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  • 14/09/2017
  • 12:42
  • Atualização: 18:24

"As Duas Irenes" traz o protagonismo juvenil e feminino às telas

Filme foi um dos premiados do 45º Festival de Cinema de Gramado e estreia nesta quinta nas salas do Brasil

Isabela Torres e Priscila Bittencourt protagonizam

Isabela Torres e Priscila Bittencourt protagonizam "As Duas Irenes" | Foto: Divulgação / CP

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  • Lou Cardoso

No 45º Festival de Cinema de Gramado, um dos principais destaques do evento serrano foi a constante presença feminina nas histórias exibidas no Palácio dos Festivais. Entre os filmes estava "As Duas Irenes", que estreia no circuito nacional nesta quinta-feira, trazendo um drama juvenil que vai além das expectativas do público. Um dos principais premiados do Festival com quatro Kikitos, entre eles o Prêmio do Júri da Crítica, o longa dirigido por Fabio Meia retrata não só a descoberta de uma drama familiar, mas também o florescer da adolescência através do olhar ingênuo e inquieto de duas meninas que dão vida às Irenes da história.

Na tela, Irene (Priscila Bittencourt) descobre que seu pai Tonico (Marco Ricca) tem uma segunda família em um local não muito longe da sua casa. Inclusive, tem uma outra filha chamada Irene (Isabela Torres) também com 13 anos. Ao se infiltrar nesta segunda moradia, Irene encontra um ambiente totalmente oposto ao do seu lar, onde é praticamente deslocada e por muitas vezes, esquecida. Lá, com esta segunda família, ela se torna tão presente como se fosse mais uma integrante deste casulo, podendo então desfrutar de uma nova vida, e por que não, de uma nova personalidade. Assim, ela também vai compreendendo a liberdade que seu pai tanto gosta neste local. Porém, não é motivo, claro, para ela aceitar tão perfeitamente esta dupla traição.

"As Duas Irenes" é uma história que não é difícil de se esbarrar por aí, mas o trabalho de Fabio Meira e equipe transforma completamente este dramalhão em um grande filme brasileiro. Primeiramente por reconstituir um cenário atemporal, com personagens que retratam perfeitamente os contrastes entre o conservador e o liberal, e principalmente, por deixar que duas meninas tão espertas nos conduzam nesta narrativa fortemente sensível. As atrizes Priscila e Isabela são as responsáveis por cativarem o espectador e nos fazer torcer para que tudo dê certo no final. Totalmente opostas, elas se completam em suas formas e jeitos, com segredos e brincadeiras, e isto vai além das telas, o que deixa o filme muito mais doce de assistir.

Em tempos onde o protagonismo feminino cada vez mais toma posse na sociedade, no cinema não seria diferente. "As Duas Irenes" é uma revolução familiar, onde duas adolescentes colocam fim nesta picaretagem paternal e aprendem desde cedo a não sofrerem mais em silêncio. O filme pode ser considerado feminista por apresentar os dois pontos de vistas de cada Irene e de como cada uma se sente, e a partir disto, decidirem por algo mais justo para ambas as famílias. O longa é a prova de que a revolução feminista não só será televisionada, mas como vai passar na tela de cinema.

Assista ao trailer: