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  • 20/01/2016
  • 13:31
  • Atualização: 14:16

Cursos incrementam a programação do Festival de Música de Pelotas

Evento tem 21 aulas, com 260 alunos e representações de 17 países

Classes contemplam os mais diversos instrumentos | Foto: Luiz Gonzaga Lopes / Especial / CP

Classes contemplam os mais diversos instrumentos | Foto: Luiz Gonzaga Lopes / Especial / CP

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  • Luiz Gonzaga Lopes

Percorrer o Centro Histórico de Pelotas numa manhã deste musical janeiro é como mergulhar em outro mundo, onde os sons imperam e o metrônomo (relógio que mede o tempo do andamento musical) é o guia.

A principal característica do 6º Festival Internacional Sesc de Música é o intercâmbio, a troca de informações, o ensino e aprendizado. São 21 cursos de Música de Concerto, com professores de 13 países, além de prática de Orquestra e Banda Sinfônica e de Música de Câmara, envolvendo 260 alunos, com 17 nações participantes ao todo.

As classes de música começaram na terça-feira pela manhã e seguem até o fim do festival. Até 29 de janeiro, são realizados recitais diários de professores às 19h na Bibliotheca Pública Pelotense. A partir desta quinta, passam a ser realizadas apresentações de alunos, às 13h, no mesmo local.

Entre os cursos, são disponibilizadas aulas para instrumentos mais populares no mundo dos concertos, como violino, violoncelo, viola, violão clássico, piano, clarinete, contrabaixo e outros nem tanto, como fagote, eufônio, harpa e tuba.

Em sua classe de fagote, o professor Adolfo Almeida Jr., da Ufrgs e do Trio de Madeiras de Porto Alegre e de Arthur de Faria e Seu Conjunto, ressaltou que o festival serve para unir os fagotistas. “Neste meu instrumento, as pessoas estavam meio isoladas. Atualmente, na Ufrgs, só tenho um aluno se especializando. Tem todos os componentes de não ser tão popular e de ser um instrumento caro”, destacou, enquanto escolhia o repertório para a apresentação dos alunos de madeiras, que tinha de Frevo a Beatles e Gershwin.

O aluno Wesley Oliveira, 24 anos, do Conservatório de Tatuí (SP), toca o instrumento há oito anos e reforça a premissa de Adolfo de unir os fagotistas e do preço do instrumento estar proibitivo. “Importei o meu fagote alemão Mossmann, com o euro a R$ 4,80 e chegou a R$ 60 mil o preço”, afirma.

Também aluno, Adilson Vieira, 30 anos, de Guaíba, e que toca com orquestras como a Filarmônica da PUCRS e a Sinfônica da UCS, destaca que o festival reúne músicos renomados e que é uma grande oportunidade de intercâmbio de conhecimentos sobre a música e o mundo de orquestras e grupos.

Outro instrumento que não é tão caro, mas é bem pouco prático pelo peso é a tuba. O professor paulista Albert Katthar, que já foi solista da Ospa e da Orquestra Sinfônica de Santo André, ressalta que o instrumento musical de sopro da família dos metais tem origem na Prússia (atual Alemanha) em 2 de setembro de 1835, pesa uns cinco quilos e na maioria das fabricantes só em feita por encomenda.

Na aula de Katthar, com apenas três alunos, tão importante quanto tocar são os exercícios de respiração junto com o metrônomo para inspirar e soprar no tempo certo e com a intensidade necessária. O aluno Kauã Fogaça, 15 anos, de São Leopoldo, disse que procurou a tuba, pois queria um instrumento com um som poderoso, que lhe agradasse.

“É minha primeira vez no festival. Quando toco a tuba, eu me emociono, às vezes até choro. Este instrumento tem um poder que as pessoas nem imaginam. Toco de tudo, mas os temas de Stars Wars são os meus preferidos”, destaca Kauã, que é aluno regular do tubista Wilthon Matos, no Conservatório da Ospa. Wilthon é o coordenador informal do Cortejo Musical que abriu o festival na segunda-feira à tardinha, com 30 músicos de metais e mais de 250 pessoas e até uma dúzia de cães, pelas ruas do Centro Histórico Pelotense. 

O festival segue até o dia 29 e a programação completa pode ser conferida pelo site. A agenda desta quarta-feira prevê a apresentação principal das 20h30min no Theatro Guarany com o Expresso 25, regido por Pablo Trindade. Na quinta, no mesmo horário e local, a apresentação é da Orquestra Sinfônica de Carazinho, com regência do cravista Fernando Cordella e com o solista italiano Emmanuele Baldini ao violino.