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  • 10/10/2017
  • 16:59
  • Atualização: 20:41

Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow acusam produtor de Hollywood de assédio sexual

Harvey Weinstein foi demitido no último domingo após denúncias

Jolie relatou caso de assédio em 1999 | Foto: Divulgação / CP

Jolie relatou caso de assédio em 1999 | Foto: Divulgação / CP

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  • Correio do Povo e AFP

Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow reforçaram o time de mulheres que acusam o produtor cinematográfico Harvey Weinstein de assédio sexual. Em relatos publicados nesta terça-feira pelo jornal New York Times, elas lembraram dos casos que ocorreram nos anos 1990. Weinstein foi demitido do próprio estúdio no último domingo após a mesma publicação informar, na semana passada, que ele fez pelo menos oito acordos com mulheres envolvendo "assédio sexual e contato físico indesejado".

Jolie contou que foi assediada pelo produtor em um quadro de hotel durante a divulgação do filme "Corações Apaixonados", em 1999. "Eu tive uma experiência ruim com Harvey Weinstein na minha juventude, e como resultado, escolhi nunca trabalhar com ele de novo e avisar a outras pessoas disso. Esse comportamento contra mulheres em qualquer área e em qualquer país é inaceitável", afirmou a atriz e cineasta à publicação.

Já Paltrow disse que Weinstein a assediou quando ela tinha 22 anos, na época em que foi contratada para o filme "Emma" (1996). Conforme relatou, ela foi convocada para encontrar o produtor na suíte de um hotel antes do início das gravações do longa. Na ocasião, ele a tocou e sugeriu que eles fossem fazer massagens. "Eu era uma criança, tinha acabado de assinar o contrato e fiquei petrificada", falou.

Paltrow ainda declarou que recusou as investidas do produtor e que chegou a ser ameaçada por ele após contar o ocorrido a Brad Pitt, que era seu namorado na época e teria confrontado Weinstein. "Eu achei que ele fosse me demitir (...) Ele gritou comigo por muito tempo. Foi brutal", contou a atriz. O ator confirmou o relato ao New York Times. Segundo Gwyneth, ao longo de sua carreira, as atitudes de Harvey com ela eram, por vezes, "generosas, apoiadoras e de defesa", com "bullying e punição".

As atrizes Rosanna Arquette, Katherine Kendall, Dawn Dunning e Judith Godrèche também relatam assédios na matéria publicada nesta terça pelo New York Times. Já a revista New Yorker apresentou o relato da atriz italiana Asia Argento e outras duas mulheres, que também acusam o produtor de Hollywood  tê-las estuprado.

De acordo com a publicação, as acusações dessas mulheres contra Weinstein incluem sexo oral indesejado e sexo oral e completo forçado. O produtor nega as acusações, de acordo com uma declaração de sua porta-voz, Sallie Hofmeister, que circula na imprensa americana.

O colunista da New Yorker Ronan Farrow passou 10 meses entrevistando 13 mulheres que disseram terem sido assediadas ou estupradas por Weinstein. Argento, de 42 anos, filha do cineasta Dario Argento, afirmou que Weinstein a forçou a fazer sexo oral nele há 20 anos. Ela contou à revista que manteve silêncio até agora por medo de Weinstein.

Lucia Evans, uma aspirante a atriz, contou ter conhecido Weinstein no escritório da Miramax em Nova Iorque em 2004 e que ele a forçou a fazer sexo oral nele. "Eu tentei me desvencilhar, mas talvez não com força suficiente. Não queria lutar", relatou.

Outra mulher, que pediu para não ser identificada, afirmou à revista que Weinstein a coagiu em um hotel. Ela relata o "horror, descrença e vergonha" que sentiu e diz ter pensado em ir à Polícia, mas acabou desistindo por acreditar que seria sua palavra contra a dele.

Sobre este escândalo, a ex-candidata democrata à Casa Branca Hillary Clinton reagiu nesta terça-feira, dizendo-se chocada com as revelações de abuso sexual relacionadas ao produtor que financiou suas campanhas eleitorais e as de outros democratas. "Estou chocada e horrorizada com as revelações sobre Harvey Weinstein", afirmou Clinton, considerando que "o comportamento descrito pelas mulheres" que foram vítimas "não pode ser tolerado".

O silêncio da ex-candidata à Presidência, assim como o do ex-presidente e colega de partido Barack Obama, havia sido alvo de críticas por parte da direita americana, que acusa os democratas de hipocrisia. Obama ainda não se manifestou sobre o assunto. Harvey Weinstein fazia doações regulares para o Partido Democrata e seus candidatos, e organizou várias recepções para arrecadar fundos para as campanhas de Hillary Clinton e Obama.