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  • 12/09/2018
  • 10:18
  • Atualização: 10:50

Morte de Johnny Cash e June Carter completa 15 anos

Diferença de apenas quatro meses no falecimento chocou os Estados Unidos

Casal morreu durante produção do filme que conta sua história | Foto: Reprodução / Instagram / CP

Casal morreu durante produção do filme que conta sua história | Foto: Reprodução / Instagram / CP

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  • R7

A história de amor Johnny Cash e Junny Carter renderia um filme. Na verdade, rendeu mesmo. Lançado em 2005, Johhny e June abordou o romance desses cantores que foram considerados o verdadeiro casal real do country americano e ficaram juntos por 35 anos. No longa estrelado por Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon, a trajetória cheia de altos e baixos dos dois é retratada sem grandes romantizações. O vício em drogas, as traições de Johnny, a rejeição do mercado de discos e a marginalização do country são mostradas de forma visceral. 

Em 15 de maio de 2003, a cantora não resistiu a uma doença cardíaca e deixou Cash sozinho após 35 anos. À época, familiares e amigos de Cash foram ouvidos e alertaram que o caso poderia acelerar a morte do cantor, que foi visto de cadeira de rodas no funeral de June. Em 12 de setembro de 2003, há quinze anos, ele também morreria.

Embora o filme tenha começado a ser feito ainda com os dois vivos, eles morreram durante a produção, que levou quase quatro anos. Por isso, não viram o resultado final. E também não tiveram a história mais dramática de suas vidas mostradas nas telonas. Isso porque Johnny Cash e June Carter morreram no intervalo de apenas quatro meses, entre maio e setembro de 2003. Ela tinha 73 anos e ele, 71. A pouca diferença de tempo entre as duas mortes chocou os Estados Unidos. Principalmente quando é colocado em retrospecto que Cash estava bastante doente e tinha como principal companhia a própria mulher, que atuava como cuidadora do astro.

Era ela quem apoiava marido para lutar contra a diabetes e uma doença degenerativa que o acometia desde 1997, último ano em que saiu em turnê. Mesmo assim, June fazia questão de que Cash continuasse a gravar discos. E ele fez isso até o fim da vida, apesar da esposa sempre ficar alerta para que ele não trabalhasse mais do que deveria.

O último clipe de Cash, Hurt, já era encarado pelos fãs como uma espécie de despedida extraoficial. No vídeo, filmado em outubro de 2002, o cantor aparece sentado em uma cadeira, quase imóvel. Àquela altura, ele já estava cego e não conseguia mais andar. Em uma das cenas, June observa o marido com tristeza e compaixão. Não à toa, o último foi também o clipe mais emblemático do cantor.

Apesar de Johnny ter sido contemporâneo de Elvis, foi a partir desse fim de vida dramático dele e da mulher que o cantor se tornou finalmente em um astro de nível mundial. Antes dos discos American III: Solitary Man (2000), American IV: The Man Comes Around (2002), American V: A Hundred Highways (2006) e American VI: Ain't No Grave (2010), Cash só havia lançado um álbum que foi sucesso tão grande em 1970 (Hello, I'm Johnny Cash).

No resto da carreira, experimentou fracassos e sucessos com a mesma frequência. Mas o êxito do filme que saiu dois anos após a morte do casal, aliado à dramaticidade do fim da vida de ambos, deram ao cantor o reconhecimento que ele merecia, mesmo que de forma póstuma. 15 anos depois, Cash virou ícone, camiseta, referência para bandas novas e ainda deixou a filha Rosanne como herdeira musical. Nada mal para um bad boy subversivo que bateu de frente com as gravadoras, mas que no fim conquistou todo mundo pela fragilidade e emoção que podia transparecer como cantor e ser humano.