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Porto Alegre, segunda-feira, 21 de Maio de 2018

  • 15/05/2018
  • 07:23
  • Atualização: 07:35

Série documental de James Cameron contará história da ficção científica

Lista de entrevistados incluem Ridley Scott, Steven Spielberg, George Lucas e Guillermo Del Toro

Série começa a ser exibida nesta terça-feira, no canal norte-americano AMC | Foto: Reprodução / Twitter / CP

Série começa a ser exibida nesta terça-feira, no canal norte-americano AMC | Foto: Reprodução / Twitter / CP

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James Cameron está com a agenda cheia, envolvido em quatro filmes da saga Avatar, dois prontos para começar a filmar e dois roteirizados, e na produção do primeiro Alita: "Anjo de Combate", dirigido por Robert Rodriguez, e de três longas da franquia "O Exterminador do Futuro". E ainda assim ele conseguiu encaixar a série documental "A História da Ficção Científica" por James Cameron, cujos seis episódios começam a ser exibidos nesta terça, 15, às 21h30, no AMC.

"Eles me ofereceram a ideia. Se não fosse agora, quando seria?", disse o diretor em entrevista ao Estado, em Los Angeles. "Sou fã de ficção científica desde uns 3 ou 4 anos. Faço ficção científica no cinema desde 1984, com O Exterminador do Futuro. Por que não dar algo como retribuição?"

Foi exatamente o que disse para George e Steven - no caso, George Lucas e Steven Spielberg, dois dos entrevistados da série, além de Ridley Scott, Guillermo del Toro, Christopher Nolan, Sigourney Weaver e Keanu Reeves, só para ficar nos mais famosos. "Falei: Caras, ganhamos nossa vida com isso. A ficção científica nos influenciou e nós a influenciamos e influenciamos muita gente. Vamos retribuir, falar do que nos empolga na ficção científica, qual nosso processo, nossas raízes."

Cada episódio gira em torno de um tema: alienígenas, espaço sideral, monstros, futuro sombrio, máquinas inteligentes e viagem no tempo. Os cineastas falam sobre suas inspirações para algumas de suas maiores criações no gênero - Ridley Scott e seu Alien - O 8.º Passageiro", Steven Spielberg e seu Contatos Imediatos do 3º Grau e E.T. - O Extraterrestre, George Lucas e seu Star Wars, Paul Verhoeven e seus Tropas Estelares e o próprio James Cameron e seu Avatar.

O diretor afirmou ter aprendido fazendo a série. "Fazer pesquisa e conversar com especialistas aprofundou meu entendimento sobre a ressonância entre a ficção científica e o zeitgeist do momento em que ela foi escrita ou criada. Quando você precisa aplicar um certo rigor de pesquisa e apresentar de forma clara para as pessoas, dá para realmente enxergar como aquelas histórias de invasores alienígenas tomando forma humana eram na verdade sobre os espiões comunistas nos EUA." Ou a importância histórica de Uhura, mulher e negra, no elenco de uma série de TV, Star Trek.

"Whoopi Goldberg diz num dos episódios que não havia gente negra no espaço quando ela era criança. Uhura foi a primeira e, por isso, Whoopi quis fazer parte de Star Trek: A Nova Geração."

Para Cameron, ninguém definiu melhor do que Ray Bradbury, autor de Fahrenheit 451: "Ele dizia que não se pode matar a medusa sem olhar para ela num reflexo. Quando Perseu levantou seu escudo, a visão distorcida do monstro era com o que conseguia lidar. É assim que lidamos com as coisas das quais não podemos falar facilmente e por isso usamos a ficção científica e a fantasia". Sendo assim, o momento atual é mais do que fértil para a ficção científica.

"Tivemos essa ilusão de progresso. Todos da nossa geração compraram a ideia de que o progresso era unidirecional, que as coisas só iam melhorar. E vemos agora a fragilidade disso. A tolerância pode dar lugar à intolerância. A ciência pode ceder espaço a ataques à ciência. Isso está acontecendo agora numa velocidade que não se via desde que a Igreja colocou Galileu na prisão, quando se trata de ciência do clima neste país. A ficção científica pode nos dar uma perspectiva histórica."

James Cameron tem esperança, apesar do momento sombrio. "As pessoas estão bravas e perceberam que não podem ser complacentes. E a ficção científica nunca foi complacente. Ela que sempre foi capaz de olhar um futuro ameaçador nos olhos e servir como aviso."