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Porto Alegre, terça-feira, 13 de Novembro de 2018

  • 11/09/2018
  • 14:49
  • Atualização: 14:56

“Roma” e México no TIFF

Filme de Alfonso Cuarón agora ganha tela de Toronto

Filme de Alfonso Cuarón agora ganha tela de Toronto | Foto: Rodin Eckenroth / Getty Images / Divulgação / CP

Filme de Alfonso Cuarón agora ganha tela de Toronto | Foto: Rodin Eckenroth / Getty Images / Divulgação / CP

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  • Marcos Santuario

Depois de mergulhar no espaço sideral com “Gravidade”, que venceu inclusive sete prêmios Oscar, Alfonso Cuarón segue provocando as plateias, agora com o filme “Roma”, aqui no 43º Festival Internacional de Cinema de Toronto (Tiff), a antessala do Oscar. Assisti ao filme na manhã desta terça feira, em uma das confortáveis salas do complexo Scotiabank lotada, e filas fora para as próximas sessões. Mais de duas horas de projeção em preto e branco, com a delicadeza e a potência de quem quer contar, e sabe, aquelas lembranças mais fortes de sua vida.

Cuarón agora vai ao espaço interior. No âmago da família de classe média mexicana do início dos anos 1970. Mas vai ainda mais fundo. Nas lembranças familiares infantis, incluindo o protagonismo de uma babá sempre presente na narrativa impactante da história. Momentos intensos, alguns até excessivos, cuja ausência não problematizaria a aceitação da obra e os muitos aplausos que se fazem necessários ao final da projeção nos festivais.

Na tela de Cuarón surgem os conflitos familiares, que foram se tornando cada vez mais comuns nas épocas atuais, e também as vivências sociais e políticas em um México efervescente, que deixou marcas importantes nas memórias de quem as viveu. A humanidade da narrativa e ainda mais a verdade dos personagens, sem nenhum ator já projetado pela cinematografia mexicana ao mundo, podem criar ainda mais empatia com as dolorosas situações, amplificadas por uma trilha sonora envolvente e por uma edição de som magistral.

Não por acaso o filme saiu vitorioso da edição deste ano do Festival de Veneza. Mesmo que o presidente do júri do festival italiano tenha sido o compatriota de Cuarón, o também oscarizado Guillermo del Toro, impossível não curvar-se diante da capacidade cinematográfica de contar uma história que sai de dentro de uma casa e alcança o coração do espectador. Palmas para este outro mexicano que vem mostrar a força deste cinema vivencial, real e que vai ao fundo da alma. Mas não espere sair da tela um George Clooney ou uma Sandra Bullock. Os atores são tão invisíveis no glamour cinematográfico atual, quanto seus personagens mais humildes.