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  • 02/01/2018
  • 09:00
  • Atualização: 09:05

Museu de Amsterdã inaugura projeto expográfico de Rem Koolhaas

Peças estão espalhadas em paredes de aço para propor conexões inesperadas ao público

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O principal museu de arte moderna e contemporânea da Holanda acaba de inaugurar uma exposição que marca uma

guinada na forma com a qual seu acervo é apresentado para o público. Base exibe 700 peças-destaque da coleção do Stedelijk em paredes de aço espalhadas de maneira aparentemente arbitrária por dois andares inteiros. Mas a aleatoriedade é apenas ilusória e tem uma razão de ser. A ideia do novo projeto expográfico é propor aos visitantes um percurso aberto, em que o público estabeleça conexões inesperadas entre as obras.

A tradicional divisão em salas do museu, onde os trabalhos são mostrados de maneira linear em uma sucessão de "cubos brancos", dá lugar a paredes finas e de tamanhos variáveis. Nestas estruturas de aço, as obras estão suspensas em alturas diversas, não necessariamente na linha do olho. "Queríamos criar narrativas não lineares. O novo sistema foca nas obras como se elas estivessem em rede, no sentido de que elas não falam por si, mas sim em relação a outras

peças", afirma a cocuradora Margriet Schavemaker, em entrevista concedida na sede do Stedelijk, no centro de Amsterdã.

O conceito da mostra foi desenvolvido pela ex-diretora do museu, Beatrix Ruf, em parceria com o arquiteto holandês Rem Koolhaas - vencedor do prêmio Pritzker - e seu colega italiano Federico Martelli. Schavemaker explica que a cidade e a internet são metáforas que guiaram Koolhaas no desenvolvimento dos displays, já que ambas proporcionam encontros casuais.

"Na cidade, você caminha e encontra praças grandes, becos pequenos, você cria conexões que de alguma forma estão em fluxo. Na internet, quando as pessoas fazem uma busca elas se deparam com uma 'nuvem' de trabalhos e ideias relacionados". Base é uma resposta às novas maneiras de consumo de imagens trazidos pela rede de computadores.

A exposição fica em cartaz por cinco anos e ocupa dois terços do museu. No andar inferior estão trabalhos produzidos entre 1880 e os anos 1970; no superior, arte da década de 1980 até os dias atuais.

Há não só uma mistura de diversas técnicas - pintura, fotografia, escultura, instalação, design - como também uma combinação de nomes internacionalmente consagrados com o cânone local. Isso significa que Paul Cézanne, Marc Chagall, Andy Warhol, Keith Haring e Jeff Koons são apresentados ao lado de artistas holandeses menos conhecidos pelo público, como a pintora Suze Robertson e os fotógrafos Ed van der Eldsken e Rineke Dijkstra.

A iniciativa do Stedelijk guarda duas semelhanças com a volta dos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi para o Masp, em 2015. A mais óbvia é o abandono de expografias tradicionais, em que o público vê as obras com decoro e distanciamento. "A crítica ao cubo branco, do modelo tradicional modernista de se expor arte numa galeria branca, supostamente neutra, livre de interferências do mundo exterior, é algo que vem sendo cada vez mais posto em prática por museus no mundo todo", concorda Adriano Pedrosa, diretor artístico do Masp.

A segunda é que, em ambos os casos, não há ordem certa para que as mostras sejam apreciadas - os visitantes são estimulados a circularem livremente pelas galerias, fazendo o seu próprio percurso. No caso do museu holandês, a curadoria definiu zonas temáticas que organizam a miríade de trabalhos à mostra. Os perímetros das galerias funcionam como linhas do tempo, com obras expostas em ordem cronológica. Dentro, ilhas divididas por assuntos possibilitam uma visita mais errática.

No primeiro andar, pode-se ir do Expressionismo Abstrato a um conjunto de retratos da 2.ª Guerra Mundial, passando pelo mobiliário de linhas retas do De Stijl. No segundo, as obras estão agrupadas por palavras-chave, como globalização" e "Aids". Ligando ambos os pisos, um site specific da americana Barbara Kruger envelopa as paredes com frases de ordem, em uma obra visualmente poderosa - e que parece pronta para o Instagram.