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13/06/2014 18:30

Jimmy Scott, o crooner que todos os intérpretes amaram morre aos 88 anos

Na infância, foi diagnosticado com uma doença rara, a síndrome de Kallman

Sua presença de palco, o estilo, o jeito de "diagramar" os versos da canção o tornaram um gigante entre os crooners, influência de Ray Charles, Nancy Wilson e Marvin Gaye e idolatrado por muitos ídolos pop, como Lou Reed, Madonna, David Bowie, Pink Martini e Anthony Hegarty.

Nascido James Victor Scott em Cleveland, Ohio, morreu durante o sono na quarta-feira, 11, aos 88 anos o cantor lendário Jimmy Scott, um paradigma do cantor da noite. Criado em orfanatos após o atropelamento da mãe e a perda do pai, ele foi diagnosticado com uma doença rara na infância, a síndrome de Kallmann, um problema hormonal que o tornou miúdo, de desenvolvimento físico precário (tinha menos de 1m50cm de altura, o que lhe valeu o apelido de Little Jimmy).

"Ele é o único cantor que me faz chorar", disse Madonna. "É como ver ao mesmo tempo Hamlet e Macbeth interpretados numa mesma canção", disse Lou Reed, que foi seu parceiro em um disco.

Como um Michael Jackson de boate, Jimmy teve um de seus raros hits nos anos 1950, Everybody’s Somebody’s Fool. Fez uma aparição em Twin Peaks, a série de David Lynch. Gravou nos anos 1940 com Lionel Hampton e depois com Charlie Parker, cantou no disco Magic and Loss, de Lou Reed, e foi nomeado Mestre do Jazz pelo National Endowment of Arts em 2007.

Ele viveu um mau momento nos anos 1960, quando seu álbum que vinha sendo considerado uma obra-prima, "Falling in Love Is Wonderful", caiu numa disputa judicial entre duas gravadoras, com péssimo resultado para sua carreira. Mas ele também procurou o lado negro da força, por assim dizer.

Em 2004, um documentário sobre o cantor, Jimmy Scott: If You Only Knew, deu a conhecer um pouco da sua tumultuosa vida. Alcoolismo, um período negro no qual andava armado, crises com as quatro ex-mulheres (casou 5 vezes, duas delas com prostitutas), preconceito e humilhação: o pequeno grande vocalista enfrentou de tudo.

"Em minha vida adulta, as pessoas têm olhado para mim como um ser esquisito", ele contou a David Ritz, autor de sua
biografia, Faith in Time: The Life of Jimmy Scott (2002). "Fui chamado de bicha, de garotinha, de mulher velha, de freak,
de viado. Como cantor, fui criticado por soar feminino. Eles dizem que eu não pertenço a nenhuma categoria, homem ou
mulher, pop ou jazz. Mas, desde o início, eu vi meu sofrimento como minha salvação." Lost & Found (Rhino, 1993) e Mood
Indigo (Milestone, 2000) são dois discos fundamentais para se conhecer a arte de Scott.

O produtor musical Quincy Jones, que foi a mola propulsora do talento de Michael Jackson, disse em 1988, em uma entrevista ao Village Voice, que costumava ver shows de Jimmy Scott nos anos 1950. "Ele só ficava lá com seus ombros arqueados e os olhos fechados e a cabeça pendendo de um lado. Ele cantava como um trompete, cantava com o conceito melódico do instrumento. É um estilo muito emocional, que falava fundo na alma. Ele me punha de joelhos, me levava às lágrimas toda noite." O crítico Joseph Hooper disse de Jimmy Scott, em 2000, que este talvez tenha sido "o mais injustamente ignorado cantor do século 20". Ignorado pelas grandes plateias, amado pelos artistas, sua trajetória se tornou uma cruzada em prol do refinamento da arte do intérprete.

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Fonte: AE






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