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Porto Alegre, segunda-feira, 23 de Julho de 2018

  • 15/03/2018
  • 15:38
  • Atualização: 15:55

Versace deixará de usar pele animal em suas peças

Donatella disse em entrevista que não quer matar por causa da moda

Coleção de inverno de 2017 da grife usava e abusava do elemento | Foto: Versace / Divulgação / CP

Coleção de inverno de 2017 da grife usava e abusava do elemento | Foto: Versace / Divulgação / CP

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  • AFP

Donatella Versace anunciou que a empresa da qual é a atual vice-presidente deixará de usar pele animal em seus produtos. "Eu não quero pele. Eu não quero matar animais para fazer moda, isso não me parece bom", disse a irmã do fundador da Versace, Gianni, em entrevista à revista britânica The Economist 1843. A publicação sublinha que esta é uma "mudança de direção" da grife, pois na quarta-feira, em seu site, convidou seus clientes a comprar "casacos com pele muito impressionantes".

No passado, a empresa foi relutante a se juntar a nomes como Giorgio Armani, Calvin Klein, Hugo Boss, Ralph Lauren, Michael Kors e Gucci, os quais já proibiram o uso de tais elementos em suas produções. Por conta disso, a casa milanesa foi fortemente criticada por grupos de direitos dos animais, como Humane Society International (HSI) que faz campanha para o fim completo do comércio de peles na indústria da moda. "Versace é uma marca de grande influência que simboliza os excessos de glamour, e sua decisão de parar o uso de peles mostra que a compaixão da moda nunca foi tão moderna", disse Claire Bass, diretora da HSI na Grã-Bretanha.

Já a International Fur Federation, que distribui pele de animais para 35 países, afirmou estar desapontada com a decisão em um comunicado oficial. "A maioria dos grandes fabricantes continuará usando peles porque sabe que é um produto natural produzido de forma responsável", escreveu em seu site. O anúncio de Versace quase coincidiu com o fabricante italiano de artigos de couro Furla, que disse na quinta-feira que desistiria de pelos de novembro de 2018. 

"A decisão de proibir o uso gradualmente a partir de coleções é um projeto que confirma o crescente interesse da marca no meio ambiente, com especial atenção para o mundo animal, ao qual Furla é muito sensível. A resolução também responde à crescente busca de produtos éticos por um consumidor cada vez mais consciente e atento a essas questões", disse Alberto Camerlengo, CEO da companhia, em uma nota divulgada à imprensa.

O rótulo, cujos artigos de couro às vezes contêm toques de peles, também lançou uma campanha nas redes sociais com a expressão #furlafurfree (Furla sem peles, em português). Esta medida foi aclamada pela associação de bem-estar animal da PETA, que "está encantada de ver a Furla se juntar à lista de marcas de luxo que perceberam que usar peles faz com que elas pareçam desatualizadas". "Os tempos estão mudando e agora está claro que o futuro da moda é vegano: graças às inovações dos últimos anos, hoje há cada vez mais materiais ecológicos, sustentáveis e humanos", comentou a ONG .