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Porto Alegre, segunda-feira, 19 de Novembro de 2018

  • 24/07/2018
  • 13:14
  • Atualização: 13:25

Elton John acusa a Rússia e o Leste Europeu de discriminar gays

Ao lado do príncipe Harry, cantor participou da conferência internacional sobre a aids em Amsterdã

Ao lado do príncipe Harry, cantor participou da conferência internacional sobre a aids em Amsterdã | Foto: Robin Utrecht / ANP / AFP / CP

Ao lado do príncipe Harry, cantor participou da conferência internacional sobre a aids em Amsterdã | Foto: Robin Utrecht / ANP / AFP / CP

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  • AFP

O cantor Elton John atacou nesta terça-feira a Rússia e o Leste Europeu, acusando-os de "discriminação contra os gays" no segundo dia da conferência internacional sobre a aids em Amsterdã. Na conferência, Elton John e o príncipe Harry anunciaram um novo fundo internacional de 1,2 bilhão de dólares para "quebrar o ciclo" de transmissão do HIV, enquanto os cientistas falam de resultados decepcionantes na busca por uma cura.

Durante uma coletiva de imprensa após o anúncio da criação do fundo, o cantor criticou a Rússia e os países do Leste Europeu. "Esses países praticam uma política de discriminação significativa contra membros da comunidade LGBT. Nós devemos lutar contra isso", afirmou. O astro britânico, no entanto, amenizou suas observações, dizendo que a discriminação "não se concentra apenas no Leste Europeu", embora seja muito comum nesta região do mundo, de acordo com ele.

Elton John também considerou essencial "trabalhar com os governos" em questão. "Os políticos devem estar à altura do desafio. Eles podem acabar com essa epidemia rapidamente (...) por favor, pensem nos seres humanos como iguais", insistiu. "Eu não sou o presidente Putin ou o presidente Trump. Não estou à frente de um país. Os políticos precisam ser mais humanos", lançou, num tom firme. 

Complacência perigosa

Neste segundo dia da conferência internacional sobre a aids na capital holandesa, Elton John e o príncipe Harry aproveitaram a fama para tentar acabar com a estigmatização envolvendo o HIV, bem como proteger as gerações futuras. A iniciativa lançada pela dupla, batizada "MenStar Coalition", reúne diferentes parceiros, incluindo a organização das Nações Unidas Unitaid e o plano de emergência americano PEPFAR, e visa os homens jovens, entre os quais a infecção pelo vírus está em ascensão.

"Os jovens são o único grupo etário em que as infecções pelo HIV estão aumentando e não diminuindo", declarou o cantor e ativista. De acordo com Elton John, os homens com entre 24 e 35 anos têm acesso a exames e tratamentos que estão "em uma taxa inaceitável". No passado, muito foi feito para proteger mulheres e meninas, mas "não podemos resolver este problema cuidando de apenas metade das pessoas". "Se quisermos vencer essa luta, temos que ter certeza de que os homens são parte da solução", insistiu ele.

Milhares de delegados estão reunidos desde segunda-feira para uma conferência de cinco dias sobre a aids, enquanto um relaxamento na prevenção, combinado com um declínio no financiamento internacional, aumenta o temor de um aumento da epidemia. "Os progressos pelo quais lutamos estão sendo minados pela complacência perigosa", alertou o príncipe Harry aos ouvintes. A iniciativa "MenStar Coalition" se concentrará no "trabalho complicado, mas essencial a ser feito para realmente mudar as mentalidades".

Os pesquisadores afirmaram na segunda-feira que há um revés na busca por uma vacina contra o vírus, enquanto novas infecções estão aumentando em algumas partes do mundo - particularmente na Europa Oriental e na Ásia Central. "Inspirada pela taxa alarmante de novas infecções pelo HIV entre as mulheres jovens", esta parceria "corajosamente aborda a raiz do problema - a falta de conscientização sobre a prevenção do vírus entre os homens jovens", acrescentou Harry.

O duque de Sussex pediu à população mundial que se una para combater o "estigma mortal" em torno do HIV, falando de um "preconceito sempre presente". A atriz sul-africana Charlize Theron, que também viajou a Amsterdã nesta terça-feira, apoiou as declarações do príncipe Harry, mas preferiu se concentrar nas mulheres. "A epidemia não é justa em relação a sexo ou sexualidade", disse ela. "Nós sabemos que isso está relacionado ao status de segunda classe dado a mulheres e meninas ao redor do mundo".