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  • 26/07/2018
  • 18:50
  • Atualização: 21:29

Literatura feminina e mulheres negras são temas da 16ª edição da Flip

Selva Almada e Djamila Ribeiro participaram do evento nesta quinta-feira

Flip teve encontro com Alice Santanna, Djamila Ribeiiro e Selva Almada | Foto: Walter Craveiro / Divulgação / Flip / CP

Flip teve encontro com Alice Santanna, Djamila Ribeiiro e Selva Almada | Foto: Walter Craveiro / Divulgação / Flip / CP

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  • Luiz Gonzaga Lopes

A mesa "Amada Vida" com Selva Almada e Djamila Ribeiro e mediação de Alice Sant´anna foi um dos grandes destaques desta quinta-feira na Tenda Principal da Praça da Matriz, pela 16ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A abertura foi intitulada “Da Perda”, feita pela slamer pernambucana Bel Puã, denunciando assédio e a tentativa de fragilização da mulher e exaltando o poder das minas, além de ler trecho de poema de Hilda Hilst.

Autora da obra “Garotas Mortas”, na qual denuncia o descaso com a investigação de três feminicídios cometidos na Argentina nos anos 1980, Selva Almada, tratou da violência de gênero e Djamila Ribeiro, autora de “Quem tem Medo do Feminismo Negro?”, tratou dos femininos plurais e do protagonismo das mulheres negras.

Em sua fala, Selva disse que a palavra feminicídio não era utilizada nos anos 1980 e que ela começou a investigar os três assassinatos de mulheres em pequenas cidades da Argentina, Andrea, Maria Luisa e Sarita e que nunca foram esclarecidos, sendo que as memórias décadas depois já estavam um pouco diferentes do que a imprensa abordou na época.

“Acredito que começar a nomear as coisas, como feminicídio, é uma maneira de começar a mudar e a começar a ver estes assassinatos em sua dimensão real. A imprensa começou a usar a palavra e as pessoas comuns também. Hoje, temos desde 2012 na Argentina uma lei que dá prisão perpétua para quem comete feminicídio. Infelizmente, boa parte destes casos não considerados feminicídio e são enquadrados de outra forma no Código Penal”, ressaltou Selva.

Djamila lembrou que o período de criança como negra fez com que ela tivesse grande dificuldade de se enxergar positivamente e que quando entendeu a potência das mulheres negras, a partir de outras possibilidades e não somente pelo colonialismo, e conseguiu reforçar a autoimagem. “A sociedade não mudou. Até hoje eu estou neste processo de não cair no silenciamento e enfrentar estas questões que são colocadas”, destacou Djamila.

Nest a quinta à tarde, o BiblioSesc, um dos espaços do Sesc na Flip 2018, sediou a roda de poesia com Conceição Evaristo e a slamer pernambucana Bell Puã. A conversa foi mediada pela poeta brasiliense Meimei Bastos. Depois de Bell Puã ler o poema “Solidão”, Conceição falou sobre a importância da formação de novos leitores. A escritora levantou a bandeira do acesso à literatura e enfatizou que eventos gratuitos permitem que as diferentes classes sociais tenham acesso a leitura.

Exaltando feminino 

A sexta-feira também terá atividades que exaltam o feminino. A própria autora e pesquisadora Djamila Ribeiro, referência do feminismo negro no país, vai encontrar garotas negras da comunidade de Paraty para um bate-papo sobre feminismo negro, nesta sexta-feira, às 16h. O encontro é parte do Programa Educativo da Flip, que conta com a direção de Belita Cermelli, e será realizado na Pousada Perequê (avenida Otávio Gama, 390).

Na programação principal, um dos destaques da sexta será a mesa Do Desejo, com egípcio que morou na Itália e é radicado nos Estados Unidos, André Aciman, do livro “Me Chame pelo Seu Nome”, que concorreu ao Oscar 2018, e Leïla Slimani, que esteve em junho no Fronteiras do Pensamento para falar das muitas identidades entre o Marrocos e a França, que estão claras no seu livro “Canção de Ninar”. A 16ª Flip segue até domingo à tarde em Paraty.