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  • 01/12/2018
  • 10:19
  • Atualização: 15:27

Marcas que apostam na diversidade ganham espaço em Porto Alegre

Novos empreendedores mostram preocupação com representatividade e feminismo

Kadi e Elisa uniram em um só espaço suas iniciativas | Foto: Lou Cardoso / Especial / CP

Kadi e Elisa uniram em um só espaço suas iniciativas | Foto: Lou Cardoso / Especial / CP

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  • Lou Cardoso

Movimentos como o Fashion Revolution e o Slow Fashion trouxeram novos conceitos sobre o consumo e produção de peças de vestuário. A primeira luta em defesa da transparência na produção de roupas e a segunda incentiva a consciência ética sobre o consumo fashionista.

Ambos os movimentos também valorizam a diversidade e originalidade em produtos autorais. Em Porto Alegre, duas marcas nasceram a partir da carência de representatividade em suas necessidades e resolveram ampliar o mercado com suas especialidades.

A Freyja foi criada pelo casal Nadja Mariel e Joyce Cordeiro para atender o público feminino fã de camisas divertidas. A ideia nasceu após Nadja cansar de ir atrás de peças nas seções masculinas e só encontrar tamanhos desproporcionais ao seu corpo. “Eu sempre fui muito moderninha no vestir. As camisas femininas são sempre estampadas com temas florais ou coisas meigas do universo feminino. Já cheguei a comprar camisa masculina e o caimento ficar péssimo”, recordou.

Segundo Nadja, a Freyja também é um movimento que abraça o empreendedorismo e o feminismo. “Juntas queremos oferecer estampas e modelagens mais despojadas. Além de contribuir para fortalecer o consumo e produção do mercado feminino. Principalmente na moda, que apesar de parecer um mercado feminino, na verdade, é ditado quase que na sua totalidade por homens”, disse.

A moda africana também era outro exemplo que não se sentia representado no Rio Grande do Sul, especificamente em Porto Alegre. O africano Agossou Djosse Ignace Kokoye, mais conhecido como Kadi, criou a marca Consone após voltar de uma viagem de seu país natal, Benin, na África Ocidental. Residente na Capital desde 2010, o engenheiro agrônomo, bancário e também mestrando em Economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) trouxe roupas típicas africanas de presente para amigos.

“Eles começaram a postar nas redes sociais e o pessoal me perguntava onde conseguia as minhas camisas. Então começaram a me contatar e eu mandei mensagem para minha mãe - porque ela trabalha com roupas e tecidos há 30 anos - e ela começou a mandar as camisas para mim”, recordou Kadi. Há poucos dias, Consone uniu-se a outro empreendimento africano, o salão Tranças África, voltado para o público negro.

“A gente casou com a marca que tem tudo a ver conosco”, afirma Elisa Ricardo Mateus, diretora do salão, que existe há 11 anos.