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  • 30/12/2017
  • 17:50
  • Atualização: 18:13

Vargas Llosa e mais de 230 autores peruanos criticam indulto a ex-presidente

Intelectuais rechaçam extinção do cumprimento da condenação de Alberto Fujimori por crimes contra a humanidade

Vargas Llosa venceu o Nobel de Literatura em 2010 | Foto: AFP / CP Memória

Vargas Llosa venceu o Nobel de Literatura em 2010 | Foto: AFP / CP Memória

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  • AFP

Mais de 230 escritores peruanos, entre eles o Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, assinaram um manifesto contra o indulto ao ex-presidente Alberto Fujimori assinado pelo atual chefe de Estado do país, Pedro Pablo Kuczynski. "O indulto a Fujimori foi um cataclismo moral e político para nossa sociedade e assim que foi conhecido surgiu, em vários escritores, uma espécie de imperativo moral, a necessidade de expressar-se e protestar", disse neste sábado o autor e jornalista Alfredo Pita, que também assinou a carta.

Ele afirma que a ideia era redigir um documento "assinado por todos os espectros políticos", que expressasse abertamente e democraticamente o protesto, sem preconceitos ideológicos. Os intelectuais criticam "a conduta ilegal e irresponsável do presidente Kuczynski", que concedeu o indulto a Fujimori, condenado por crime contra a humanidade, na noite do dia 24 de dezembro. Uma pesquisa publicada neste sábado aponta que 56% dos peruanos aprovam o indulto.

Intitulado "Pela Dignidade do Peru e contra o indulto", o texto lembra que "Fujimori foi condenado por violação de direitos humanos e corrupção. Ele foi responsável por um golpe de Estado e pelo desmantelamento de nossa institucionalidade". Os escritores assinaram, entre eles Alfredo Bryce Echenique, Aida Alonso, Alonso Cueto, Fernando Ampuerosos, afirmam que o indulto do presidente demonstra "o pouco apreço pela dignidade, pela igualdade diante da lei e pelo direito à memória", e ressaltam que "não é segredo para ninguém que Fujimori não sofre de qualquer doença degenerativa nem terminal".

Os autores também criticam "o abuso da linguagem da reconciliação e do perdão que busca legitimar esta medida espúria, e colocar como violentos e intolerantes aqueles que defendem a verdade e a memória". O ex-presidente Fujimori (1990-2000) deixou a prisão, onde cumpria uma condenação de 25 anos por delitos de crime contra a humanidade, para ser hospitalizado por uma crise de hipotensão e de arritmia no sábado passado, um dia antes de Kuczynski o conceder indulto humanitário. A decisão de Kuczynski levou milhares de peruanos às ruas para protestar e provocou a renúncia do ministro de Cultura.