodução / CP
Borges é um dos maiores escritores do século XX
Crédito: Reprodução / CP

 A passagem da escritora e tradutora María Kodama por Porto Alegre no último mês de maio passada foi mais uma oportunidade de manter vivas as memórias de Jorge Luis Borges aos seus leitores apaixonados. Em "Conversas sobre Borges", realizado pela Secretaria de Estado da Cultura, Instituto Cervantes e Universidade de Caxias do Sul, no Teatro Bruno Kiefer, no dia 22, a viúva de Borges e diretora da Fundación Borges falou da convivência com o maior autor argentino do século XX, viagens e defesa dos direitos de propriedade intelectual e o respeito à vontade de Borges sobre a publicação da sua obra.

O tema das viagens foi um dos temas abordados. Boa parte delas estão registradas no livro "Atlas", lançado em 2010 pela Companhia das Letras. "Lembro de uma viagem ao Egito. Passamos uma noite no deserto em Sakkara. Das ruínas começaram a sair personagens sem casa. Dois deles fizeram uma cadeirinha de ouro, cruzaram os braços para sentarmos e conhecermos o interior das pirâmides", descreve. "Eles corriam e fiquei preocupada com Borges, pois ele poderia bater a cabeça e dizia 'cabiza', e não cabeza. Borges então disse: Maria não repita isso, pois da forma como eles riem deve ser uma palavra obscena."

Outra história contada por María foi de um encontro entre Borges e Julio Cortázar, que já não se davam tão bem por questões políticas, no Museu do Prado, em Madrid. "Estávamos Borges e eu diante de 'El Perro Semihundido', de Goya. Vejo a figura de Cortázar e aviso Borges. Ele, glacial. Cortázar deu-lhe um abraço e disse: 'Mestre, eu nunca vou esquecer que você publicou o meu primeiro conto, "La Casa Tomada'".

Na questão da violação de direitos de propriedade intelectual, ela comentou o caso do site Taringa!, que reproduziu 9.246 posts com a palavra Borges, muitos com a reprodução completa de livros do autor e que ela levou à Justiça. "Compartilhar algo é entre duas pessoas. Se eles pedem autorização é uma coisa. Se eles colocam livros inteiros e acabam se apoderando de algo, isto é roubo".

Um dos assuntos comentados por María, diante da mesa formada pelo secretário adjunto de Cultura do RS, Jéferson Assumção, o professor Luís Augusto Fischer e a pesquisadora argentina Alicia Sisca foi a questão da existência de uma Língua Borges. "Com Borges houve uma revolução da forma de se escrever prosa. O texto dele era conciso, quase impossível de mudar, muitas vezes isso era opressivo. A língua inglesa que falava com os avós o ajudou a construir textos econômicos, justos e precisos", ressalta.


Fonte: Luiz Gonzaga Lopes / Correio do Povo






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