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  • 31/01/2018
  • 13:48
  • Atualização: 14:40

Morre aos 94 anos o poeta e documentarista israelense Haim Gouri

Ele era considerado um ícone da cultura nacional e teve várias obras adaptadas como canções

"The 81st Blow", seu filme sobre o Holocausto, foi nomeado para um Oscar | Foto: Reprodução / CP

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  • AFP

Haim Gouri, o poeta israelense que lutou em uma unidade de combate de elite, cobriu o julgamento de Adolf Eichmann e tornou-se um ícone nacional, morreu na quarta-feira aos 94 anos, informou sua família. Ele publicou mais de 20 livros e lutou na guerra árabe-israelense de 1948 e serviu como um oficial de reserva na Guerra dos Seis Dias de 1967. Após o Holocausto, foi enviado para a Europa para ajudar os refugiados judeus a migrar para o que era então a Palestina sob Mandato Britânico.

Vários de seus poemas foram adaptados como música e se tornaram canções populares em Israel. A cobertura do julgamento do criminoso de guerra nazista Eichmann mais tarde tornou-se um livro "Enfrentando a cabine de vidro". Nascido em Tel Aviv em 1923, Gouri veio de uma família politicamente envolvida: seu pai era parte do Mapai, partido político israelita, social-democrata, sionista trabalhista, de centro-esquerda e que esteve no poder desde a criação do Estado até 1968, quando se transformou no Partido Trabalhista.

Gouri também foi cineasta documental, e seu filme sobre o Holocausto, "The 81st Blow", foi nomeado para um Oscar. Ele recebeu o prestigiado Prêmio Israel em 1988. Em 2011, a França o reconheceu como Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras, com por ter traduzido o trabalho de poetas franceses para o hebraico e estudado na Sorbonne. O presidente israelense, Reuven Rivlin, lamentou a morte de um "poeta nacional, um homem que era um lutador e um intelectual". O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que "seus poemas eram parte da herança de Israel".

Gouri, que estava perto de Yitzhak Rabin, primeiro-ministro israelense assassinado em 1995 por um militante ortodoxo, defendeu a paz com os palestinos. Em uma entrevista À AFP em 2002, ele, no entanto, chamou os atentados suicidas palestinos e outras formas de violência na Segunda Intifada de "abominável". Também reconheceu o sofrimento dos palestinos em 1948, quando milhares fugiram ou foram expulsos de suas casas, mas disse que as lideranças palestinas e árabes escolheram o caminho da guerra.

"Tentei ver a situação com honestidade para minha esposa, filhas e netos", disse ele na entrevista. "Estou certo de que a única maneira de sair dessa situação trágica é que ambos os lados recebam e tranquilizem o outro de sua legitimidade. Ambos os lados são movimentos legítimos, com direitos legítimos", afirmou.


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