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  • 04/03/2017
  • 11:33
  • Atualização: 11:35

Diretora de casting rebate acusação de maus-tratos a modelos durante Semana de Moda de Paris

Maida Gregori Boina nega que tenha trancado cerca de 150 mulheres no escuro enquanto saía para comer

Diretora de casting rebate acusação de maus-tratos a modelos durante Semana de Moda de Paris | Foto: Patrick Kovarik / AFP / CP

Diretora de casting rebate acusação de maus-tratos a modelos durante Semana de Moda de Paris | Foto: Patrick Kovarik / AFP / CP

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  • AFP

A diretora de casting no centro da polêmica de maus-tratos de modelos na Semana de Moda de Paris rebateu nesta sexta-feira as acusações de que teria forçado dezenas de mulheres, em seleção da marca francesa Balenciaga, a esperar por horas nas escadas de um prédio. Maida Gregori Boina - grande figura nos bastidores da Semana de Moda de Paris - negou as acusações de que tenha trancado pelo menos 150 mulheres nas escadas, no escuro, enquanto saía para comer.

Ela descreveu as alegações contra ela e contra seu sócio Rami Fernandes como "imprecisas e caluniosas". O casal foi demitido da Balenciaga horas depois do post no Instagram feito pelo concorrente americano, o diretor de casting James Scully, denunciando-os como "abusadores em série" e dizendo que o tratamento dado às modelos foi "sádico e cruel".

A polêmica revelou o quanto é vulnerável o processo de casting, mostrando que mesmo modelos consideradas "top" podem ser tratadas "como gado" em castings para a elite das passarelas de Paris, Nova York e Milão. Maida negou ter apagado as luzes no local onde as modelos estavam, culpando um corte de energia no domingo à noite na sede da Balenciaga, em Paris.

"As modelos não esperaram por três horas no escuro, nem mesmo por uma hora", ela escreveu em um e-mail para o site "Business of Fashion". Nós comemos nosso almoço no próprio prédio e nós não trancamos as modelos nas escadas e apagamos as luzes. Isso seria completamente desumano", frisou.

"Ponta do iceberg"

Ao longo de todo o processo, nós fornecemos as acomodações mais confortáveis permitidas com base nas instalações fornecidas", acrescentou. Maida acusou Scully de "falsificar os fatos para ganhos pessoais na carreira". Scully respondeu, ampliando as acusações contra Maida e Rami, e insistiu em que o incidente do último domingo na Balenciaga é apenas a ponta do iceberg em uma indústria de modelagem cheia de abuso.

Em entrevista, várias modelos disseram que foram forçadas a esperar em uma escada quente com pouca ventilação, por entre duas e três horas e meia, sem acesso a um banheiro. Elas também contaram que a porta foi fechada, e as luzes, apagadas. Uma das marcas mais influentes nas passarelas do momento, a Balenciaga divulgou que está fazendo "mudanças radicais no processo de casting" após esse incidente. "A Balenciaga condena o incidente e vai continuar profundamente comprometida para assegurar as condições de trabalho mais respeitosas para as modelos", acrescenta o comunicado.

O porta-voz da marca se recusou a responder à acusação de Maida Boina de que a culpa seria da marca. Apesar do código de silêncio que permeia a indústria da moda, muitas modelos famosas usam as redes sociais para condenar a forma como suas colegas são tratadas nos castings.

O Sindicato Nacional de Agências de Modelos (Synam) da França disse que foi alertado durante anos sobre a "deterioração da situação". "As coisas têm de mudar. Às vezes, deixamos as coisas irem longe demais antes de abrir nossos olhos para o que está acontecendo", disse a presidente da instituição, Isabelle Saint-Felix.