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  • 11/01/2018
  • 00:15
  • Atualização: 07:02

"O Destino De Uma Nação" não empolga e serve apenas como registro histórico

Gary Oldman venceu Globo de Ouro de Melhor Ator por sua interpretação como Winston Churchill

Gary Oldman interpreta Winston Churchill durante período da Segunda Guerra Mundial  | Foto: Divulgação / CP

Gary Oldman interpreta Winston Churchill durante período da Segunda Guerra Mundial | Foto: Divulgação / CP

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  • Lou Cardoso

Cinebiografias são um dos gêneros mais esperados pelo público, especialmente de fãs e admiradores, que esperam assistir uma história emocionante ou, ao menos, cheia de segredos surpreendentes. Winston Churchill (1874-1965) foi uma figura histórica importantíssima para Grã-Bretanha, que assim como Margareth Tatcher (1925-2013) em "A Dama de Ferro" (2011), também é lembrado nos cinemas em "O Destino de Uma Nação", dirigido por Joe Wright, que estreia nesta quinta-feira. O longa foca especificamente em um dos desafios mais complicados que Churchill teve que enfrentar logo quando foi eleito Primeiro Ministro em 1940, quando praticamente todo exército britânico estava encurralado pelos nazistas nas praias de Dunkirk, na França, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

"O Destino de Uma Nação" é, basicamente, um complemento de "Dunkirk", de Christopher Nolan, em que os políticos do parlamento inglês discutiam estratégias para salvar os mais de 300 mil soldados que lutavam para sobreviver no litoral francês. Tal crise quase mudou os rumos da Segunda Guerra Mundial e também, por pouco, não destruiu a carreira de Churchill, já que muitos não acreditavam na ideia da resistência do exército e imploravam para que o então Primeiro Ministro aceitasse um acordo de paz com Adolf Hitler. Mas como já era de se esperar, ele reforçou a sua fama de teimoso contra o plano que seus desafetos criaram dentro do comitê de guerra - que foi criado especialmente para tratar desta operação - tanto articulavam para mostrar o quão fraco o Primeiro Ministro era em situações extremas.

O filme ganha força notória graças a interpretação de Gary Oldman que, não por menos, ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme Drama pela sua interpretação como Churchill, e provavelmente deve ganhar a maioria dos prêmios em que concorrer nesta temporada. O longa depende muito da presença de Oldman para garantir que o espectador se mantenha interessado na história. O ator apresenta um bom desempenho, mas, por muitas vezes, entrega um personagem caricato para simplesmente justificar a fama de difícil do parlamentar e alterna com momentos em que se torna o rabugento, carismático ou incompreendido. Assim como foi com Meryl Streep em "A Dama de Ferro", a maquiagem repete o trabalho árduo de garantir a ilusão de que estamos realmente assistindo o ex-primeiro ministro, e não Gary Oldman em cena. Ao contrário visto na série "The Crown" com John Lithgow, responsável por interpretar Churchill, sem utilizar qualquer recurso estético para nos fazer acreditar em suas palavras e nos deixar impactado com a sua ótima atuação.

Infelizmente, "O Destino De Uma Nação" não passa de um filme de registro de uma época, de uma situação e principalmente, de uma pessoa importante para história de um lugar. O diretor Joe Wright aproveitou poucas oportunidades de criar uma narrativa eficaz para um contexto que precisa de energia para manter a atenção. O longa caminha pelos clichês do gênero biográfico no cinema, principalmente por se tratar de uma figura política ao querer provar de que um personagem assim também esteve ao lado do seu povo ou que tem um lado sensível. Como por exemplo, no filme, quando Churchill confessa nunca ter andado de transporte público para depois fugir e pegar o primeiro trem quando tem um momento de epifania. Ou até mesmo quando se fragiliza ao ouvir o desabafo de sua datilógrafa Elizabeth Layton (Lily James) sobre seu irmão morto durante a guerra ou mostra sua insegurança diante do Rei George Vi (Ben Mendelsohn).

"O Destino De Uma Nação" pode se tornar empolgante à primeira vista, com a caracterização de Gary Oldman ou até mesmo por suas cenas em ambientes londrinos e edição impactante com corpos de soldados mortos guiando um mapa em Dunkirk, mas certamente não é um filme para ficar registrado em nossas memórias.