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  • 22/02/2018
  • 15:59
  • Atualização: 18:10

Meryl Streep é citada em documentos de defesa de Weinstein e responde: "patético"

Advogados do magnata usaram falas dela e de Jennifer Lawrence para desacreditar processo

"As ações criminosas de que ele é acusado são de sua responsabilidade", ela também disse | Foto: Valerie Macon / AFP / CP

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Dois dos principais nomes de Hollywood, a veterana Meryl Streep e a jovem, mas já consagrada, Jennifer Lawrence, tiveram antigas declarações usadas pela defesa de Harvey Weinstein em um esforço para anular um processo de má conduta sexual contra ele. O produtor é alvo de uma ação judicial iniciada por seis mulheres - Louisette Geiss, Katherine Kendall, Zoe Brock, Sarah Ann Thomas, Melissa Sagemiller e Nannette Klatt -, as quais afirmam que foram abusadas e assediadas sexualmente pelo homem. O grupo também diz que o comportamento foi encoberto por um sistema de pessoas que trabalharam nos seus antigos estúdios Miramax e a Weinstein Company.

As autoras alegam que, devido ao elevado número de pessoas que disseram ter sido vítimas de Weinstein, a "empresa sexual" do produtor deve ser considerada um grupo de crime organizado. Os advogados dele apresentaram uma moção para anular o processo nesta semana, argumentando que era "excessivamente moroso" e se aplicaria a "todas as mulheres que se encontraram com Weinstein, independentemente de ter alegado sofrer algum dano identificável. "Essas mulheres incluem, presumivelmente, Jennifer Lawrence, que disse a Oprah Winfrey que conheceu Weinstein desde que tinha 20 anos e disse que 'ele sempre foi legal comigo', e Meryl Streep, que afirmou publicamente que Weinstein sempre foi respeitoso com ela em sua relação de trabalho", escreveram no documento.

Meryl, recordista de indicações ao Oscar, estrelou diversos filmes produzidos pelo norte-americano e critou o uso de suas falas na moção. "O uso dos advogados de Harvey Weinstein de minha declaração como evidência de que ele não era abusivo com muitas outras mulheres é patético e explorador", disse a atriz de 68 anos em uma nota divulgada ao site Hollywood Reporter. "As ações criminosas de que ele é acusado são de sua responsabilidade e, se houver qualquer justiça no sistema, ele pagará por elas - independentemente de quantos bons filmes, feitos por muitas pessoas boas, Harvey teve sorte de ter adquirido ou financiado", comentou.

Em um comunicado, Jennifer disse que "Harvey Weinstein e sua empresa continuam a fazer o que sempre fizeram, o que é tirar as coisas do contexto e usá-las para seu próprio benefício". "Isto é o que os predadores fazem, e deve parar. Para o registro, eu não fui vítima de Harvey Weinstein, mas eu apoio totalmente as mulheres que sobreviveram a seu terrível abuso e as aplaudo por usar todos os meios necessários para levá-lo à justiça, seja por meio de ações criminais ou civis", finalizou.

Na moção, os advogados do produtor de 65 anos, acusado de má conduta sexual por mais de 75 mulheres, também mencionam Gwyneth Paltrow como exemplo para mostrar que nem todas as atrizes tiveram experiências de trabalho com o norte-americano. "Por exemplo, Gwyneth Paltrow foi supostamente assediada durante o filme 'Emma', em 1994. Ela voltou a estrelar outra produção de Weinstein - 'Shakespeare Apaixonado '-, pela qual ganhou um Oscar em 1998. Ela não se sentiu ofendida ao ponto de se recusar a trabalhar com Weinstein novamente, nem teve a carreira afetada como consequência dos supostos avanços dele", lê-se no texto.