Se não pelo povo, pelo Palácio

O Taj Mahal é o “monumento do amor”. Foi erguido pelo imperador Shah Jahan em homenagem a sua terceira esposa, Mumtaz Mahal, que morreu quando dava à luz seu décimo quarto filho, e levou quase duas décadas para ser construído. Virou Patrimônio Mundial da Unesco e atrai milhares de turistas todo ano, sendo o principal cartão postal da Índia. Agora pode até ser demolido. Li aqui, no Correio do Povo. Dois juízes da Suprema Corte daquele país determinaram que o governo tome uma decisão sobre o Palácio, localizado em Agra. “Ou fechamos o Taj, demolimos ou restauramos”, disseram os magistrados.

Agra é um populoso centro industrial na região norte da Índia. Seus problemas com a poluição são os mesmos problemas que qualquer metrópole mundial enfrenta. E que refletem na queda da qualidade de vida, na elevação dos gastos e necessidades com a saúde pública, nos reflexos nefastos no meio ambiente.

Em 1996, a Suprema Corte determinou a transferência das indústrias da região para bem longe.  Defensores do monumento protestam, alegam inércia das autoridades públicas que não cumprem o determinado, editando apenas medidas paliativas, como tratamentos estético a base de argila e o afastamento da circulação de veículos. Agora estudam novas determinações restringindo a vida na região ao uso de biocombustível e etc.

Os juízes indianos também estão preocupados com o Templo de Lótus, que está ficando cinza, e o com o Templo Dourado.

Tá, eu concordo que esses palácios precisam ser preservados. Defendo que a preservação da memória e da identidade de um povo é passo determinante para que não esqueçamos que somos, e não nos submetamos ao pior lado da globalização – a robotização humana e sua redução a meros números de consumo. Mas, aí, é outro assunto.

O que me impressiona, e me decepciona, é que tamanho movimento seja feito para defender a vida dos palácios. Não se vê a Suprema Corte da Índia preocupada com o seu povo. Se as autoridades públicas derem um jeito de chutar a poluição para longe dos palácios, tudo certo. Está resolvido o problema. A saúde do povo e o meio ambiente? Ah, quem se importa?

Não salvem os humanos. Nem as baleias. Salvem o mármore!

Mas isso acontece na Índia, né? Ah, essa distância…

 

Oscar :