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Porto Alegre, quinta-feira, 18 de Outubro de 2018

  • 07/05/2018
  • 12:47
  • Atualização: 13:21

Academia sueca autoriza demissão de quatro membros

Modificação no estatuto passa a permitir que integrantes renunciem e sejam substituídos durante a vida

Após escândalo sexual, instituição está mergulhada em uma crise desde novembro | Foto: Fredrik Sandberg/ TT News Agency / AFP / CP

Após escândalo sexual, instituição está mergulhada em uma crise desde novembro | Foto: Fredrik Sandberg/ TT News Agency / AFP / CP

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  • AFP

A Academia sueca, que entrega o Nobel de Literatura, anunciou nesta segunda-feira a demissão efetiva de quatro de seus membros, nomeados inicialmente perpetuamente. A instituição está mergulhada em uma crise desde novembro, quando, no contexto da campanha mundial contra abusos sexuais #MeToo, o jornal sueco "Dagens Nyheter" publicou os testemunhos de 18 mulheres que afirmavam terem sido violentadas, agredidas sexualmente, ou assediadas por Jean-Claude Arnault, uma influente figura da cena cultural sueca.

Arnault, marido da poetisa e membro da Academia Katarina Frostenson, negou as acusações. Essas revelações semearam polêmica e discórdia entre os 18 membros da instituição sobre como reagir e, nas últimas semanas, seis deles decidiram renunciar, incluindo a secretária permanente Sara Danius. Dois membros já não participavam há tempos dos trabalhos, reduzindo a dez o número de acadêmicos ativos.

Segundo o estatuto da Academia, são necessários ao menos 12 membros ativos das 18 cadeiras para eleger um novo membro. O rei, padrinho da instituição, anunciou em 2 de maio uma modificação no estatuto: seus membros podem agora renunciar e, portanto, serem substituídos durante sua vida.

"Lotta Lotass, Klas Östergren e Sara Stridsberg solicitaram e foram autorizados de forma imediata a deixar a Academia sueca", indicou a instituição em um comunicado. O quarto membro, Kerstin Ekman, afastado desde 1989 depois que a Academia se negou a condenar naquele ano uma fatwa contra o escritor britânico Salman Rushdie, também foi autorizado a se demitir.

Na sexta-feira, a Academia anunciou que o Nobel de Literatura de 2018 será adiado, uma medida que acontece pela primeira vez em quase 70 anos. Com isso, láurea deste ano será entregue junto com a de 2019.