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  • 08/03/2018
  • 17:03
  • Atualização: 17:44

Pela primeira vez, objetos pessoais de Frida Kahlo serão exibidos fora do México

Victoria and Albert Museum, em Londres, foi o local escolhido para expor mais de 200 peças

Objetos foram trancados na casa da artista após sua morte | Foto: Nickolas Muray / Divulgação / CP

Objetos foram trancados na casa da artista após sua morte | Foto: Nickolas Muray / Divulgação / CP

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Roupas, joias, maquiagens, uma prótese de couro e autorretratos pertencentes a Frida Kahlo, mantidos fechadas em sua casa por mais de 50 anos, serão exibidas pela primeira vez fora do México. O local escolhido para expor mais de 200 peças de uma das mulheres mais reconhecidas do século XX foi o Victoria and Albert Museum, em Londres, que realizará uma mostra com os itens entre 16 de junho e 4 de novembro. Claire Wilcox, curadora de moda da instituição destacou que a artista mexicana era um importante "símbolo contracultural e feminista" e que exibir os itens em primeira mão é "um grande privilégio".

Depois que Frida morreu em 1954, aos 47 anos, seu marido Diego Rivera trancou os pertences em uma sala e disse que não deveria ser aberto até depois da morte dele.  Não foram vistos até 2004, quando revelaram um fascinante tesouro de bens íntimos que ajudaram a moldar sua identidade inconfundível. "Esta é a verdadeira evidência material da forma como Kahlo construiu sua identidade", disse Claire em um comunicado. Intitulada "Frida Kahlo: Making Her Self Up", a mostra explorará como a artista se capacitou através de sua arte, roupas e estilo depois de uma vida difícil e precoce: com 18 anos, sofreu um acidente de ônibus quase fatal que a deixou com dores para sempre.

A exposição abre com uma "introdução à juventude de Frida com seu pai alemão e mãe mexicana, e mostra sua descoberta da política e do comunismo, sua rejeição do catolicismo, seu acidente quase fatal em sua adolescência e seu encontro com Diego", explicou a curadora à revista Vogue. A atração continua explorando o significado do México no final da década de 1920, como o país estava redescobrindo suas raízes pré-colombianas e por que sua decisão de usar roupas tradicionais nativas era tanto uma declaração política quanto uma fidelidade à história mexicana. "Termina com roupas coloridas e alegres de que ela é conhecida, e seu amálgama de traços tradicionais mexicanos com roupas da Europa", acrescentou.

A relação de Frida com a moda se desenvolve ao longo da retrospectiva. "Ela ficou atraída pela forma como as mulheres extraordinárias da sociedade matriarcal no estado mexicano de Oaxaca se vestiram, por múltiplos motivos. Uma era política - eram mulheres orgulhosas que tinham certa dignidade. Ela podia se vestir de uma forma extravagante para se disfarçar, e quanto mais ela se acostumava, mais ela se vestia. Apresentou uma construção que era inteiramente sua e não tinha semelhança com nenhuma mulher. Então ela se destacou, assim como ela se destaca agora", analisou Claire.

Como artista, Frida usou sua roupa como uma metáfora de sua identidade mista. Em uma pintura, que será exibida, ela se veste em um terno de homem com os cabelos cortados no chão, como um símbolo de seu casamento. Em outros autorretratos, ela pinta todos os cabelos na tela. A mostra em Londres incluirá espartilhos de gesso que ela teve que usar para suportar suas costas e que ela individualizou, decorando-as. Um caracteriza um martelo e uma foice, refletindo suas visões comunistas, e o outro um feto, presumivelmente porque não podia ter filhos.

"Seu rosto é atemporal, cativante, carismático. Ela não era particularmente famosa como pintora na época, mas ela era uma celebridade fotogênica. À medida que o poder de sua arte aumentou ao longo das décadas, o poder de sua imagem foi disseminado pela internet, cada vez mais pessoas a reconhecem como uma mulher forte", argumentou a curadora. Par Claire, o objeto mais atrativo é "um colar feito de miçangas pré-colombianas de antigas escavações e túmulos". "Em uma das contas de jade, há uma pequena tinta verde, onde ela tentou meticulosamente combinar as cores. Esta evidência material mostra que, como artista e mulher, ela considerou sua aparência como uma ferramenta poderosa, algo que ainda ressoa hoje", finalizou.