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  • 28/12/2018
  • 12:51
  • Atualização: 17:23

Morre o escritor israelense Amos Oz

Autor tinha 79 anos e sofria de câncer

Amos Oz é autor de

Amos Oz é autor de "Rimas da vida e da morte" | Foto: Attila Kisbenedek / AFP / CP

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O célebre escritor israelense Amos Oz, um apaixonado defensor da paz e cuja autobiografia romanceada "Uma história de amor e trevas" se converteu em um sucesso mundial, morreu nesta sexta-feira, aos 79 anos. O anúncio foi feito por sua filha, Fania Oz-Salzberger, pelo Twitter.

"Meu amado pai morreu de câncer, agora mesmo, depois de um rápido declínio, em seu sono e tranquilidade, cercado por pessoas que o amavam. Por favor, respeite nossa privacidade. Eu não posso responder a chamadas. Obrigado a todos que o amavam", escreveu ela, em hebraico.

Amos Oz nasceu em Jerusalém em 4 de maio de 1939, em uma família de origem russa e polonesa. Em 1954, ele mudou seu nome de Klausner para Oz, que em hebraico significa "força, coragem". Após seu serviço militar na Brigada Nahal das Forças de Defesa de Israel, ele estudou filosofia e literatura hebraica na Universidade Hebraica de Jerusalém - no entanto, retornou ao exército durante a Guerra dos Seis Dias de 1967 e a Guerra do Yom Kippur, em 1973.

Na década de 1960, começou a carreira de escritor. Ao longo dos anos, publicou mais de 18 livros em hebraico e centenas de artigos para jornais do mundo todo. Entre suas obras, nas quais aliava literatura com assuntos sociais, também estão títulos como "A Caixa Preta", "Pantera no porão", "Meu Michael" e "Rimas da vida e da morte".

Vencedor do prestigioso Prêmio Goethe 2005 na Alemanha, também ganhou o Prêmio Israel de Literatura em 1998, o Prêmio Mediterrâneo (Estrangeiro) em 2010 e o Prêmio Franz Kafka em 2013. Também se tornou um nome habitual nas apostas para o Prêmio Nobel de Literatura, embora nunca tenha recebido.

Ativista político, foi o fundador do Movimento Paz Agora, que defende a criação de dois Estados para o conflito entre Israel e Palestina. os últimos anos, Oz se pronunciou abertamente contra as políticas do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, tendo recusado um cargo oficial no exterior em protesto pelo que considerou um "crescente extremismo" de seu governo.

Foi considerado a consciência de uma nação, elogio que também lhe rendeu críticas constantes por parte da ultra direita israelense, sobretudo quando teve iniciativas como a de 2011, quando enviou um manuscrito de suas memórias ao político palestino Marwan Barghuthi. Embora tenha sido coerente no princípio de que deve ser criado um Estado palestino, Oz também criticou com veemência os que prometem a destruição de Israel, e sobretudo condenou todas as gamas de fanatismo religioso.

Também não demonstrou muita paciência com os especialistas ocidentais, que pressupunham "que os israelenses e palestinos têm que se conhecer melhor" para resolver o conflito do Oriente Médio. "Isto tem que ser resolvido por meio de um compromisso que vai ser doloroso, e não tomando café juntos", disse à Paris Review em uma entrevista em 1996. "Rios de café tomados juntos, bêbados não vão extinguir a tragédia de dois povos olhando para o mesmo pequeno país como o próprio e como seu único lar. É necessário dividi-lo. Necessitamos arranjar um compromisso mútuo que seja aceitável", disse.

Casado e pai de três filhos, o autor foi muito apreciado por israelenses, especialmente por seu humor. A morte de Amos Oz é "uma perda para todos nós e para o mundo", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Emmanuel Nahshon.