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  • 25/08/2018
  • 23:27
  • Atualização: 23:08

"Ferrugem" é o principal vencedor do 46° Festival de Cinema de Gramado

Longa dirigido por Aly Muritiba conquistou três Kikitos na noite desse sábado

"Ferrugem", de Aly Muritiba, é o principal vencedor da noite em Gramado | Foto: Halder Ramos / Especial / CP

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  • Lou Cardoso

"Ferrugem" conquistou o principal prêmio do 46° Festival de Cinema de Gramado na noite deste sábado, no Palácio dos Festivais. O longa de Aly Muritiba conquistou os Kikitos de Melhor Filme de longa-metragem brasileiro, Roteiro e Desenho de Som. O diretor comemorou a vitória e reforçou para que haja conscientização entre os jovens contra o bullying, tema central do seu filme. "Mostrar o filme no Brasil, com esta onda conservadora, poder discutir estes assuntos e sair premiado é especial e genial. Quero dedicar este prêmio para os meus filhos. Eles serviram como motivo para realização de 'Ferrugem' e dedico também para a sua geração, que é sobre o que nosso filme fala", agradeceu Muritiba.

Premiado por Melhor Direção por “A Voz do Silêncio”, André Ristum dedicou o prêmio para equipe declarando que não existiria sem o elenco que formou. “Fazia tempo que sonhava em levar este Kikito para casa. Faz 46 anos que penso nisso. Quero compartilhar o prêmio com todos que fizeram este filme comigo. É um filme que conta história de pessoas que se entregaram totalmente. Foi um resultado incrível, disse Ristum.

Karine Teles, de “Benzinho”, e Osmar Prado, de “10 Segundos Para Vencer”, foram consagrados com os Kikitos de Melhor Atriz e Ator, respectivamente. Emocionado, Prado agradeceu à família Jofre, na qual o longa é inspirado.“Eu tenho 60 anos e é a primeira vez que concorro a um prêmio de Melhor Ator. Eu não tenho palavras. Kid Jofre veio pra mim de forma inusitada. Não pode existir Osmar sem Daniel e vice-versa”, afirmou.

Karine agradeceu o prêmio à sua família que faz parte do filme, como seus filhos gêmeos e o ex-marido, o diretor do filme, Gustavo Pizzi. “Este prêmio é dedicado a duas pessoas que são minha energia vital, meus filhos. Para as mulheres que fazem o mundo andar pra frente. 'Benzinho' é sugestão, e a gente sugere que se caminhe pra frente e enfrente os problemas com amor. A gente precisa ter amor”, discursou.

Na categoria dos estrangeiros, o destaque ficou pela premiação tripla em Melhor Atriz para Ana Brun, Margarita Irun e Ana Ivanova por “Las Herederas”. Com isso, o longa paraguaio somou, no total, oito Kikitos. Ana Brun, uma das vencedoras de Melhor Atriz, brincou com o acumulado de troféus: “Não sei como vou levar tudo isso embora.".

O palco foi espaço de protesto para os realizadores. Devido ao novo edital da Ancine, que mudou o sistema de ranqueamento e a pontuação de cineastas, produtoras e distribuidoras, muitos diretores vestiram a camiseta com a frase “Ancine Eu Existo” e pediram à produção de curtas-metragens no Brasil. 

Houve também crítica contra a política brasileira. Otto Guerra juntou-se a fala de Osmar Prado e juntos pediram a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Eu quero fazer coro à reivindicação da Ancine para o pessoal dos curtas. E também pelo estabelecimento do estado democrático deste País”, falou Prado em meio a vaias e aplausos.

A premiação também aconteceu na Rua Coberta, principal acesso para o Palácio dos Festivais, onde o público acompanha a entrada dos cineastas e artistas ao som da banda Yangos. Lá foram anunciados premiados do júri popular. Com a trilha sonora embalada pela banda“50 Tons de Preta”, o Festival entregou 37 prêmios distribuídos, entre Kikitos, prêmios da crítica, do júri popular e prêmios especiais. Também está incluído na conta o Prêmio Canal Brasil de Curtas.

Confira a lista dos premiados: 

Curtas Brasileiros

Melhor Desenho de Som: Fabio Carneiro Leão por “Aquarela”

Melhor Trilha Musical: Manoel do Norte por “A Retirada Para Um Coração Bruto”

Melhor Direção de Arte: Pedro Franz e Rafael Coutinho por “Torre”

Melhor Montagem: Thiago Kistenmacker por “Aquarela”

Melhor Fotografia: Beto Martins por “Nova Iorque”

Melhor Roteiro: Marco Antônio Pereira por “A Retirada Para Um Coração Bruto”

Melhor Ator: Manoel do Norte por “A Retirada Para Um Coração Bruto”

Melhor Atriz: Maria Tujira Cardoso por “Catadora de Gente”

Prêmio Especial do Júri: “Estamos Todos Aqui”, de Chico Santos e Rafael Mellin

Prêmio Canal Brasil de Curtas: “Nova Iorque”, de Leo Tabosa

Melhor Filme do Júri Popular: “Torre”, de Nadia Mangolini

Melhor Direção: Fabio Rodrigo por “Kairo”

Longas Estrangeiros

Melhor Fotografia: Nelson Waisntein por “Averno”

Melhor Roteiro: Marcelo Martinessi por “Las Herederas”

Melhor Ator: Néstor Guzzini por “Mi Mundial”

Melhor Atriz: Ana Brun, Margarita Irun e Ana Ivanova por “Las Herederas”

Prêmio Especial do Júri: “Averno”, de Marcos Loayza

Melhor Filme do Júri Popular: “Las Herederas, de Marcelo Martinessi

Melhor Direção: Marcelo Martinessi por “Las Herederas”

Longas Brasileiros

Melhor Desenho de Som: Alexandre Rogoski por “Ferrugem”

Melhor Trilha Musical: Max de Castro e Wilson Simoninha por “Simonal”

Melhor Direção de Arte: Yurika Yamazaki por “Simonal”

Melhor Montagem: Gustavo Giani por “A Voz Do Silêncio”

Melhor Ator Coadjuvante: Ricardo Gelli por “10 Segundos Para Vencer”

Melhor Atriz Coadjuvante: Adriana Estevez por “Benzinho”

Melhor Fotografia: Pablo Baião por “Simonal”

Melhor Roteiro: Jéssica Candal e Aly Muritiba por “Ferrugem”

Melhor Ator: Osmar Prado por “10 Segundos Para Vencer”

Melhor Atriz: Karine Teles por “Benzinho”

Menção Honrosa: “A Cidade dos Piratas”, de Otto Guerra

Melhor Filme do Júri Popular: “Benzinho”, de Gustavo Pizzi

Melhor Direção: André Ristum, por “A Voz do Silêncio”

Prêmios da Crítica

Melhor Filme em Curta-metragem Brasileiro: “Torre”, de Nadia Mangolini

Melhor Filme em Longa-metragem Estrangeiro: “Las Herederas”, de Marcelo Martinessi

Melhor Filme em Longa-metragem Brasileiro: “Benzinho”, de Gustavo Pizzi

Melhores Filmes

Melhor Curta-metragem Brasileiro: “Guaxuma”, de Nara Normande

Melhor Longa-metragem Estrangeiro: “Las Herederas”, de Marcelo Martinessi

Melhor Longa-metragem Brasileiro: "Ferrugem", de Aly Muritiba