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  • 28/01/2017
  • 14:37
  • Atualização: 15:35

Girls Rock Camp ajuda na construção da autoestima feminina através da música

Acampamento do rock e do empoderamento reúne meninas de 7 a 17 anos

Helena Rosa, de 11 anos, vê no Girls Rock Camp um meio de se aproximar de outras crianças | Foto: Mauro Schaefer

Helena Rosa, de 11 anos, vê no Girls Rock Camp um meio de se aproximar de outras crianças | Foto: Mauro Schaefer

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  • Lou Cardoso

Em uma época que o feminismo se tornou um tema constante e necessário, nada melhor do que através da música conseguir inspirar este ativismo na mulher desde cedo. No acampamento Girls Rock Camp, um projeto que visa ensinar garotas entre 7 e 17 anos a aprenderem a tocar um instrumento e formar uma banda com composição própria, os ensinamentos vão além do que apenas tocar uma nota. Para uma das responsáveis pelo programa em Porto Alegre, a produtora cultural Lisi Zilz, a intenção é ajudar na construção da autoestima nas jovens para deixá-las prontas para o mundo. "Objetivo não é formar musicistas, mas mostrar para estas meninas que se elas quiserem, elas podem fazer qualquer coisa", afirma Lisi e complementa: "A gente acredita que a música é um meio facilitador para esta transformação." 

Mesmo se a garota nunca tenha tocado uma guitarra ou um teclado na vida, no Girls Rock Camp, a oportunidade existe para proporcionar este laço entre as envolvidas como explica a instrutora de bateria, Letícia Rodrigues: "Muitas pessoas pensam que não é possível ensinar as meninas a tocarem um instrumento em uma semana, mas a gente envolve elas em um espírito de amizade e torna este aprender em uma brincadeira.” Ela acredita que por não se tratar de uma disputa musical, o aprendizado acontece de forma mais fácil. "Quando se faz de maneira colaborativa, sem competir, estimula o espirito de colaboração e não de competição entre elas", acrescentou.  

O Girls Rock Camp começou em Portland nos Estados Unidos em 2001 e já foram realizadas dezenas de edições na Europa e América Latina. Porto Alegre é a segunda cidade brasileira a receber o projeto que teve a sua primeira edição em Sorocaba, em São Paulo em 2013 e hoje está no seu quinto ano de acampamento. Lisi participou do evento na cidade paulista como instrutora e recorda do momento como uma conquista pessoal. "A gente aprende mais do que ensina. A gente vê a mudança de comportamento durante a semana. Elas chegam com uma postura e no meio da semana, já fizeram os seus acordes, tem o nome da sua banda, já começaram a compor a música", relembra. "Ele é um projeto inesquecível para as meninas que participam e transformador para as voluntárias", ressalta. Somando a estas experiências, Letícia acredita que os ensinamentos podem transformar uma nova geração: "Certamente vai tornar estas mulheres muito mais confiantes e a sociedade bem menos machista."   

Em Porto Alegre, o Girls Rock Camp é organizado por dez mulheres, entre professoras, compositoras, jornalistas e instrutoras musicais e conta com a ajuda de 60 voluntárias. As atividades são divididas em aulas como defesa pessoal, expressão corporal, composição musical, serigrafia, sintetizadores e fanzine. A edição acontece graças ao encontro de várias mulheres que participaram de outros acampamentos em Sorocaba e decidiram avançar com o evento em outro ponto no país. "A gente formou uma rede de mulheres que ficou construindo a ideia, angariando fundos, apresentando para comunidade. Estamos trabalhando há uns dois anos e finalmente estamos concretizando nosso evento pela primeira vez", informou Letícia.  

Para a mãe de uma das campistas e também voluntária do projeto, Bianca Rosa, o local serve para a criança desenvolver a sua expressividade e frisa a importância desta convivência entre as meninas. "Além delas estarem formando uma amizade, estão formando uma banda, estão se descobrindo capazes de fazerem coisas que nem imaginavam. A música tem este poder de transformar e unir", comentou. Fã de atividades artísticas, a filha de Bianca, a Helena Rosa Moretti, de 11 anos, vê no Girls Camp Rock um meio de se aproximar de outras crianças e praticar um hobby diferente do que apenas brincar com bonecas. "Eu acho muito legal ter um negócio só de gurias, ainda mais de crianças, porque a gente tem que se apoiar", disse.  

Com um total de 30 alunas inscritas nesta edição, divididas em seis bandas, a ideia é que se possa realizar ao menos um acampamento por ano durante as férias de verão. "Ele é um projeto muito caro, envolve muitas pessoas, muito tempo de organização e são todas voluntárias. Todas têm o seu trabalho, e isso também é um trabalho", avaliou Lisi, e ela menciona que em São Paulo ocorre o Ladies Rock Camp, que tem o mesmo propósito, porém para mulheres acima de 21 anos. Um evento que é ambicioso considerando as circunstâncias, mas que não deixa de ser um objetivo futuro para o grupo em Porto Alegre.

Para concluir o trabalho de uma semana intensa de rock está agendada uma apresentação no bar Ocidente, neste sábado, a partir das 17h. De acordo com Lisi, Ocidente foi um dos maiores incentivadores do projeto. "Além de toda a história do Ocidente, de ter este significado simbólico, eles estão abrindo portas para futuras bandas", comemora.  

A expectativa para o show é de que haja muita diversão, acima de tudo, espera Bianca para a sua filha Helena Rosa Gross. "Eu espero que elas se divirtam mais do que tudo e brinquem bastante de música", afirmou. Já Helena, não vê a hora de ter o seu momento de rock star no palco. "Acho que a gente tem que se divertir, tocar e fazer rock", finaliza.