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  • 07/12/2017
  • 07:31
  • Atualização: 07:54

"Extraordinário" é um filme inclusivo e muito emocionante

Longa traz Jacob Tremblay e Julia Roberts nos papeis principais

Julia Roberts e Jacob Tremblay protagonizam longa  | Foto: Divulgação / CP

Julia Roberts e Jacob Tremblay protagonizam longa | Foto: Divulgação / CP

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  • Lou Cardoso

"Extraordinário" é o filme perfeito para quem gosta de histórias inteligentes e emocionantes. Recheado de talentos, narrativa envolvente e uma mensagem importante, o longa dirigido por Stephen Chbosky estreia nos cinemas nesta quinta-feira trazendo novamente o pequeno Jacob Tremblay arrasando em cada segundo de projeção. Se em "O Quarto de Jack", ele era a força espiritual que sua mãe precisava para sobreviver, em Extraordinário, Auggie Pullman (Tremblay) recebe da sua família o suporte que precisa para enfrentar, pela primeira vez, uma escola com outras crianças. Porém, esta nova etapa está longe de ser uma experiência fácil.

Auggie nasceu com uma deformação facial e já passou por mais de 20 cirurgias, o que lhe custou não apenas uma infância normal, mas também a necessidade de ter que lidar com o preconceito desde cedo na vida. Se do lado de fora, o mundo parece lhe rejeitar com olhares assustados, dentro de casa, o mundo de Auggie é completamente aconchegante, onde consegue ser uma criança comum. Para isso, toda família gira ao seu redor. Desde da mãe Isabel (Julia Roberts) que abriu mão da carreira acadêmica até sua irmã, Via (Izabela Vidovic), que prioriza os sentimentos do pequeno ao invés dos seus. Mas isso está longe de ser um problema para família Pullman que encontrou em Auggie a força da união e, principalmente, da honestidade para se manterem fortes perante das dificuldades que enfrentam. 

Cicatrizes amadurecem o personagem 

O filme tem aquele toque sensível, com narrações que exploram os pensamentos dos personagens, com situações que nos explicam a rotina da família e claro, aqueles momentos bullying em que você se sente um impotente por não poder fazer nada a respeito ou simplesmente ficar irritado com alguns desaforos inacreditáveis. E acredite, eles são mais comuns do que imaginamos. A principal missão de "Extraordinário" é tanto trazer questões em debate quanto nos relatar como é estar na pele de pessoas como Auggie. A deformação facial do protagonista é o principal leque que nos comove tanto, pois retrata o quanto ser diferente traz o julgamento instantâneo da sociedade. E, infelizmente, nem Auggie nem a medicina podem consertar isso. Mas é muito mais fácil espalhar boatos do que simplesmente abraçar o desconhecido, não é mesmo?

Por sorte, as dificuldades tornaram o pequeno tão forte quanto qualquer adulto, o que é comprovado em vários momentos em que Auggie mostra o amadurecimento que as suas cicatrizes lhe deixaram. Crédito que pode ser dado tanto para a história baseada no livro homônimo escrito por R.J. Palacio quanto na atuação de Jacob Tremblay. O ator apresenta, mais uma vez, a naturalidade ao expressar tudo que um personagem pode nos oferecer e, aqui, sentimentos não faltam para ele explorar. Aliado com o trabalho da maquiagem, Tremblay facilmente vai arrancar lágrimas da plateia.

Elenco harmonioso 

O trabalho do elenco formado por Julia Roberts, Owen Wilson e Izabela Vidoc também é outro grande mérito para Extraordinário funcionar tão bem com a harmonia do grupo. O papel de Julia poderia cair facilmente na caricatura da mãe exagerada e dramática, mas é prazeroso de vê-la entregar uma mãe corajosa e sincera com o seu filho. A simplicidade da atriz em cena é uma das melhores coisas do filme. Assim como sua parceira em cena, Izabela Vidoc como a irmã mais velha e que sempre perde seus momentos de protagonismo dentro de casa devido às necessidades de Auggie. A jovem consegue balancear a sua carência com a maturidade que conquistou ao longo dos anos em que também ficou cuidando do caçula.

Owen Wilson, mais uma vez, é o camarada que conhecemos e o alívio cômico da história, mas que sabe aproveitar as suas oportunidades. E para não deixá-la passar despercebida, Sonia Braga faz uma participação mais do que especial em um pequeno flashback de Via, que nos deixa com uma ponta de inveja de não sermos também parte desta família.

"Extraordinário" é um filme inclusivo, que traz não só maior diversidade, como se importa para que a história não passe em vão para o público. O diretor Chbosky soube dosar a atenção que cada personagem merece neste filme, assim podemos conhecer como também é a vida dos outros entorno de Auggie e como tudo é influenciado neste ciclo. E este toque é importante pois assim nem enjoamos rapidamente do protagonista e o longa não exagera em uma dramaticidade desnecessária para que se torne piegas. Auggie é o exemplo perfeito que nenhuma dificuldade pode ser empecilho para ser uma pessoa extraordinária.