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  • 19/02/2018
  • 13:41
  • Atualização: 14:29

"Um erro, uma barbárie, uma desumanidade", diz Vargas Llosa sobre a pena de morte

Autor peruano afirmou ser contra a medida por ela fechar para sempre a possibilidade de corrigir um erro

Ele afirmou ser contra o indulto ao ex-presidente Fujumori pela mesma razão | Foto: Jonathan Nackstrand / AFP / CP

Ele afirmou ser contra o indulto ao ex-presidente Fujumori pela mesma razão | Foto: Jonathan Nackstrand / AFP / CP

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Um dos principais nomes da literatura latina, Mario Vargas Llosa manifestou em entrevista ao jornal El Comercio sua oposição à pena de morte, classificando tal medida como "um erro, uma barbárie, uma desumanidade que está contra as tendências mais modernas do Direito". "Um liberal jamais deve aceitá-la. Ela fecha para sempre a possibilidade de corrigir um erro, e a chance de cometer um erro está sempre presente, mesmo nos julgamentos mais claros e mais honestos", argumentou.

Recentemente, o caso de María Jimena, uma menina de 11 anos que foi estuprada e assassinada, reativou a discussão sobre o assunto no Peru. "Eu sou contra a pena de morte, acredito que não deve ser aplicada em nenhum caso. Tendo dito isso, estou convencido de que os criminosos devem cumprir suas sentenças. É a razão pela qual eu me opus totalmente ao indulto a Fujimori", disse o autor em relação ao fato do presidente Pedro Pablo Kuczynski ter concedido perdão humanitário ao ex-presidente Alberto Fujimori na véspera de Natal.

Na entrevista, o Nobel de Literatura em 2010 chamou o atual mandatário de mentiroso e traidor. "Se ele tivesse falado que perdoaria Fujimori, eu nunca teria corroborado sua nomeação como eu fiz. Ele é um mentiroso, sem qualquer dúvida, que tem decepcionado muitas pessoas. Entre elas, amigos como eu", acrescentou o escritor, um dos mais de 230 nomes que assinaram um manifesto contra o indulto em dezembro do ano passado. Ele também afirmou que apoiará a renúncia de Kuczynski se houver provas de que ele se beneficiou de favores com a empresa brasileira Odebrecht.

"Se for verdade que ele se beneficiou, enquanto presidente do Conselho de Ministros, porque ele fez favores a Odebrecht, sem dúvida, a pressão para que ele saia deve ser apoiada, em nome democracia, para punir um presidente. Aparentemente, não só ele seria um traidor de seus princípios e seus eleitores, mas também um corrupto, que, claro, merece uma sanção e, quanto mais cedo o Peru se livrar de um presidente assim, melhor", argumentou o escritor de títulos como "Conversa no Catedral", "A festa do chibo" e "A guerra do fim do mundo" .

O peruano de 81 anos ainda chamou atenção para a "menoridade" da democracia no país, reestabelecida em 2000, apontando uma "governabilidade incompleta" e que é importante unir forças para que ela seja mantida. "É uma democracia imperfeita, é claro, há presidentes presos ou perseguidos por má administração, mas o importante é preservar essa democracia tão deteriorada, uma deterioração para qual infelizmente Kuczynski contribuiu", analisou.

O Ministério Público peruano investiga pagamentos milionários para consultorias que a empreiteira brasileira fez para duas empresas relacionadas a Kuczynski, enquanto ele era ministro do então presidente Alejandro Toledo (2001-2006). Ele nega qualquer vínculo, mas a própria companhia refutou sua negativa. O pleno do Congresso do Peru rejeitou, em 21 de dezembro, o pedido de impeachment apresentado pela oposição sob a alegação de "permanente incapacidade moral" de Kuczynski pelos seus vínculos com a Odebrecht.