Correio do Povo | Notícias | Escritor russo e ex-dissidente Vladimir Voinovich morre aos 86 anos

Porto Alegre

19ºC

Ver a previsão completa

Porto Alegre, quinta-feira, 15 de Novembro de 2018

  • 28/07/2018
  • 17:12
  • Atualização: 17:17

Escritor russo e ex-dissidente Vladimir Voinovich morre aos 86 anos

Autor era conhecido principalmente pelo livro "A vida e as extraordinárias aventuras do soldado Ivan Tchônkin"

  • Comentários
  • AFP

O escritor russo Vladimir Voinovich, um ex-dissidente soviético e autor do livro "A vida e as extraordinárias aventuras do soldado Ivan Tchônkin", faleceu aos 86 anos por um ataque cardíaco - anunciaram seus familiares neste sábado. "Vladimir Nikolayevich [Voinovich] morreu", disse à agência pública de notícias TASS um parente do escritor, cujos livros foram traduzidos para várias idiomas.

O ministro russo da Cultura, Vladimir Medinski, elogiou um "escritor de grande talento, autor de letras de música apreciadas, um cidadão responsável e ativo". "Sua obra sempre foi uma visão aguda da realidade, habilmente transmitida por meio de uma linguagem viva e fascinante", acrescentou, citado pela TASS. O ministro elogiou ainda a contribuição de Vladimir Voinovich para o "reforço da liberdade de expressão, o desenvolvimento dos princípios de igualdade, compreensão mútua e harmonia social" na Rússia.

Nascido em 1932 em Stalinabad, no Tadjiquistão soviético, Voinovich ficou conhecido, em um primeiro momento, como autor satírico, com "A vida e as extraordinárias aventuras do soldado Ivan Tchônkin", que mostra os absurdos do totalitarismo. Publicado no Ocidente, o livro circulou de forma clandestina.

Próximo a outros dissidentes da época, foi excluído da União de Escritores Soviéticos em 1974 e, mais tarde, viu-se forçado a emigrar para a Alemanha, depois de perder a nacionalidade. Também compositor, voltou para a Rússia após a dissolução da União Soviética e continuou seu trabalho de escritor, mostrando-se com frequência muito crítico das autoridades russas. Em 2002, apresentou um panfleto no qual tachava de "mito" o talento do Prêmio Nobel de Literatura e ex-dissidente soviético Alexander Solzhenitsyn, falecido em 2008.