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  • 29/11/2016
  • 13:15
  • Atualização: 13:22

“Rainha do tombamento”, Karol Conka se apresenta no Opinião nesta quarta

“A música abre a mente das pessoas, até da cabeça mais difícil”, diz a rapper

Ela canta seu premiado álbum de estreia e suas músicas mais recentes | Foto: Rodrigo Marques / Divulgação / CP

Ela canta seu premiado álbum de estreia e suas músicas mais recentes | Foto: Rodrigo Marques / Divulgação / CP

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  • Lou Cardoso

Em passagem por Porto Alegre, a rapper Karol Conka pretende mostrar o porquê recebeu o título de “rainha do tombamento”. Nesta quarta-feira, às 22h, a Mamacita do hip hop nacional sobe ao palco do bar Opinião (José do Patrocínio, 834) para cantar o seu premiado álbum de estreia e suas músicas mais recentes. Ainda há ingressos disponíveis com valor de R$ 55 (no lote promocional) e R$ 100 (inteira).

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A curitibana encontrou na música um meio de levar não só a representatividade da mulher negra aos holofotes, mas realizar o sonho que tinha quando criança. “Eu lembro da vontade que me fez ser cantora, que era de falar alguma coisa. Se tivesse outras pessoas de outros lugares que precisassem de alguma palavra de conforto, eu queria ser esta pessoa”, relembrou. “Porque me faltou esta palavra na televisão e na escola. Eu tive isto mais em casa. Eu sempre quis ser um exemplo, não só de mulher negra, mas de mulher mesmo, de chegar e falar que eu gosto de me arrumar, gosto de sair, de curtir, falo palavrão, de ser bem espontânea mesmo”, afirma.

Desde seus 16 anos, quando começou a cantar publicamente, Karol apostava na música com concursos e parcerias realizadas com MC Cadelis e Cilho, e com o grupo que formou mais tarde chamado "Upground", até lançar o seu primeiro álbum solo, "Batuk Freak", em 2013. Hoje, com 29 anos, a artista classifica o cenário musical no Brasil como reflexivo e considera que ele atualmente passa por uma reeducação cultural.

E ao se tornar uma visibilidade para as meninas em formação, além de ser importante para sua carreira, ela também atinge um público mais amplo. “É bem bacana este reconhecimento, estou num momento bem satisfatório na minha carreira, estou recebendo tudo com muito pé no chão. É um momento de reflexão e de reeducação cultural, e realmente a minha intenção era expandir mais o universo do meu público e atingir outras pessoas”, diz ela, que também atribui sua construção artística a quem chama de “ídolas” de infância.

“Destiny’ Child, Beyoncé, Diana Rossa e Lauren Hill, estas mulheres participaram desta minha construção que sou hoje, esta artista que me tornei. Mas hoje minha maior inspiração de tudo, sou eu mesma e a maneira que levo a minha vida.” E se estas cantoras a inspiraram, Karol pode se orgulhar por sua música conseguir fazer o mesmo na formação de alguns fãs.

A rapper recorda da história de uma menina que se considerava homofóbica e racista e, ao ouvir a música de Karol, não só esperava gostar da letra, mas se surpreendeu ao descobrir que aquela voz era de uma mulher negra. “Ela viu uma foto minha e se sentiu mal por julgar. E no final de um 'textão' que ela me mandou, me agradeceu imensamente por saber explicar as coisas e não ser uma ameaça”, revelou. “Às vezes, as pessoas não estão preparadas para ouvir o que tenho pra dizer. Tem que dar tempo para elas, e se não, tá tranquilo. Eu apenas chego e floresço. Não saio invocada se não gosta do meu som ou da minha mensagem”, afirmou.

Se apenas com o seu repertório Karol conseguiu mudar a visão de uma jovem, com o funk “100% Feminista”, que canta ao lado da MC Carol, sua mensagem continua chegando aos ouvidos mais difíceis de serem abertos. “Uma coisa que mais me impressionou foram homens héteros me dizendo o quanto esta música os arrepiaram, dizendo que realmente precisava chegar neste tom mais agressivo, na música, pra ser entendido. Então ali, a gente está como duas heroínas feministas, não só para as mulheres negras, mas representando todas as mulheres em geral”, define. “A música realmente abre a mente das pessoas, até a cabeça do mais difícil. A música é mais fácil de explicar as coisas do que falando”, continua.

Com tantas histórias que recebe dos fãs e da influência que tem, Karol Conka sabe da responsabilidade da mensagem que traz nas suas músicas. Por isso, ela pretende continuar evoluindo para cada vez mais continuar “tombando” que nem canta em “Tombei”. “A vida é uma constante e a gente tem que estar sempre evoluindo. Quero evoluir com meus fãs, entender o que cada um quer me falar, saber onde estou errando e onde posso acertar. E fazer música e passar a melhor mensagem possível”, finaliza.


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