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  • 25/08/2018
  • 11:12
  • Atualização: 22:05

"O Avental Rosa" exagera no sentimentalismo e formato novelesco

Longa foi exibido na noite dessa sexta-feira no 46° Festival de Cinema de Gramado

Cyria Coentro e César Troncoso durante cena de

Cyria Coentro e César Troncoso durante cena de "O Avental Rosa" | Foto: Divulgação / CP

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  • Lou Cardoso

"O Avental Rosa" iniciou a última noite da Mostra Competitiva do 46° Festival de Cinema de Gramado nessa sexta-feira. O longa dirigido por Jayme Monjardim também foi o último a entrar na lista da disputa após substituir “Correndo Atrás”, de Jeferson De, por causa de conflitos de regulamento do evento. O próprio diretor definiu este filme como sua produção mais autoral e pessoal. Na tela, acompanhamos Alice (Cyria Coentro), uma mulher solitária de 50 anos que trabalha como voluntária com pacientes terminais. Sem ter tempo para tomar conta de si, Alice dedica-se especialmente com o mundo ao seu redor sem esperar nada em troca. Ao conhecer Rafael (Bruno Cabreizo), um rapaz com HIV positivo, ela começa a refletir sobre a sua vida.

Filmado boa parte em Porto Alegre, o longa explora diversos pontos conhecidos dos gaúchos e exibe belos cenários criados para poetizar a história. Porém, é inegável que o diretor não consegue abandonar o formato novelesco na tela grande. "O Avental Rosa" parece ser uma extensão da televisão e transformado em uma versão cinematográfica devido aos vícios estilísticos que Monjardim utiliza na narrativa. Close-Up são usados intensamente, assim como os fade-in e fade-out, os diálogos melosos, as brigas familiares entre Alice e a irmã interpretada por Tânia Bondezan, enfim, tudo o que já foi visto em uma novela brasileira.

Alice não parece ter grandes conflitos internos, a não ser a sua dedicação ao bem-estar dos outros. Solitária, ela só vai ter um momento de despertar depois que um dos seus pacientes a elogia e, com uma conversa boba, consegue levantar a autoestima da mulher. Quando Alice explora a sua feminilidade, o filme perde-se num clima parecido com uma propaganda de perfume interminável. A intenção de valorizar a personagem é válida, visto que ela nunca espera recompensas pelos seus atos, mas feito de forma totalmente antiquada.

O elenco também se torna refém destes elementos novelescos. Américo (César Troncoso) é apaixonado por Alice e tenta aproximar-se da personagem com suas atitudes cafonas. A irmã é a tentativa de ser o alívio cômico, mas só sabe gritar e criticar Alice afirmando que estes gestos são de amor. Já a protagonista parece sofrer remorso pela morte do ex-marido e por isso trabalha como voluntariada em hospitais. Contudo, esta história pessoal da personagem, que poderia ser um gancho interessante, morre no instante em que é levantado. O papel do galã fica para Bruno Cabrerizo. Ele é internado pelos pais e recebe os cuidados de Alice, com quem cria laços sentimentais. A dupla é responsável pelos momentos mais bregas do filme.

"O Avental Rosa" tem uma mensagem bonita, mas funciona de forma exagerada no sentimentalismo e antiquada para o momento. Além de ser controversa em determinado ponto. Em tempos em que a criatividade é fundamental para inspirar os outros, a solidariedade não deveria vir embalada em uma caixinha do passado.

O filme não tem nada de lançamento.