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  • 08/01/2018
  • 02:08
  • Atualização: 03:37

"Big Little Lies" e "Três Anúncios Para um Crime" são os principais vencedores do Globo de Ouro

Cerimônia de premiação foi marcada por manifestações contra os casos de assédio sexual em Hollywood

"Big Little Lies" venceu quatro categorias de série | Foto: Kevin Winter / Getty Images North America / AFP / CP

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A temporada de premiação do cinema e da televisão começou neste domingo com a 75ª edição do Globo de Ouro. E, como era esperado, esta primeira cerimônia após o escândalo que atingiu Hollywood nos últimos meses foi marcada por protestos. Já no tapete vermelho, a maioria das atrizes desfilou de vestido preto, em uma manifestação organizada para denunciar o assédio sexual sofrido pelas mulheres na indústria cinematográfica. A mobilização faz parte do projeto "Time's Up", iniciativa que surgiu para dar apoio a vítimas  de abuso e assédio sexual. Alguns homens, por sua vez, usaram broches do "Time's Up" para demonstrar solidariedade às colegas de Hollywood.

Ainda do lado de fora, o assunto tomou conta das entrevistas. Atrizes como Emma Watson, Michelle Williams e Meryl Streep circularam pelo evento acompanhadas de ativistas que lutam pelos direitos das mulheres. Michelle estava ao lado de Tarana Burke, criadora do movimento #metoo ("eu também", que serviu de estímulo para mulheres de diversas partes do mundo denunciarem casos de abuso sexual e agressões). Tarana aproveitou a oportunidade para falar da repercussão do movimento. "Esse momento é muito poderoso porque estamos vendo uma colaboração entre esses mundos que geralmente as pessoas não associam", disse.

"Agora as pessoas são conscientes de um desequilíbrio de poder. Isso levou ao abuso não só na nossa indústria (...) Está em todo lugar", comentou Meryl Streep, que está no centro de uma polêmica pelo caso Harvey Weinstein em função dos vários filmes em que trabalhou com o produtor. Ela chegou acompanhada de Ai-jen Poo, diretora da Aliança Nacional de Trabalhadoras Domésticas. "Queremos arrumar isso. E sentimos coragem, nesse momento em particular, de nos organizarmos", falou ainda.

Apresentador da noite, o humorista Seth Meyers abriu a cerimônia mandando um "boa noite para as mulheres e para os homens que sobraram". Ele fez, então, uma série de críticas aos atores, diretores e produtores acusados de assédio sexual e recebeu apoio da plateia. Em dado momento, falou diretamente de Harvey Weistein: "Harvey Weinstein não está aqui esta noite porque, bem, eu ouvi rumores de que ele é louco e difícil de trabalhar. Não se preocupe, ele vai voltar ao Globo de Ouro daqui a 20 anos sendo a primeira pessoa a ser vaiada no momento In Memoriam", disparou. Ele também não deixou Kevin Spacey de fora. “Bem, apesar de tudo o que aconteceu este ano, o show continua. Por exemplo, fiquei feliz ao saber que eles vão fazer outra temporada de 'House of Cards'. Christopher Plummer também está disponível para isso?”, brincou sobre a substituição de Spacey no filme "Todo o Dinheiro no Mundo".

Vencedora do primeiro prêmio da noite, o de melhor atriz em telefilme ou minissérie, Nicole Kidman abriu caminho para chamar a atenção para a questão também nos agradecimentos. “Esta personagem que eu interpreto representa o centro da nossa conversa agora: abuso. E acredito, e espero, que podemos causar mudanças com as histórias que contamos e como as contamos. Vamos manter a conversa viva”, declarou ela que em "Big Little Lies" interpreta Celeste Wright, personagem que é agredida pelo marido. Colega de elenco na série, Laura Dern pediu o fim da cultura do silêncio e o total apoio às vítimas de abuso e agressão ao receber o prêmio de melhor atriz codjuvante em série, minissérie ou telefilme. "Ensinar nossos filhos a falar sobre as coisas sem medo de represália é o novo guia", defendeu. Elisabeth Moss, ganhadora da categoria de melhor atriz em série de drama, também analisou o momento atual: “Nós éramos pessoas que não estavam nas páginas. Vivíamos nos vãos entre as histórias. Nós não mais vivemos nos vãos, nós somos as histórias e estamos as escrevendo”.

Um dos homenageados da noite foi Kirk Douglas, que aos 101 anos foi ao palco acompanhado da nora Catherine Zeta-Jones. Os presentes se levantaram para aplaudir o lendário ator de filmes como "Sede de Viver" (1951) e "Spartacus" (1960). Mas foi Oprah Winfrey quem recebeu o prêmio Cecil B. DeMille, dado a quem teve um grande impacto para o mundo do entretenimento, e se tornou a primeira mulher negra a ganhar a honraria. Após ser apresentada por Reese Witherspoon, com quem trabalhou em "Uma Dobra No Tempo", Oprah subiu ao palco, também aplaudida de pé pelos presentes, e lembrou o impacto de ver Sidney Poitier vencendo um Oscar e citou os casos de assédio sexual em Hollywood e o "Time's Up". "O que eu sei com certeza é que falar a sua verdade é a ferramenta mais poderosa que todos nós temos, e estou especialmente orgulhosa e inspirada por todas as mulheres que se sentiram fortes o suficiente para compartilhar suas histórias pessoais. Por muito tempo, as mulheres não foram ouvidas ou levadas a sério se ousassem falar sua verdade a esses homens. Mas o tempo deles acabou”, afirmou Oprah. Ao longo de seu emocionante discurso, ela ainda projetou "um novo horizonte" a partir desse movimento em busca da verdade: "E quando esse dia chegar, será por causa de muitas mulheres maravilhosas, muitas delas estão aqui. Quem sabe nesse dia nenhuma mulher terá que dizer 'eu também'", acrescentou, em alusão à hashtag #metoo.

Outro momento que repercutiu foi o prêmio de melhor diretor, vencido por Guillermo del Toro, que comandou "A Forma da Água". Ao anunciar os indicados, a atriz Natalie Portman apresentou os concorrentes da seguinte forma: "E aqui estão todos os homens indicados", alfinetando o Globo de Ouro por não haver nenhuma mulher disputando a categoria.

Na televisão, "Big Little Lies" foi a série que conquistou mais prêmios, quatro no total. O número de estatuetas foi o mesmo de "Três Anúncios Para um Crime", o principal filme vencedor.

Confira os vencedores:

Melhor Atriz em Telefilme ou Minissérie: Nicole Kidman, por "Big Little Lies"

Melhor Ator Codjuvante em Filme: Sam Rockwell, por "Três Anúncios para um Crime"

Melhor Atriz de Série de Comédia ou Musical: Rachel Brosnahan por "The Marvelous Mrs. Maisel"

Melhor Atriz em Série de Drama: Elisabeth Moss, por "The Handmaid's Tale

Melhor Ator em Série de Drama: Sterling K. Brown, por "This Is Us"

Melhor Série de Drama: "The Handmaid's Tale"

Melhor Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme: Alexander Skarsgard, por "Big Little Lies"

Melhor Trilha Sonora para filme: Alexandre Desplat, por "A Forma da Água"

Melhor Canção Original para filme: "This Is Me", de "O Rei do Show"

Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical: James Franco, por "Artista do Desastre"

Melhor Atriz Codjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme: Laura Dern, por "Big Little Lies"

Melhor Animação: "Viva - A Vida é Uma Festa"

Melhor Atriz Codjuvante em Filme: Allison Janney, por "I, Tonya"

Melhor Roteiro de Filme: Martin Mcdonagh, por "Três Anúncios para um Crime"

Melhor Filme Estrangeiro: "Em Pedaços" (Alemanha/França)

Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme: Ewan McGregor, por "Fargo"

Melhor Série de Comédia ou Musical: "The Marvelous Mrs. Maisel"

Melhor Ator em Série de Comédia ou Musical: Aziz Ansari, por "Master of None"

Melhor Diretor: Guillermo del Toro, por "A Forma da Água"

Melhor Minissérie ou Telefilme: "Big Little Lies"

Melhor Atriz em Filme Comédia ou Musical: Saoirse Ronan, por "Lady Bird"

Melhor Filme de Comédia ou Musical: "Lady Bird"

Melhor Ator em Filme de Drama: Gary Oldman, por "O Destino de Uma Nação"

Melhor Atriz em Filme de Drama: Frances McDormand por “Três Anúncios para um Crime”

Melhor Filme de Drama: "Três Anúncios para um Crime"