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  • 16/11/2017
  • 07:12
  • Atualização: 12:30

Liga da Justiça une super-heróis e mostra novo caminho da DC Comics

Longa divide expectativas do público fã de Batman e companhia

Super-heróis da DC Comics se unem contra destruição da Terra em Liga da Justiça | Foto: Divulgação / CP

Super-heróis da DC Comics se unem contra destruição da Terra em Liga da Justiça | Foto: Divulgação / CP

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  • Lou Cardoso

"Liga da Justiça" chega aos cinemas à espera de um público dividido em expectativas. Enquanto alguns esperam uma redenção por parte dos filmes da DC Comics, como aconteceu recentemente em "Mulher-Maravilha", outros já acreditam que será mais uma catástrofe equiparada a "Batman Vs Superman - A Origem da Justiça". Mas verdade seja dita, o diretor Zack Snyder está aprendendo com o resultado dos últimos filmes e, finalmente, podemos ter um pouco de luz (literalmente) no caminho de Bruce Wayne/Batman (Ben Affleck) e de seus novos companheiros.

A história retoma o que sobrou do último encontro entre o homem-morcego e Superman (Henry Cavill), entre as consequências está uma onda de medo, terror e confusão numa sociedade que vive sem esperanças de um mundo melhor após a morte do seu grande exemplo de super-herói. Surpreendido por uma ameça desconhecida em Gotham, Batman vê a oportunidade de restaurar a fé na humanidade e vai atrás de novos aliados para encarar o vilão Lobo Estepe (Ciarán Hinds), que chega em busca de vingança e quer transformar o mundo em um inferno.

Diana Prince (Gal Gadot), ou melhor Mulher-Maravilha, é o seu primeiro contato devido ao evidente carisma e humildade que a personagem transmite desde da sua primeira aparição e que contribuirá, e muito, para o desenrolar do filme. Ao ser abordado, Barry Allen, ou popularmente conhecido como Flash (Ezra Miller), é o jovem recruta que não pensa duas vezes ao dizer sim ao magnata milionário quando é convidado para se juntar ao grupo. Os dois personagens mais complexos, Arthur Curry/Aquaman (Jason Momoa) e Victor Stone/Ciborgue (Ray Fisher), são os mais teimosos em aceitar o convite, mas nada que uma cutucada na ferida não os motive a salvarem o planeta do mal.

Toda esta introdução é feita de forma direta, apesar de algumas enrolações dramáticas para, claro, reforçar o tom sombrio tão característico da DC Comics. Entretanto, a narrativa da "Liga da Justiça" encaminha com um único objetivo ao longo do filme, que entre batalhas e surpresas, consegue atingi-lo de uma forma inesperadamente boa. O roteiro de Chris Terrio e Joss Whedon ainda sofre com um milhão de diálogos complicados que não chegam a atrapalhar, mas é inútil tantas informações quando não há necessidade de tanta velocidade na história. Principalmente nas cenas em que somos introduzidos à rotina de Flash, Ciborgue e Aquaman, que ainda são desconhecidos do grande público. O retorno do Superman - e isso não é um spoiler - tem um impacto importante, mas se torna absurdo por causa de seu temperamento ao reencontrar Lois Lane (Amy Adams). Ainda que exista falha nesta condução, é possível parabenizar o bom humor que foi adicionado nas linhas dos personagens ao não largar piadas óbvias e apostar na espontaneidade.

Batman mais relaxado e Mulher-Maravilha como líder 

Inclusive Batman aparenta estar mais relaxado e Ciborgue, que inicialmente é tido como o mais distante, aos poucos se solta dentro do grupo. Claro que o grande destaque humorístico do filme fica nas mãos de Ezra Miller como Flash, que pelos trailers, já demonstrava ser um dos heróis que nos conquistaria fácil, e com a sua breve história, encanta ainda mais. Assim como Jason Momoa como Aquaman, que certamente é um dos personagens mais aguardados para chegar às telas com um filme solo, rapidamente já ganha a nossa simpatia pela proteção que tem com seu povo e pelo seu tom debochado e sincero com tudo ao seu redor. E para balancear o espírito na tela, Ray Fisher é quem traz a carga dramática devido à sua condição trágica de meio robô e meio humano como Ciborgue, e aqui está um dos erros da produção em deixá-lo tão discreto que acaba deixando a sua presença muito questionável durante o desenrolar da história. Já Gal Gadot continua maravilhosa e cada vez mais conquistando o seu espaço como Mulher-Maravilha. Não é por nada que, percebendo a influência que a personagem possui, tanto Batman quanto Snyder, a colocaram como a líder do batalhão.

Zack Snyder amadurece na direção 

É possível perceber que a boa recepção de "Mulher-Maravilha" ajudou nos moldes da DC Comics que parece ter encontrado o seu caminho nos cinemas. A direção de Snyder na "Liga da Justiça" mostrou o seu amadurecimento ao perceber os erros dos últimos filmes ao querer ousar demais e não entregar nem 1% do que havia prometido. O cineasta finalmente abraçou a ideia de não ter medo de realizar um longa de super-heróis e os clichês do gênero. Entre eles, um vilão mediano que acredita ser invencível, mas só prova que mais late do que morde. E vamos combinar, apesar das tecnologias do Século XXI, quem é que ainda se assusta com um personagem digitalmente criado na pós-produção?

Não é de se surpreender que Lobo Estepe vem sendo criticado. Mas ao contrário destes momentos, as cenas de ação e efeitos especiais se dividem entre boas e vergonhosas. Mulher-Maravilha é uma das responsáveis por protagonizar os mais eletrizantes combates, assim como Aquaman lutando contra os inimigos no fundo do mar e os primeiros confrontos em conjunto da Liga são surpreendentes. Porém, a produção perde o ritmo, principalmente após a chegada de Superman na turma, e até mesmo os efeitos se tornam tão superficiais que não existe mais energia para acompanhá-los. O que pode ser resultado da participação de Joss Whedon, que assumiu a edição final do longa após Snyder se ausentar por problemas pessoais, que teve que lidar com uma direção já quase finalizada.

Com duas cenas pós-créditos - uma que aproveita o novo toque cômico e outra que revela que tem mais aventuras vindo por aí - a Liga da Justiça não chegou no nível que DC Comics pretender alcançar com seus filmes, mas parece que vai se divertir enquanto procura o caminho certo.