Correio do Povo | Notícias | "Nasce Uma Estrela" aposta no amor dentro da música, mas falta paixão em cena

Porto Alegre

25ºC

Ver a previsão completa

Porto Alegre, segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018

  • 11/10/2018
  • 07:14
  • Atualização: 07:58

"Nasce Uma Estrela" aposta no amor dentro da música, mas falta paixão em cena

Filme marca a estreia de Lady Gaga como protagonista e Bradley Cooper na direção

Nasce Uma Estrela é protagonizado por Bradley Cooper e Lady Gaga | Foto: Reprodução / CP

Nasce Uma Estrela é protagonizado por Bradley Cooper e Lady Gaga | Foto: Reprodução / CP

  • Comentários
  • Lou Cardoso

"Nasce Uma Estrela" chega aos cinemas nesta quinta-feira, trazendo, pela quarta vez, a história mais clássica de Hollywood. Após ser estrelado por Janet Gayner em 1937, Judy Garland em 1954 e Barbra Streisand em 1976, agora é a vez de Lady Gaga ter o seu grande momento nas telonas. Gaga é Ally, uma jovem garçonete que se divide entre o emprego e os palcos de um bar de drag queens.

Em uma noite, o cantor country Jack Maine (Bradley Cooper) visita a casa noturna e fica encantado com a performance sedutora de Ally com a música La Vie En Rose, de Edith Piaf. Jack enxerga um brilho especial e batalha para convencer a jovem a expor o seu talento para o mundo. Não demora muito para o casal se apaixonar e para que Ally conquiste o merecido sucesso na carreira musical. Porém, enquanto a estrela de um nasce, a do outro começa a perder o brilho. 

O filme é dirigido por Bradley Cooper, que arriscou-se no comando de uma refilmagem que carrega um histórico de ouro em Hollywood. O esforço é evidente, mas nenhum pouco criativo. Cooper parece espelhar-se demais no último remake de "Nasce Uma Estrela" de Frank Pierson e não tenta deixar a sua marca artística como diretor. O roteiro, que também ficou nas mãos dele ao lado de Eric Roth e Will Fetters, não aproveita elementos contemporâneos o suficiente para modernizar o enredo, os conflitos e tampouco a base dos protagonistas. 

Sem a devida renovação, a montagem também fica prejudicada porque parece querer correr com o tempo e inserir situações sem muito contexto, o que não dá ao público a oportunidade de absorver por completo a ideia do filme. Isso já não acontece nas cenas musicais que são, sem dúvida, as melhores do longa. 

Lady Gaga, em si, é uma personagem na música pop, com méritos reconhecidos como artista e como figura pública. Em "Nasce uma Estrela", porém, é difícil enxergar uma separação entre Gaga e a personagem. Sem muita complexidade na sua história, Ally é uma simples jovem trabalhadora que se jogou em uma oportunidade e, a partir daí, tudo parece fluir a seu favor.   

Logo, Gaga não tem muito o que desenvolver dentro do papel a não ser o óbvio. Nas cenas de brigas com Jack ou de confronto com seu empresário, a atriz não destrava a explosão ou a intensidade que o momento precisa. A ingenuidade de Ally não condiz em nada com o empoderamento e agressividade que a personagem apresenta no início do filme.

Já Bradley Cooper é quem realmente brilha em cena. Literalmente, o filme é dele. Um famoso cantor alcoólatra e viciado em drogas já é um clichê básico dos cinemas. Se nos dois primeiros "Nasce Uma Estrela", o cinema era o cenário do romance, nas duas últimas refilmagens, a indústria da música foi escolhida para ser o pano de fundo. Desta vez, o country é quem embala o drama do famoso casal de músicos. 

No filme, Jack tem muita dor acumulada e com muitos conflitos familiares, sendo que um deles é com o irmão mais velho, interpretado por Sam Elliot. A personagem de Cooper possui diversos conflitos interessantes, mas que são contados pela metade. Por conta disso, a entrega do ator em cena é enorme e transparente e o que fica ainda mais latente é seu talento musical. Bradley Cooper é um cantor de valor e suas parcerias com Lady Gaga são maravilhosas de ouvir.

"Nasce Uma Estrela" é uma história requentada e que não se propõe a ir além com o tanto de material que tinha em mãos. O filme tenta ser uma breve crítica ao mercado da música, que facilmente descarta quem não o agrada mais e consegue transformar em consumo pop qualquer pessoa, ainda que de forma superficial e chantagista. O amor entre Ally e Jack, tanto ecoado nas músicas, parece ser mais sincero dentro da trilha sonora do que em cena. A relação parece ser ensaiada em demasia. O longa foi uma estreia segura para Bradley Cooper como direto e para Lady Gaga como protagonista. É justo apontar a produção como uma história de amor para se entreter, mas faltou a velha e boa paixão para permanecer na memória. 

Confira o trailer: