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  • 05/03/2018
  • 17:41
  • Atualização: 23:00

"Não Abafa o Caso" aborda agressões sofridas pelas mulheres

Exposição é desenvolvida pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e Direitos Humanos com o Hospital Fêmina

Mostra está instalada no saguão do Hospital Fêmina | Foto: Mauro Schaefer

Mostra está instalada no saguão do Hospital Fêmina | Foto: Mauro Schaefer

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  • Franceli Stefani

Uma exposição que vai além do olho roxo, além de marcas na pele, mas que mostra ferimentos disfarçados em dores de cabeça, coração apertado e solidão. Desenvolvida pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul, foi inaugurada na tarde desta segunda-feira a exposição "Não Abafa o Caso", que fala sobre as agressões sofridas pelas mulheres das mais distintas formas, tanto a física quanto a psicológica.

Instalada no saguão do Hospital Fêmina, é uma manifestação artística que leva o público à reflexão sobre as marcas deixadas pela violência. A paciente Jéssica de Vargas, 32 anos, contou que aprovou a iniciativa. "Eu conheço pessoas que foram vítimas de agressão, mas não tiveram coragem de denunciar. Vendo as fotos, eu imagino o medo e a dor que ela sentiu", declarou ela, enquanto aguardava atendimento.

A diretora do Departamento de Políticas Públicas para Mulheres no Rio Grande do Sul, Salma Farias Valêncio, comentou que a atividade abriu as comemorações da Semana da Mulher. "As peças são frutos de uma parceria e mostra os sinais invisíveis, não apenas os cortes vistos diariamente. Aqui no Fêmina existe acolhimento e um serviço de referência no Estado, que nem todas conhecem", expressou ela, que contou que ao olhar para os retratos é possível ver o olhar firme feminino, de superação. De acordo com ela, todas as dores são provocadas pela violência, que muitas vezes estão dentro de casa. "Essa mostra é itinerante, ou seja, não vai parar por aqui e vai estar exposta em outros pontos."

Feliz com a movimentação e com o resultado, a gerente administrativa do hospital, Denise Jornada Braga, detalhou que a unidade tem uma comissão de atendimento e assistência de vítimas de abusos sexuais. "As taxas de sub-registros são elevadas, estatísticas apontam que maioria dos abusadores moram com as vítimas. Pesquisas também apontam que 18 meninas são violentadas por dia no Brasil. Aqui tentamos acolher cada uma que nos procura, mas infelizmente o medo ainda prevalece", ponderou. Conforme a gerente, ainda há muito desconhecimento quanto ao acolhimento realizado pelo hospital. "Ressaltamos que todo o nosso atendimento é sigiloso, vamos desde a orientação até mesmo casos de abortos legais, conforme a legislação prevê. Aqui a mulher tem acolhimento e todos os cuidados necessários. Queremos que elas saibam que não estão sozinhas e têm quem cuida delas."

De acordo com a defensora pública Diana Rodrigues da Costa, dirigente do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública do Estado, informou que muitas mulheres não têm nem consciência que estão sofrendo e, outras vezes, não sabem onde buscar ajuda. "Uma exposição como essa é importante faz a pessoa pensar sobre o que está acontecendo com ela ou então faz ela pensar o que está acontecendo com o vizinho, com o parente, com a irmã que pode ser estar nesta situação", salientou.