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  • 01/09/2018
  • 14:31
  • Atualização: 14:51

Nova versão de "Suspiria" leva o terror ao Festival de Veneza

Produção recebeu vaias e aplausos em sua exibição para a imprensa

O filme mistura muitas histórias em um ambiente sombrio dos anos 1970 da Alemanha | Foto: Divulgação / CP

O filme mistura muitas histórias em um ambiente sombrio dos anos 1970 da Alemanha | Foto: Divulgação / CP

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  • AFP

A nova versão do filme "Suspiria", dirigida pelo italiano Luca Guadagnino, com muito sangue, tripas, bruxas modernas e números de dança, levou o terror neste sábado ao Festival de Cinema de Veneza. O primeiro filme italiano na disputa pelo Leão de Ouro recebeu vaias e aplausos em sua exibição para a imprensa, com polêmicas e elogios às atuações de suas estrelas: Dakota Johnson e Tilda Swinton, uma no papel de bailarina e a outra como a coreógrafa de uma misteriosa e prestigiosa companhia de dança contemporânea.

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"Era fundamental que a dança não fosse um engano como diria a senhora Blanc, mas que também fosse um personagem, com sua linguagem, uma linguagem que é transcendental e mágica", explicou Guadagnino, diretor de "Me Chame Pelo Seu Nome", vencedor do Oscar de roteiro adaptado este ano.

Com alguns minutos intensos de dança contemporânea, nos quais os corpos das bailarinas interpretam a guerra interna que vivem, o filme mistura muitas histórias em um ambiente sombrio dos anos 1970 da Alemanha, com uma bela direção de arte. A dança, as mulheres vistas como bruxas modernas e o sangue que jorra de tripas abertas integram a iconografia da nova versão do filme.

O original, de 1977, foi dirigido pelo mentre do terror Dario Argento. "Vi o filme de Argento quando tinha 14 anos e me marcou profundamente", admitiu Guadagnino. As cenas de ossos quebrados e muito sangue também marcaram a protagonista Dakota Johnson. "Eu sou uma pessoa que absorve os sentimentos daqueles ao meu redor e quando trabalho em questões sombrias, eu coloco tudo isso na pele", disse.

O filme é ambientado em uma fria e triste Berlim no final de 1977, entre atentados do grupo RAF, as obscuras recordações do nazismo, o auge da psicanálise e as lutas de poder dentro da companhia de dança feminina.

Considerado um exercício de cinema pelas cenas sádicas, em alguns momentos de modo gratuito, não é possível descartar que a fábula com cenas desagradáveis possa convencer o presidente do júri, o mexicano Guillermo del Toro, que venceu o Leão de Ouro e o Oscar com "A Forma da Água", outra fábula repleta de símbolos.

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"É um filme corajoso e isso é importante", afirmou Tilda Swinton, perfeita em seu papel, uma espécie de homenagem a grandes coreógrafas como Pina Bausch e Marta Graham.

Guadagnino, que estabelece um paralelo no filme entre a companhia de dança e a liberação das mulheres, reconheceu que com o movimento #MeToo as mulheres superaram uma barreira da qual não há retorno. "Suspiria foi rodado antes dos protestos, mas gostaria de acreditar que no meu trabalho, tanto agora como no futuro, não domino o desejo de abusar do outro com o próprio poder", disse.