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  • 10/05/2018
  • 17:29
  • Atualização: 17:52

Cinema LGBT ganha terreno no Festival de Cannes

Franck Finance-Madureira, organizador da Queer Palm, afirma que este ano há o dobro de filmes com a temática no evento

"Plaire, aimer et courir vite", do francês Christophe Honoré, foi apresentado nesta quinta-feira em Cannes | Foto: Divulgação / CP

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  • AFP

Do francês "Plaire, aimer et courir vite" ao espanhol "Carmen y Lola", o Festival de Cannes aborda este ano mais do que nunca a homossexualidade, com uma quinzena de filmes que mostram que a temática é tratada cada vez com mais normalidade. No ano passado, o francês "120 batimentos por minuto", com o argentino Nahuel Pérez Biscayart, sobre a luta de uma associação contra a aids ganhou o Grande Prêmio do Júri e foi um sucesso de bilheteria.

"Uma etapa foi superada: acabaram enfim os filmes sobre 'sair do armário' e este 'doloroso problema' da homossexualidade. É gratificante!", afirma o crítico Franck Finance-Madureira, organizador da Queer Palm, prêmio independente que recompensa um filme que gire em torno da temática LGBT entre todos os apresentados em Cannes.

Na competição pela Palma de Ouro, "Plaire, aimer et courir vite", do francês Christophe Honoré, apresentada nesta quinta-feira, conta a relação amorosa entre um jovem estudante e um escritor nos anos 1990, com a epidemia de aids de fundo. Também na competição, o francês Yann Gonzalez apresenta "Un couteau dans le coeur", coproduzido por México, um thriller protagonizado por Vanessa Paradis, onde ela interpreta uma produtora de filmes pornô gay.

O argentino "El ángel", de Luis Ortega, baseado na vida do assassino em série Carlos Robledo Puch, presente na seção Um Certo Olhar, também é um dos candidatos à Queer Palm. Nesta seção também está "Rafiki", o primeiro filme queniano selecionado em Cannes. Censurado em seu país, este filme conta a relação amorosa entre duas meninas muito jovens em um entorno muito conservador. Esta história se repete no filme espanhol "Carmen y Lola", obra-prima de Arantxa Echevarría, mas desta vez em plena comunidade cigana. Programado para a seção paralela da Quinzena dos Realizadores, o filme destaca o conservadorismo dentro das famílias ciganas.

Os filmes que abordam esta temática, no entanto, não têm que ter uma "identidade especial" devido à sexualidade de seus personagens, considera o diretor francês Christophe Honoré. "É algo que tem que ser superado. Quando se trata da sexualidade da maioria, esta questão não é colocada, mas com uma história de amor entre dois homens sim", afirma o cineasta.

Para a produtora francesa Sylvie Pialat, presidente do júri desta edição da Queer Palm, "a homossexualidade é cada vez menos o tema principal dos filmes LGTB. Alain Guiraudie ("Um estranho no lago"), que eu produzo, foi um dos primeiros a defender personagens para além da sua orientação sexual. É simplesmente o reflexo da vida", afirma.

Embora o Festival de Cannes acolha filmes que giram em torno à homossexualidade há bastante tempo, "este ano há o dobro de filmes LGTB que normalmente", observa Franck Finance-Madureira. Um dos momentos-chave foi em 2013, quando "Azul é a cor mais quente" obteve a Palma de Ouro, junto a suas duas protagonistas, Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos. Sobre esta história de amor entre duas meninas, com um forte conteúdo sexual, Finance-Madureira comenta que suas cenas de sexo "fazem as lésbicas rirem muito, por sua falta de realismo!". Naquele ano, a Queer Palm foi para "Um estranho no lago", de Guiraudie.