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  • 04/04/2017
  • 08:22
  • Atualização: 08:39

Nova série da Netflix reabre debate sobre bullying

13 Reasons Why estreou na última sexta-feira e conta história de Hannah Baker

Hannah Baker é a protagonista da nova série da Netflix  | Foto: Youtube / Reprodução / CP

Hannah Baker é a protagonista da nova série da Netflix | Foto: Youtube / Reprodução / CP

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  • Mauren Xavier

Atire a primeira pedra quem nunca praticou ou sofreu bullying durante os complexos e insanos anos estudantis. Você pode até negar, mas lá no fundo sabe a resposta. Pode não ter sido intencional. Você pode nem mesmo saber que um pequeno gesto resultou em um efeito borboleta sem dimensões e afetou a vida do outro. Você certamente não pediu para ser alvo de piadas e comentários desagradáveis. Mas nada disso importa. Você só vai entender se souber as razões. No caso da personagem Hannah Baker são 13. E assim temos a atual série que tomou conta das discussões, especialmente sobre bullying e suicídio juvenil, nas redes sociais nos últimos dias: 13 Reasons Why. A repercussão foi tanta que após estrear na sexta-feira passada na plataforma, já resultou em campanhas, como a #NãoSejaUmPorque .

Baseado no romance Thirteen Reasons Why escrito por Jay Asher, o enredo é fácil, mas, ao mesmo tempo, complexo. Uma estudante do ensino médio, Hannah Baker, vivida pela atriz novata Katherine Lengford, se suicida. Mas, em uma ação ousada e para não deixar tudo passar em branco, ela decide gravar fitas cassetes. Isso mesmo, cassetes, aquelas com dois lados e que só podem ser ouvidas em aparelhos específicos. E nestes áudios ela digamos "lava a roupa suja" e tira os esqueletos dos armários de seus "amigos" e "colegas".

Enquanto, os áudios são revelados, podemos assistir aquele distanciamento entre discurso e prática do mundo colegial. O bullying é só uma parcela desse faceta da vida real. Os alunos tentando, em meio as suas próprias complexidades, se encaixar em algum estereótipo, como a líder de torcida ou o jogador em ascensão, e fazer o que é preciso para mantê-lo, inclusive o jogo sujo. Os pais, apesar de ser quase inútil, se esforçando para manter o diálogo com os filhos. Neste ponto destaque para atuação da mãe de Hannah, vivida pela Kate Walsh, dos dramas Greys Anatomy e Private Practice, que está em busca de respostas para entender o que houve com a filha.

Graças aos tais logaritmos da Netflix, a série apareceu rápido nas minhas indicações. O trailer interessante e no mínimo provocativo foi um convite para um episódio. Só um. Para tirar o termômetro. Básico. A química dos personagens, cheio de estereótipos, a trilha sonora e o enredo, que desencadeia com o ‘personagem de cada lado da fita’, fisgam rápido e é difícil parar. Estou tranquila em escrever sem ter visto os 13 episódios. Reduz a possibilidade de spoilers, mesmo os involuntários, e mistério que a série vai desvendar ao fim ainda está tátil.

Mesmo assim, a Hannah, a personagem principal, quer mais. Ela quer provocar mais os pensamentos. Os dos outros personagens e o do telespectador. É difícil não reconhecer em fragmentos do enredo. E, assim, pouco a pouco, ela se mostra, em alguns momentos, como uma carrasca justiceira. Aquela que depois de morta, no caso depois de se suicidar, vem por meio das fitas para puxar à noite o pé daqueles que são as razões da sua morte, ou apenas brincar um pouco com os seus pensamentos. Mas, antes de voltar a assistir aos episódios, a pergunta que não quer calar: Você é (ou foi) uma razão para alguém?