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Porto Alegre, terça-feira, 20 de Novembro de 2018

  • 12/06/2018
  • 12:11
  • Atualização: 12:44

Feira do Livro terá um pedaço cultural da República Tcheca

Consulado Honorário e Câmara do Livro anunciaram algumas das atrações tchecas em novembro, na Capital

Cônsul Fernando Lorenz, cônsul Pavla, Isatir Bottin e Jussara Rodrigues, da Feira | Foto: Luiz Gonzaga Lopes / Especial / CP

Cônsul Fernando Lorenz, cônsul Pavla, Isatir Bottin e Jussara Rodrigues, da Feira | Foto: Luiz Gonzaga Lopes / Especial / CP

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  • Luiz Gonzaga Lopes

O Consulado Honorário da República Tcheca em Porto Alegre e a Câmara Riograndense do Livro anunciaram nesta terça-feira, em coletiva de imprensa, algumas atrações daquele país, que será o Convidado de Honra da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre, que será realizada em novembro, na Praça da Alfândega e adjacências. As efemérides são muitas em 2018, pois será comemorado o 100º aniversário do nascimento da Tchecoslováquia independente e também os 100 anos do reconhecimento diplomático deste novo país pelo Brasil, primeiro país da América Latina a fazê-lo, além dos 80 anos do Acordo de Munique, que marcou o fim da independência e da democracia da Tchecoslováquia; 50 anos da “Primavera de Praga” e da invasão soviética no país, e também o jubileu dos 25 anos do nascimento da República Tcheca.

As atrações da República Tcheca na Feira do Livro foram apresentadas pela cônsul-geral em São Paulo, Pavla Havrlíková, pelo cônsul honorário na Capital, Fernando Lorenz de Azevedo, pelo presidente da CRL, Isatir Bottin, e pela coordenadora da Feira, Jussara Haubert Rodrigues. A primeira a falar foi Jussara que destacou a oportunidade de aproximação com este país nem tão conhecido do RS, de conhecer um pouco mais na Feira as biografias dos imigrantes tchecos no RS e até a dificuldade de tradução direta dos autores tchecos. “Os autores mais conhecidos da República Tcheca são Franz Kafka, Milan Kundera a Vaclav Havel, mas mostraremos alguns outros escritores do século XX, já falecidos, como Karel Tchápek, de 'A Fábrica de Robôs' e 'A Guerra das Salamandras' e Jaroslav Hašek, de 'As Aventuras do Bom Soldado Svejk'. São autores que trabalham muito com o humor, em meio a temas pesados como genocídio, regimes totalitários e a barbárie das guerras”, explica Jussara. A coordenadora de programação da Feira ressalta que haverá ainda Sarau/Recital de música e poesia tcheca, exibição de filmes, além de exposições sobre Kafka, os 50 anos da Primavera de Praga e os 100 anos de fundação da Tchecoslováquia, em outubro e novembro.

A cônsul Pavla Havrlíková agradeceu o convite da Feira do Livro e destacou que desde 2015 foi assinado um termo de parceria e colaboração econômica, cultural e educativa entre a República Tcheca e o Rio Grande do Sul, que está oportunizando aproximações muito importantes. “Esta participação da República Tcheca não vai se ater somente a literatura. Teremos exposições, shows, filmes, teatro e dança. O Rio Grande do Sul tem muitas semelhanças com a República Tcheca, a começar por populações parecidas, (11 milhões do RS e 10,8 milhões daquele país) ”, um número muito grande de imigrantes, boa parte em Nova Petrópolis e outras características de imigração europeia como gastronomia e eventos de Natal na Serra gaúcha”, ressalta.

O cônsul honorário Fernando Lorenz de Azevedo lembrou que, segundo a historiadora Hilda Flores, é possível que em número de imigrantes os tchecos sejam os terceiros em entrada no RS, atrás somente da Itália e Alemanha. “Não temos a real dimensão deste número, mas segundo a historiadora, muitos entraram vindos do Império Austro-Húngaro, da Boemia, e se identificavam como alemães ou austríacos”, observa Fernando, cujo bisavô Francisco Waldomiro Lorenz (František Lorenz, falecido em Dom Feliciano no ano de 1957) será retratado pela Feira como um grande filósofo e poliglota, um dos maiores esperantistas (estudioso da língua esperanto) do mundo. O presidente da Câmara do Livro, Isatir Bottin, lembrou do alto grau de civilização e erudição dos tchecos. “Eles são devoradores de livros. A média per capita de leitura é de 17 livros ao ano. Eles possuem 6 mil bibliotecas públicas, num país com um terço do território do RS”, exalta.